Juliano Cézar Sasseron
admin em 16 de Junho de 2009 @ 09:25
NOVOS ESCRITORES
Entrevistado: Juliano Cézar Sasseron
Biografia por ele mesmo | Engenheiro Agrônomo e escritor. Aprecio as obras da Natureza, cultivo harmonia e colho amizade.
Sou real, feito de ilusão. Sou uma peça (valiosa?) nesse jogo da vida
Escreve | publicou livro Crianças da noite
Pela editora Novo Século
E-mail | sasseron@gmail.com
Você já escreveu e publicou um livro. Fale sobre seu livro.
Juliano | Crianças da noite é uma história cheia de ação, mistério, aventura e suspense, no qual vemos guerras entre vampiros e outros seres do oculto em cada uma de suas 288 páginas.
O mundo proibido dos vampiros é uma rede de mentiras e trapaças tudo em busca de mais poder. Acordos e pactos são feitos a toda hora, mas é só virar de costas para ter o corpo atravessado por uma estaca e ser jogado aos lobos.
Um vampiro traidor é descoberto infiltrado em uma poderosa seita e já na primeira página começa a caçada sangrenta. A estrutura dessa seita começa a desmoronar.
Em meio ao caos, uma antiga profecia, feita na época da criação do mundo, vem à tona. Então é necessário uma união improvável entre alguns vampiros, para que se descubra os mistérios e segredos que falam sobre o Fim dos Tempos.
Vampiros, Lobisomens, Magos, Espíritos. Um verdadeiro universo obscuro existe ao nosso redor.
Como foi o processo de escrita? Quanto tempo demorou? Você planejou todo o livro ou escreveu por impulso?
Juliano | Foi um trabalho árduo, porém divertido. Tinha a idéia básica da história, e durante uma aula no meu primeiro ano de faculdade comecei a escrever (Sim, na maioria das vezes escrevo à mão - salvo quando faço as revisões -, na verdade só escrevi dois contos direto no computador: “A Festa” - em parceria com o escritor Adriano Siqueira - e “Esplendor”, meu conto que sairá no livro TERRITÓRIO V). A data precisa foi 1° de abril de 2005. Como disse, tinha a semente da história, muitas coisas foram surgindo durante a escrita. “Pois bem”, pensei, “a partir desse momento preciso irrigar e cuidar para que enfim surja a planta”. Isto ocorreu dia 12 de dezembro do mesmo ano.
Há alguma hora ou momento preferidos para escrever? Escreve em silêncio ou com música?
Juliano | Gosto de escrever durante a madrugada. É quando o silêncio paira e posso fazer um “apanhado” do dia. A partir daí as ideias surgem. No entanto, costumo andar sempre com caneta e bloco de anotações no bolso, pois podem se fazer necessários a qualquer hora. Na maioria das vezes escrevo ouvindo músicas cantadas em inglês. Já tentei escrever ao som da MPB, mas não há distanciamento o suficiente no que se refere ao idioma e acabo me desconcentrando. Mais raramente ouço também música instrumental enquanto escrevo.
Quais obras e autores te influenciaram?
Juliano | Posso dizer que praticamente todas as obras que li de uma forma ou de outra acabaram me influenciando, a começar pelos clássicos contos-de-fadas, desenhos, filmes, quadrinhos e animes. Para elaborar um texto é necessário um prévio estudo do tema, o que acaba tendo ascendência sobre minha história. O que faço é tentar evitar ler algo do gênero no qual estou escrevendo. Cito A Bíblia como uma obra que surtiu efeito na minha escrita, e eu não sou nada religioso, e, como autor, Stephen King.
Como foi sua história para publicar seu livro? Qual foi o caminho das pedras?
