Arquivo de Junho de 2009

Nelson de Oliveira

admin em 29 de Junho de 2009 @ 21:46

“Tenho absoluta certeza que a boa literatura é a que inquieta as pessoas. Não a que deixa as pessoas tranquilas, sossegadas, em paz, não. O bom ensaio, a boa prosa, o bom poema é o que incomoda de alguma forma; mexe com verdades estabelecidas” (excerto de “Entrevista com Nelson de Oliveira”, Encontros de Interrogação, YouTube, Itaú Cultural, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=e7jnTsUjzMA, acesso em junho de 2009).

Veja também:

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José Castello | “a literatura se torna ameaçadora”

admin em 17 de Junho de 2009 @ 21:02

jose castello jun - jose castello jun
“Em nosso tolo mundo do Eu, os escritores se transformam em celebridades. Escritores deveriam repetir, hoje, a frase de Manuel, o protagonista de Gustavo Bernardo: ‘Eu não sou nenhum tipo de deus. Eu não sou sequer nenhum tipo de eu’. É por isso que a literatura se torna ameaçadora: porque não exclui nada, nem ninguém. Porque encara, sem medo, a precariedade do homem.” (José Castello, “A bofetada metafísica”, em O Globo, 13 jun. 2009. Prosa e Verso)

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Juliano Cézar Sasseron

admin em 16 de Junho de 2009 @ 09:25

NOVOS ESCRITORES

Juliano c  pia 1 - Juliano c  pia 1

Entrevistado: Juliano Cézar Sasseron
Biografia por ele mesmo | Engenheiro Agrônomo e escritor. Aprecio as obras da Natureza, cultivo harmonia e colho amizade.
Sou real, feito de ilusão. Sou uma peça (valiosa?) nesse jogo da vida

Escreve | publicou livro Crianças da noite
Pela editora Novo Século
E-mail | sasseron@gmail.com


Você já escreveu e publicou um livro. Fale sobre seu livro.
Juliano | Crianças da noite é uma história cheia de ação, mistério, aventura e suspense, no qual vemos guerras entre vampiros e outros seres do oculto em cada uma de suas 288 páginas.
O mundo proibido dos vampiros é uma rede de mentiras e trapaças tudo em busca de mais poder. Acordos e pactos são feitos a toda hora, mas é só virar de costas para ter o corpo atravessado por uma estaca e ser jogado aos lobos.
Um vampiro traidor é descoberto infiltrado em uma poderosa seita e já na primeira página começa a caçada sangrenta. A estrutura dessa seita começa a desmoronar.
Em meio ao caos, uma antiga profecia, feita na época da criação do mundo, vem à tona. Então é necessário uma união improvável entre alguns vampiros, para que se descubra os mistérios e segredos que falam sobre o Fim dos Tempos.
Vampiros, Lobisomens, Magos, Espíritos. Um verdadeiro universo obscuro existe ao nosso redor.


Como foi o processo de escrita? Quanto tempo demorou? Você planejou todo o livro ou escreveu por impulso?
Juliano | Foi um trabalho árduo, porém divertido. Tinha a idéia básica da história, e durante uma aula no meu primeiro ano de faculdade comecei a escrever (Sim, na maioria das vezes escrevo à mão - salvo quando faço as revisões -, na verdade só escrevi dois contos direto no computador: “A Festa” - em parceria com o escritor Adriano Siqueira - e “Esplendor”, meu conto que sairá no livro TERRITÓRIO V). A data precisa foi 1° de abril de 2005. Como disse, tinha a semente da história, muitas coisas foram surgindo durante a escrita. “Pois bem”, pensei, “a partir desse momento preciso irrigar e cuidar para que enfim surja a planta”. Isto ocorreu dia 12 de dezembro do mesmo ano.


