Regras básicas de leitura e escrita
admin em 28 de Agosto de 2009 @ 21:49 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1445
PARA LER
1. Ignorar os best-sellers, por maior que seja a tentação. Deixe passar cinco anos. Se o livro ainda respirar bem, pode investir.
2. Ler com desconfiança o que lê. Se o livro resistir a essa leitura, é porque é bom.
3. Ler com um lápis na mão. E usá-lo.
4. Conhecer pessoalmente o escritor só depois de ler o livro; caso contrário, a figura do escritor ficará colada ao texto, como um fantasma.
5. Ler edições que tenham bom gosto. Uma edição amadora piora dramaticamente o livro.
PARA ESCREVER
1. Dedicar mais tempo à leitura do que à escrita.
2. Usar em abundância o ponto final, especialmente quando a frase resiste a qualquer conserto.
3. Usar material de primeira qualidade: bom computador, bom papel de impressão, bons cadernos (sugiro o Moleskine), boas canetas, bons lápis.
4. Não levar o laptop para a cozinha ou para a sala de visitas. Se não tiver um gabinete exclusivo, o quarto é uma boa escolha.
5. Escrever apenas sobre o que conhece perfeitamente, mesmo que seja um romance passado no futuro.
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL | é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor de “Ensaios Íntimos e Imperfeitos” (L&PM), entre outros livros.
“Escritores em construção”, Folha de S. Paulo, 16 ago. 2009, caderno Mais!
Arquivado sob Literatura, Texto | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1446
2 comentários para “ Regras básicas de leitura e escrita ”
URI de rastreio | RSS dos Comentários


Adriana Lisboa 5 de Setembro de 2009 @ 19:59 1
Erica, parabéns pelo blog de vocês, super interessante.
Dando um pitaco sobre o que o professor Luiz Antonio de Assis Brasil escreveu:
- Ler com desconfiança é que nem namorar com desconfiança…
- Nem sempre a gente pode não conhecer o autor, principalmente quando se é autor. Mas podemos esquizofrenizar-nos o suficiente para ler um livro de autor que conhecemos como se não o conhecêssemos.
- Usar em abundância o ponto final pode dar origem a um ritmo esquisito. O ponto final diz quando é necessário.
- É possível escrever sobre um tema que não se conhece perfeitamente. É só assumir isso e, quem sabe, tematizar a própria dificuldade.
- Tudo isso que eu escrevi pode ser uma grande bobagem.
Abraços!
Adriana
admin 6 de Setembro de 2009 @ 22:59 2
Oi, Adriana,
Muito bom te ver por aqui. Muito obrigada por suas palavras e por sua humildade (bobagem, imagine!). E parabéns, também, pelo Caquis Caídos (http://caquiscaidos.blogspot.com/). Adorei seu post sobre “Menos é mais”.
abraços!