Prêmio Literário | o escritor, o leitor, o mercado | Parte I
admin em 10 de Março de 2010 @ 14:06 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1271
Recentemente conversamos com alguns escritores e críticos sobre a questão do Prêmio Literário. Lembramos de vários prêmios internacionais de grande repercussão e seriedade, como o The Man Booker Prize, o Goncourt, o Hugo Awards e outros.
Vimos que no Brasil há alguns bons prêmios, como o Portugal Telecom, o Prêmio São Paulo, Prêmio Machado de Assis (da ABL) e outros. E a questão que formulamos é por que no Brasil não há grandes prêmios literários, com incentivo a escritores inéditos, escritores já publicados, leitores?
O nosso propósito inicial é lançar essa questão a todos nossos leitores e aguardar suas cogitações, seus pensamentos, suas críticas. Pensar sobre isso pode não mudar o cenário, mas já será um início.
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19 comentários para “ Prêmio Literário | o escritor, o leitor, o mercado | Parte I ”
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Luiz Fernando Cardoso 10 de Março de 2010 @ 15:02 1
A explicação para a questão talvez tenha várias respostas, assim como o porquê de os livros serem caros. Acho que falta boa vontade e coragem das editoras grandes de investirem em autores novos. É mais fácil investir em nomes consagrados, pois o retorno é garantido e a repercussão é maior. A mídia especializada também não tem muito interesse em dar espaço aos iniciantes.
admin 10 de Março de 2010 @ 15:15 2
Um problema parece puxar o outro… se as editoras não publicam os estreiantes, eles não podem ter a escrita como profissão; se o livro é caro, há poucos leitores; se há poucos leitores, as editoras grandes querem garantir a venda (pois elas precisam, não?
)…
uma esperança é que aumenta o número de pequenas editoras. Mas e o de leitores?
Oswaldo Pullen 10 de Março de 2010 @ 15:57 3
São poucos os autores que escrevem ficção de uma maneira profissional no Brasil. Por profissional, digo escrever levando em consideração estrutura de cena, desenvolvimento de trama, de personagem e outras técnicas de escrita criativa. Aos autores brasileiros o ser literário é um ser que não pode se prender as estas amarras que estão, para ele, mais para uma literatura menor, de entretenimento.
Assim, nossos livros são erráticos, cheios de desvãos gratuitos e pontas que ficam soltas ao longo de seu desenrolar.
Editor não edita o que não vende. Muito melhor recorrer ao garantido.
admin 10 de Março de 2010 @ 16:07 4
Concordamos, Oswaldo.
Mas, repare, editoras pequenas podem ser mais intelectuais do que comerciais. Inegavelmente é um negócio, mas há nuances. As mega editoras às vezes nem são somente editoras, mas sim grupos de negócios. Essas não questionamos. Já sabemos que elas moeriam os livros e os transformariam em sabonetes se isso fizesse com que vendessem mais.
Vamos falar sobre editoras com editores que gostem de livros.
EDITOR 10 de Março de 2010 @ 17:08 5
Esta questão de concursos é realmente problemática. Realmente não temos tradição neste tipo de coisa, o que seria uma boa para o mercado. Mesmo assim eu tenho que concordar com o Oswaldo em relação aos autores. Como eu sou editor eu posso dizer que já vi muito texto tão ruim que nem para redação (totalmente amador) servia, de modo que realmente fica mais simples investir no autor de lá de fora, que além de normalmente mais profissional, já tem uma idéia do retorno garantida.
Já sobre a colocação do Luiz Fernando em relação ao alto preço do livro, é estranho que as pessoas achem um livro, cujo preço normalmente varia de R$ 20,00 a R$ 40,00 reais, caro, quando se divertir e ir ao cinema atualmente se precise gaste muitas vezes mais. Isso sem contar ida a baladas, barzinhos e coisas assim, que podem chegar ao dobro, senão ao triplo do preço de um bom livro.