Há alguma hora ou momento preferidos para escrever? Escreve em silêncio ou com música?
Juliano | Gosto de escrever durante a madrugada. É quando o silêncio paira e posso fazer um “apanhado” do dia. A partir daí as ideias surgem. No entanto, costumo andar sempre com caneta e bloco de anotações no bolso, pois podem se fazer necessários a qualquer hora. Na maioria das vezes escrevo ouvindo músicas cantadas em inglês. Já tentei escrever ao som da MPB, mas não há distanciamento o suficiente no que se refere ao idioma e acabo me desconcentrando. Mais raramente ouço também música instrumental enquanto escrevo.


Quais obras e autores te influenciaram?
Juliano | Posso dizer que praticamente todas as obras que li de uma forma ou de outra acabaram me influenciando, a começar pelos clássicos contos-de-fadas, desenhos, filmes, quadrinhos e animes. Para elaborar um texto é necessário um prévio estudo do tema, o que acaba tendo ascendência sobre minha história. O que faço é tentar evitar ler algo do gênero no qual estou escrevendo. Cito A Bíblia como uma obra que surtiu efeito na minha escrita, e eu não sou nada religioso, e, como autor, Stephen King.


Como foi sua história para publicar seu livro? Qual foi o caminho das pedras?
Juliano | Como qualquer autor iniciante, tive minhas dificuldades ainda mais por ser muito jovem. O Brasil está cheio de ótimos autores, mas infelizmente a maioria dos leitores daqui acha que os “gringos” é que sabem escrever. Quantas pessoas vão a uma livraria e passam algum tempo lendo a sinopse de diversos livros? Pouquíssimas, a maior parte não possui opinião própria e se deixa influenciar. Isso é complicado, porém sou teimoso e não desisto. É isso que quero pra minha vida. É esse meu objetivo. Não retiro as pedras do caminho, subo nelas para enxergar além.


Há alguma hora ou momento preferidos para escrever? Escreve em silêncio ou com música?
Juliano | Não há hora para expressar a literatura. Ela é arte, e a arte está no dia a dia. A todo segundo uma história nos salta os olhos. Minha imaginação fervilha a cada momento. Agora referindo-se ao momento em colocá-la no papel, isto depende. Infelizmente poucos são os que sobrevivem apenas da literatura. Eu, por exemplo, tenho que conciliar com outra profissão, sendo assim fico à mercê de um tempo vago, seja ele em que horário for.
Gosto de ouvir música em determinados momentos de minha criação (principalmente em cenas que promovem ação), é claro que em certos momentos, no qual necessito de concentração (como no caso de descrição de personagem ou ambiente), prefiro o som da natureza ou alguma música relaxante com o volume baixo.


Quais são suas obras e autores prediletos?
Juliano | Os autores que conseguem me transportar verdadeiramente para seu mundo merecem meus mais sinceros agradecimentos.
Quando o assunto é suspense/terror, posso citar King, Blatty e Hazred.
Nas fábulas modernas menciono Gaiman e Fleming.
Na alta fantasia, Tolkien e Hohlbein.
Se você quiser viajar para um mundo sombrio, cheio de sangue ou mesmo para um campo de batalhas épicas, recomendo esses mesmos autores.


Você lê Best e mega Sellers? Você tem algum preconceito/opinião contra/sobre os mega-sellers?
Juliano | É claro. Disse a pouco minhas obras prediletas, sendo que a maioria delas continua sendo best-seller. A diferença é que não as leio durante a “febre”, tão pouco espero que surja outro “fenômeno” para voltar a ler. No momento além de escrever, busco autores nacionais.
Agora dizer que um livro é bom somente porque entrou na lista dos mais vendidos é um erro grave. O que classifica a qualidade de um livro não é se o mesmo tornou-se best-seller ou não, e sim quando ele nos toca a alma fazendo-nos gozar em suas páginas.