Juliano | Como qualquer autor iniciante, tive minhas dificuldades ainda mais por ser muito jovem. O Brasil está cheio de ótimos autores, mas infelizmente a maioria dos leitores daqui acha que os “gringos” é que sabem escrever. Quantas pessoas vão a uma livraria e passam algum tempo lendo a sinopse de diversos livros? Pouquíssimas, a maior parte não possui opinião própria e se deixa influenciar. Isso é complicado, porém sou teimoso e não desisto. É isso que quero pra minha vida. É esse meu objetivo. Não retiro as pedras do caminho, subo nelas para enxergar além.
Há alguma hora ou momento preferidos para escrever? Escreve em silêncio ou com música?
Juliano | Não há hora para expressar a literatura. Ela é arte, e a arte está no dia a dia. A todo segundo uma história nos salta os olhos. Minha imaginação fervilha a cada momento. Agora referindo-se ao momento em colocá-la no papel, isto depende. Infelizmente poucos são os que sobrevivem apenas da literatura. Eu, por exemplo, tenho que conciliar com outra profissão, sendo assim fico à mercê de um tempo vago, seja ele em que horário for.
Gosto de ouvir música em determinados momentos de minha criação (principalmente em cenas que promovem ação), é claro que em certos momentos, no qual necessito de concentração (como no caso de descrição de personagem ou ambiente), prefiro o som da natureza ou alguma música relaxante com o volume baixo.
Quais são suas obras e autores prediletos?
Juliano | Os autores que conseguem me transportar verdadeiramente para seu mundo merecem meus mais sinceros agradecimentos.
Quando o assunto é suspense/terror, posso citar King, Blatty e Hazred.
Nas fábulas modernas menciono Gaiman e Fleming.
Na alta fantasia, Tolkien e Hohlbein.
Se você quiser viajar para um mundo sombrio, cheio de sangue ou mesmo para um campo de batalhas épicas, recomendo esses mesmos autores.
Você lê Best e mega Sellers? Você tem algum preconceito/opinião contra/sobre os mega-sellers?
Juliano | É claro. Disse a pouco minhas obras prediletas, sendo que a maioria delas continua sendo best-seller. A diferença é que não as leio durante a “febre”, tão pouco espero que surja outro “fenômeno” para voltar a ler. No momento além de escrever, busco autores nacionais.
Agora dizer que um livro é bom somente porque entrou na lista dos mais vendidos é um erro grave. O que classifica a qualidade de um livro não é se o mesmo tornou-se best-seller ou não, e sim quando ele nos toca a alma fazendo-nos gozar em suas páginas.
Os mega-sellers prejudicam os demais livros?
Juliano | Tudo tem dois lados. É muito complicado para um autor iniciante competir com eles, pois em sua maioria já vêm com marketing forte e o cinema pra ajudar. Não que isso seja ruim, eu adorei Harry Potter, mas muitas pessoas lêem esses livros porque “estão na moda”. Não é exatamente uma questão de escolha. Porém se algumas dessas pessoas não parar por ai e buscar novos livros, isso será uma revolução no mercado editorial.
Segundo você, como é o novo escritor brasileiro?
Juliano | Hoje algumas editoras estão apostando em antologias de contos com escritores iniciantes, e isso está dando a oportunidade para novos autores publicarem, mesmo que dividindo o espaço com muita gente. A internet está treinando os iniciantes, com blogs, sites e oficinas literárias, porém temos que tomar cuidado com ela, pois muitos escrevem qualquer coisa e assim fica difícil achar algo bom. Há um número enorme de novos autores, principalmente na literatura fantástica, procurando se destacar. A competição aumentou, o que, espero, elevar a qualidade dos textos.
Qual sua recomendação ao jovem escritor?
Juliano | Principalmente: ler mais.
Também deve estar sempre atento às editoras que estão lançando selos na linha da qual ele escreve. Ir, sempre que possível, a encontros e feiras de livros, participar de antologias, zines, coletâneas e afins. Nunca desistir se algum texto for recusado e escrever, escrever, escrever.
Agradecemos muito pela entrevista e informamos que quem quiser conversar com Juliano ou adquirir seu livro pode escrever e-mail a ele: sasseron@gmail.com
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