Fernanda 10 de Março de 2010 @ 17:55 6
O tópico é interessante. Mas ao se pensar que as coisas atingem um ponto cíclico, eu apostaria na falta de envolvimento do brasileiro, que lê pouco, que é analfabeto funcional. Por exemplo, o cinema argentino levou o 2º Oscar. Já foi indicado muitas vezes a mais que o Brasil, que nunca garfou um. A reportagem que passou na TV foi clara, os argentinos consomem cinema, há uma cultura. O Brasil tem uma outra história no cinema, a da pornochanchada. É preciso que o Brasil passe a respirar mais literatura. Por isso acho importante as festas literárias, a popularização. Deixar de lado esse mito de que Paulo Coelho não faz literatura, ou pelo menos o que chamam de literatura pura, essa que é pra poucos e cujos livros se perdem nas estantes. Os jovens leram Harry Potter com afinco, volumes de 400 páginas. Espaço para a literatura no país crescer tem. E tomar conta desse espaço fará aumentar prêmios literários de qualidade e expressão internacional, se for o caso. Aumenta o consumo, aumenta o mercado, aumenta o interesse de editoras pelo novo.
Roberto de Sousa Causo 10 de Março de 2010 @ 20:45 7
Acho que é preciso primeiro distinguir prêmio literário de concurso literário. Prêmios como os entrangeiros citados, reconhecem obras publicadas em um determinado período de tempo — é o mesmo processo do nosso Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira. Concursos reconhecem obras inéditas. Tudo isso embora, é claro, haja procedimentos híbridos — em geral por razões práticas. Assim, para o Jabuti, o Pulitzer e outros, as editoras indicam os seus melhores candidatos para cada categoria, e deixam de fora aqueles que elas acreditam que terão chances menores. Não deixa de ser, até certo ponto, um concurso.
Por que o Jabuti não possui um impacto maior? Esse prêmio é concedido pela Câmara Brasileira do Livro (http://www.cbl.org.br/telas/cbl/historia.aspx), uma importante e histórica, mas que aparentemente ainda não encontrou meios poderosos de promover, difundir e glamourizar mais o seu prêmio, que foi criado em 1959.
Ana Cristina Melo 11 de Março de 2010 @ 08:23 8
Entender o percentual baixo de leitores precisa ser visto sobre diversos prismas. Da mesma forma que entender o motivo de existir um consumo tão grande de literatura estrangeira. Algumas medidas seriam bem-vindas para começar a mudar esse quadro:
1) Plantar nas escolas o amor pelos livros, em detrimento à obrigação da leitura para fazer provas. Literatura não é para ser testada e sim para ser amada.
2) Abrir mais espaço na mídia, em todas as áreas, para a literatura, principalmente a brasileira. Antigamente era comum termos espaços para publicação de contos nos periódicos. Isso morreu. Até os cadernos literários dão mais espaço a outras pautas do que a literatura. Falta assunto? Não. Temos muitos escritores despontando, e muitos com extrema qualidade. Mas insiste-se em buscar notícia lá fora.
3) As editoras poderiam promover concursos para identificar esses escritores inéditos que não possuem espaço para publicar. Imagina um concurso que permitisse a premiação dos três melhores livros de contos, romances ou poesias. Todo ano, várias editoras fazendo isso. E com todo o marketing que seja possível para levar esses nomes ao público leitor.
4) A mídia voltar com a lista de mais vendidos exclusiva da literatura nacional.
Viajo de metrô e canso de ver mulheres (principalmente) e homens com livros como “A cabana”, qualquer-coisa-de-Cabul abertos. Por que eles não leem os nossos autores? Experimente abrir a lista de mais vendidos: só tem autores estrangeiros.
Há algum tempo relancei a ideia (que existia há muitos anos) de se ter uma lista exclusiva da literatura nacional. Busco apoio das livrarias, mas não é fácil, pois recebo a mesma lista que vai para a mídia, que já está contaminada com os estrangeiros. Mas não desisto. Uma hora alguém vai mostrar os nossos escritores.