Os mega-sellers prejudicam os demais livros?
Juliano | Tudo tem dois lados. É muito complicado para um autor iniciante competir com eles, pois em sua maioria já vêm com marketing forte e o cinema pra ajudar. Não que isso seja ruim, eu adorei Harry Potter, mas muitas pessoas lêem esses livros porque “estão na moda”. Não é exatamente uma questão de escolha. Porém se algumas dessas pessoas não parar por ai e buscar novos livros, isso será uma revolução no mercado editorial.


Segundo você, como é o novo escritor brasileiro?
Juliano | Hoje algumas editoras estão apostando em antologias de contos com escritores iniciantes, e isso está dando a oportunidade para novos autores publicarem, mesmo que dividindo o espaço com muita gente. A internet está treinando os iniciantes, com blogs, sites e oficinas literárias, porém temos que tomar cuidado com ela, pois muitos escrevem qualquer coisa e assim fica difícil achar algo bom. Há um número enorme de novos autores, principalmente na literatura fantástica, procurando se destacar. A competição aumentou, o que, espero, elevar a qualidade dos textos.


Qual sua recomendação ao jovem escritor?
Juliano | Principalmente: ler mais.
Também deve estar sempre atento às editoras que estão lançando selos na linha da qual ele escreve. Ir, sempre que possível, a encontros e feiras de livros, participar de antologias, zines, coletâneas e afins. Nunca desistir se algum texto for recusado e escrever, escrever, escrever.


Agradecemos muito pela entrevista e informamos que quem quiser conversar com Juliano ou adquirir seu livro pode escrever e-mail a ele: sasseron@gmail.com
Crian  as da Noite - Crian  as da Noite

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Rodrigo Lacerda e leitura crítica

admin em 14 de Junho de 2009 @ 20:10

montagem foto - montagem foto
Outra vida é o título do novo romance de Rodrigo Lacerda. Para aprimorar a obra, o autor contou com o apoio da leitura crítica de Ronaldo Correia de Brito. “Sou de família de editores [é filho de Sebastião Lacerda, da Nova Aguilar, e neto do político Carlos Lacerda, fundador da Nova Fronteira]. Acredito muito no papel do editor. Também conversei muito com o editor da Alfaguara, Marcelo Ferroni”.

Nós, da Ofício Editorial, aconselhamos que, antes de enviar a obra para avaliação para publicação ou para publicação on demand, o escritor a envie para um leitor crítico. Pode começar enviando a obra para um amigo, é bom escutar o que seu público terá a dizer, a opinião dele. Mas nada substitui a leitura crítica, pois ela não é somente opinião sobre sua obra. Ela é baseada em crítica e interpretação, e nela são apontados os pontos em que o escritor deve trabalhar mais em sua obra, ou seja, é dada a oportunidade ao escritor para que ele melhore sua obra.

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Daniel Ricardo Barbosa

admin em 5 de Junho de 2009 @ 22:49

NOVOS ESCRITORES

daniel Barbosa - daniel Barbosa

Entrevistado: Daniel Ricardo Barbosa
Biografia por ele mesmo | É contador, técnico em manutenção de computadores, digitador, corretor de imóveis etc. Gostaria, como muitos outros, de poder dizer-se escritor, mas você conhece algum escritor que consiga sobreviver com simplicidade exclusivamente de sua verdadeira vocação? Autor do livro “Elo, Entrelinhas & Alucinações” (O Clássico e Canto Escuro), nome ao acaso em duas ou três antologias, esperançoso quanto ao breve (!!!) lançamento de seu segundo livro, classificado em diversos concursos literários sem nunca ter vencido nenhum, blogueiro pouco assíduo do sítio www.danielricardobarbosa.blogspot.com, e leitor ávido dos “clássicos da literatura” de todos os tempos, sonha um dia poder recusar o Prêmio Nobel, convites para quaisquer debates das principais feiras literárias que chuviscam por aí, e o beijo de aranha bêbada da Academia Brasileira de Letras. Pode ser contatado e agradece as mensagens, amistosas ou não, enviadas para o endereço: drb.contato@terra.com.br.
Escreve | publicou livro Elo, Entrelinha & Alucinações , O Clássico e Canto Escuro
E-mail | drb.contato@terra.com.br
Blog | http://www.danielricardobarbosa.blogspot.com/


Como você se tornou escritor? A partir de qual momento um escritor escreve? E a partir de qual momento o escritor faz literatura?
Daniel | Às vezes me pergunto se cada pessoa não nasceria com uma ou mais vocações. Tais inclinações seriam desenvolvidas de acordo com o ambiente em que se vive, oportunidades que se encontra pelo caminho, o temperamento do próprio indivíduo. Várias razões me levam a acreditar nesta espécie de “seleção natural”, que concederia os talentos específicos de acordo com as necessidades quantitativas da humanidade. O problema, hoje em dia, nesta sociedade em que o dinheiro e o poder são prioridade, é que muitas vezes as vocações inatas são negligenciadas em prol da sobrevivência ou acúmulo. Certas vocações são desprezadas a priori por não representarem campo de possibilidade para ganhos mais suntuosos e, talvez, mais fáceis de serem conquistados. Hoje encontramos carpinteiros inatos praticando cirurgia estética, açougueiros regendo nações através da economia, metalúrgicos despachando na política etc. De qualquer maneira, segundo penso, não se torna escritor: nascem escritores. E, como acontece nas demais artes, tal vocação é mais difícil de ser negligenciada. O apelo ou impulso à criação é imperioso. Pode-se até tentar passar indiferente por ele, não lhe dar ouvidos, mas as chances de se sentir profundamente infeliz o tempo todo são maiores. Tenho lembranças dos meus 5 ou 6 anos de idade com caneta e papel na mão ou lendo redações que escrevera em sala de aula da escola pública que eu frequentava, enquanto os demais alunos ouviam com grande curiosidade, durante o único momento em que eles faziam atento silêncio. Não há um momento em que o escritor passa a traçar suas linhas: ele escreve a partir de qualquer acontecimento e em qualquer época de sua vida. Ser escritor é também se tornar o registro vivo do seu tempo. E qualquer estranhamento diante o que se passa ao redor serve como mote. O resultado da observação e do registro pode ou não ser chamado de literatura. Passei a considerar meus textos como tal ao perceber que escrever era tudo o que eu queria e sabia fazer razoavelmente bem.


Escrever, como tocar um instrumento, exige tempo, dedicação e exercício. Qual “técnica” (se podemos chamar assim) você usa para aprimorar sua escrita?
Daniel | Dificilmente o escritor consegue sobreviver exclusivamente dos seus textos. Ele precisa se dedicar a outras coisas a fim de prover seu sustento. O ideal seria poder dedicar-se integralmente à vocação. Inclusive, se assim o fosse, encontraríamos literatura de melhor qualidade nas prateleiras das livrarias. Porém, a melhor maneira de aprimorar a escrita, é ler e escrever. Manter certa regularidade nestas práticas. Ler e escrever diária e exaustivamente. O máximo que o tempo lhe permitir. Ler de tudo válido um pouco e experimentar na hora de escrever. Deixar-se livre no momento da criação e não se enganar pensando em obras-primas a cada meia dúzia de linhas.


Há alguma hora ou momento preferidos para escrever? Escreve em silêncio ou com música?
Daniel | Gosto de escrever durante a madrugada. É quando o silêncio paira e posso fazer um “apanhado” do dia. A partir daí as ideias surgem. No entanto, costumo andar sempre com caneta e bloco de anotações no bolso, pois podem se fazer necessários a qualquer hora. Na maioria das vezes escrevo ouvindo músicas cantadas em inglês. Já tentei escrever ao som da MPB, mas não há distanciamento o suficiente no que se refere ao idioma e acabo me desconcentrando. Mais raramente ouço também música instrumental enquanto escrevo.