A lista é publicada no meu site Sobrecapa (www.sobrecapa.com.br), onde faço também um trabalho de divulgar os lançamentos literários (exclusivos da literatura nacional).
Abs
admin 11 de Março de 2010 @ 09:06 9
Editor da Tarja, concordamos, é verdade que nem todos que escrevem são escritores. Eu toco violão, mas não sou musicista. Essa conscientização sobre o que é profissional e o que lazer creio que demore a amadurecer nesta área que é tão nova no Brasil. Mas irá, fique tranquilo.
Como editores, além de selecionar, temos o dever ainda de estimular a profissionalização da escrita, quero dizer, o de tentar possibilitar que o escritor cresça, amadureça seu estilo, e seja um escritor realmente. A editora Penguin, por exemplo, tem módulos de contratação de escritores para trabalhar internamente, escrevendo livros. Aqui, as editoras não se preocupam em dar bases para que o escritor se apóie… e as editoras grandes poderiam fazer isso.
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 09:09 10
As propostas de debate do Ofício Editorial são bem colocadas, que acabo me vendo com o impulso de falar algumas palavras sobre preço geral do livro, a qualidade dos textos de autores iniciantes, a preferência dos editores pelo certo ao invés de investirem no novo, etc.
O preço do livro poderia, sim, ser um pouco mais acessível, já que vivemos numa sociedade em que tantos têm tão pouco. Há países em que os impostos sobre tal nicho são muito mais razoáveis do que o são no Brasil. Mas antes é preciso alfabetizar devidamente.
Fiquei pasmo dias atrás, quando uma criança da 3ª série, filha de uma vizinha, contou-me que precisava do livro “Páginas Avulsas”, de Machado de Assis, para fazer uma redação. Emprestei o livro sentindo grande tristeza.
Machado de Assis não é leitura para crianças, temo que não seja leitura nem mesmo para adolescentes, e não é obrigando a criança a ler Machado de Assis que despertarão o gosto para a leitura, muito pelo contrário, fecharão as portas de um possível leitor, que nunca mais quererá entrar em contato com a obra deste que é dos maiores autores da literatura universal. Há algo de errado com os cronogramas estudantis, portanto, não basta garantir escolas para todos, precisa-se ver também a qualidade. Há de se pensar com inteligência e não como se escolhe a cor da camisa que se vai vestir antes de ir para o trabalho. A infância é o momento exato em que o indivíduo deveria entrar em contato com a coleção Vaga Lume e por aí vai.
Creio que 80% - o número pode variar - dos textos que chegam às mesas dos editores, de autores iniciantes, realmente não apresentam grandes qualidades editoriais. Mas garanto que há também literatura de excelente qualidade esperando por um editor de coragem que seja ousado e invista no novo. Editores que não investem em novos autores se tornam meros mercadores. Pensam unicamente no faturamento. Tudo bem, por incrível que pareça, o “mercado livreiro” no Brasil ainda engatinha, os autores precisam se profissionalizar, não há número de livreiros suficiente, mas observo a questão toda de um âmbito mais amplo. A sociedade precisa de novos valores… valores que façam com que o indivíduo priorize uma boa leitura e não a balada do fim de semana. Até porque uma coisa não exclui a outra. A sociedade de consumo nos leva à atual circunstância e valores (e o provo dizendo que a queixa sobre o número diminuto de leitores assíduos não é filha exclusiva do povo brasileiro).
Quanto aos prêmios literários… o que se esperava? Com a mentalidade atual, o “mercado” atual, aqueles que poderiam investir recursos em grandes prêmios simpelsmente não veem a literatura como uma boa vitrine de negócios. Acontece com outras vertentes da arte também… não há incentivos. N’alguns países há mais incentivo, digamos, maior número de grandes prêmios, mas ainda assim, existe o clamor por mais leitores, literatura de melhor qualidade, editores ousados não somente oriundos de pequenas editoras (ou que essas tivessem maiores oportunidades, pois vivem a falir, não contam com grande capacidade de distribuição, os distribuidores lhes privam de lucros, etc.), e, por fim, clamor por mais prêmios literários de maior abrangência.