Quais são suas obras e autores prediletos?
Daniel | São tantas obras e autores! Entre eles posso destacar: Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo e Duas ou Três Graças), J. D. Salinger ( O Apanhador no Campo de Centeio), Dostoievski (Crime e Castigo), Stendhal ( O Vermelho e o Negro), Mario Vargas Llhosa ( Tia Júlia e o Escrevinhador), F. Scott Fitzgerald ( O Grande Gatsby), Franz Kafka ( O Processo ), Albert Camus ( A Queda e O Estrangeiro ), Robert M. Pirsig ( Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas) etc. Quero citar 5 autores que me espantam por seu pensamento e/ou literatura ousada, moderna, arejada. O filósofo Jean Baudrillard pela atualidade do seu pensamento. Dois autores portugueses que também trabalham ou já trabalharam como editores, e sempre me surpreendem, de maneira positiva, com suas obras e leituras do mundo: Vitor Vicente e Rui Caeiro. E dois brasileiros: Patrícia Melo e Joca Reiners Terron (o livro Sonho Interrompido por Guilhotina é ao mesmo tempo o alento e o desassossego).


Dentre suas obras favoritas, comente uma. O que a diferencia das demais no universo da literatura?
Daniel | Gosto muito dos chamados “Romances de Formação”. Dentre eles O Apanhado no Campo de Centeio, a história de um adolescente controverso, que não consegue se adaptar à sociedade, àquilo que o cerca, e não enxerga perspectivas a não ser viver só numa choupana próximo à mata, parece-me bem atual. Posso separar minhas leituras entre antes e depois de certos livros. O Apanhador… talvez seja o “marco” mais nítido e significante. Suas questões, abordadas com simplicidade e de maneira tocante, perduram e talvez se encaixem até mesmo com maior probidade no mundo atual.


Conta a lenda que Fernando Pessoa escreveu poemas de Alberto Caeiro de uma só vez, como mais que psicografando do que escrevendo. Umberto Eco, por sua vez, diz que faz pesquisas sobre o tema que quer escrever. E você? Como escreve? Qual é o seu processo?
Daniel | Pesquisas são fundamentais para que a obra não se perca no vazio. Isto não quer dizer que sempre será necessário interromper o fluxo criativo para fazê-las. Até porque a “bagagem cultural” do autor há de ser pesada e volumosa. Quase sempre ela supre a necessidade da hora. No mínimo torna as notas mais concisas para futuras pesquisas. No meu caso, cada obra exige particular processo. O que nunca muda: sempre escrevo “à moda antiga”: uso lápis e papel e só depois de ter o texto “pronto” o transcrevo para o computador. Textos que vêm na “íntegra”, como no caso do Alberto Caeiro, geralmente precisam de poucos “ajustes”. Nos demais casos, mesmo após transcrever, costumo reescrever algumas vezes antes de me cansar e riscar o ponto final.


Depois de escrita uma obra, ela fica na gaveta? Ou é imediatamente enviada a uma editora?
Daniel | Certas obras precisam de maior amadurecimento por parte do autor, para que proponham com competência suas questões e desígnios aos leitores. É imprescindível tolher a vaidade ou mesmo a ansiedade por ver a obra publicada e deixá-la descansando na gaveta. Só envio o original para as editoras quando consigo fazer uma leitura crítica isenta e a obra me parece íntegra.


Sobre editoras, qual foi seu percurso? Como um autor “estreiante” é recebido nesse mundo?
Daniel | Neste mundo em que cada vez mais as tendências mercadológicas e modismos ditam o que se deve publicar, o autor estreante é muito mal recebido. A não ser que seja um autor que se coadune às modas, tenha dinheiro para bancar a publicação de suas obras, ou dê a sorte de encontrar alguém com coragem para investir no novo. Durante quase 6 anos trilhei um caminho árduo de contato com intermediários, estagiários, assistente, editores. Se não fossem as amizades que se firmaram com os contatos e as palavras de incentivo que estes amigos despretensiosamente me dedicaram, fatalmente eu teria desistido. Por fim agradeci pela sorte: encontrei alguém do ramo pouco ou nada ligado à “modismos e finanças”, mas ao novo, à polêmica, à “boa literatura”, cujas circunstâncias permitiam e a coragem incentivou para que publicasse o Elo, Entrelinhas e Alucinações – meu primeiro livro. Hoje este editor, inclusive e acima de tudo, é meu amigo.


Escrever é preciso? Escrever é uma necessidade?
Daniel | Escrever é preciso por ser uma necessidade.


Qual sua recomendação ao jovem escritor?
Daniel | Leia e reze sempre nem que seja à própria sombra. Você vai precisar das duas coisas. (risos.)


“Cansada de se arrastar pela casa e fechar as janelas que o vento insistia em abrir”. Assim é a primeira frase de seu livro, Elo, Entrelinhas & Alucinações. A primeira frase é importante?
Daniel | Certa vez li uma matéria que relatava a preocupação de certos autores com a primeira frase de suas obras. Nesta matéria havia citações do que supostamente seriam as “melhores primeiras frases de todos os tempos”, além de se referir a autores como Gabriel Garcia Marquez – que costumavam levar alguns meses pensando na primeira frase dos textos em que estavam trabalhando. Fiquei impressionado: dou a mesma importância a qualquer frase ao longo de um texto. Todas elas têm que ser capazes de interessar ao leitor. No entanto gosto de começar os textos como se pegasse o “barco andando”. Passo a descrever a “paisagem” do momento em que tomo parte da “travessia” e não como se fosse desde sempre uma consciência atemporal, onipresente, ilimitada. Quem estava ali antes de minha chegada já tinha vislumbrado coisas muito interessantes e belas. As personagens já tinham vida antes da minha intrusão e durante certo período eu apenas tenho a oportunidade de participar e descrever acontecimentos. Qualquer primeira frase que destoasse do texto, por ser de maior impacto, faria com que eu tomasse de assalto e não adentrasse suavemente na vida destas personagens e conseqüentemente do leitor.


Do que fala o livro?
Daniel | Elo, Entrelinhas & Alucinações é a história de um país fictício que durante séculos ficou completamente isolado do mundo. Certos eventos levam o mundo a se interessar por esta nação singular e as mudanças que acontecem são descritas com ironia e bom-humor. Trata-se de uma tentativa de entreter o leitor ao mesmo tempo em que ele é levado a certos questionamentos e reflexões. Uma sátira a nossa sociedade capitalista e à sua capacidade de degenerar todos os elementos.


Como foi seu processo de escrita nele?
Daniel | O processo de escrita do Elo, Entrelinhas & Alucinações, na verdade, foi me libertar de qualquer tipo de processo (risos). Após tantas portas que me foram fechadas ante as minhas tentativas de publicar, eu havia desistido deste sonho com ares de utopia. Decidi escrever uma última vez e apenas para mim. “Tomar aquele barco”, não mostrar o resultado a ninguém, e nunca mais lutar contra a correnteza. Dei total liberdade para escrever o que me viesse à cabeça. E como estava deveras revoltado, descrente, irritadiço… Talvez por isto eu receba alguns e-mails perguntando por que o livro às vezes soa tão ácido. Tão crítico que chega a provocar a risada. Trata-se de um livro fora dos “padrões” que geralmente o “mercado literário moderno” exige dos autores. Bastante extenso, porém, escrito em apenas um mês, e de leitura fácil e rápida. Não são todos os dias em que isto acontece: muitas vezes se faz necessário anos de trabalho assíduo até que se chegue ao ritmo e fluência desejável.


Agradecemos muito pela entrevista e informamos que quem quiser conversar com Daniel ou adquirir seu livro pode escrever e-mail a ele: drb.contato@terra.com.br
alucinacoes - alucinacoes

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Lygia Fagundes Telles n’ O Globo

admin em 2 de Junho de 2009 @ 20:19

lygia - lygia

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