Obviamente tudo que disse acima provêm de minha experiência pessoal, de meu conhecimento travado com editores, observação pessoal… apenas quis participar do debate.
Abraços a todos…
admin 11 de Março de 2010 @ 09:13 11
Fernanda, concordamos que a lituratura deve se aproximar dos leitores. Eu, por exemplo, para meu filho, guardo os livros junto a seus brinquedos. Ele pega um livro com o mesmo prazer com que pega um Hotwheels. Mas não concordo com o movimento que você sugere, acho que os leitores devem ter educação suficiente de base para poderem ser proficientes e exigentes. Esse é um grande problema da Educação (ensino fundamental e médio) desse nosso país. Aprendemos a ler na escola, mas o hábito da leitura ainda vem de berço. O ensino no Brasil é muito deficiente. Nem tanto por culpa dos professores, mais por questões estruturais, sociais, econômicas. Então, a ideia que a “indústria cultural” te passa é que Paulo Coelho é bom porque ele vende e o povo compra. Mas o que a “indústria” não quer te dizer é que ela não tá nem aí para o povo semianalfabeto e que ela não vai mover uma palha para ajudar na formação de leitores exigentes.
admin 11 de Março de 2010 @ 09:20 12
Roberto de Sousa Causo: essas são questões importantíssimas! Agradecemos por levantar! Prêmio Literário e Concurso Literário. Muito bem lembrado. Vamos tentar falar um pouco sobre ambos.
Também sobre o Jabuti, não acreditamos que a CBL seja a melhor instituição para premiar “qualidade literária”. A CBL é hoje a representação do mercado de livros, não o da Literatura. A CBL deveria continuar fazendo o que faz, aquela festa bonita que serve como difusão da qualidade da produção editorial brasileira. É importante também. Muito. Assim, a gente pode deixar de ser — um dia quem sabe — quintal editorial dos EUA e Europa.
Acredito mais na premiação da Academia Brasileira de Letras.
admin 11 de Março de 2010 @ 09:25 13
Ana Cristina Melo: essencial. Literatura na escola é questão vital. A formação do hábito de leitura deveria ser, sim, preocupação na escola. Mas, como disse, é mexer com o ensino no Brasil é complicado. Mas não impossível. Agora temos mais bibliotecas do que na minha época de estudante, por exemplo.
Sobre Concursos para autores inéditor: essencial também! As editoras do Brasil, sem exceção e cada uma com suas limitações, poderiam fazer isso, SIM.
Sobre a lista de mais vendidos: nunca acredite. É tudo comprado. É puro marketing. Já viu que na revista da Cultura eles consideram literatura nacional o que é “estrangeiro traduzido”? Isso é uma vergonha realmente. É testar nossa capacidade de acreditar em balela.
Ana: muito obrigada por passar por aqui! Para quem não sabe, essa menina tem um ótimo blog com relação de concursos literários.
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 09:50 14
A pequena editora que publicou o meu primeiro livro no Brasil: faliu. A pequena editora que publicou o meu primeiro e segundo livro em Portugal: faliu. Não creio que o azar que me acompanha seja tão grande a ponto de ter influenciado tanto!
Tais casas sempre procuraram investir em autores iniciantes (como eu!).
Torço para que a pequena editora que publicou o segundo livro no Brasil se mantenha sobre as pernas, mas sei de suas dificuldades…
Ora, embora acredite que a interação entre literaturas deva se dar com aleitura eclética, mas não desigual, concordo com o fato de que o brasil está se tornando quintal para publicação dos EUA e Europa… mas o que se poderia fazer? - me pergunto.
Poucas editoras que investem em novos autores, ou maiormente em literatura nacional, conseguem visibilidade o suficiente para sobreviverem. Grandes livreiros cobram por maior exposição de livros. Distribuidores cobram absurda percentagem. Editoras pequenas não conseguem pagar bons distribuidores e sua divulgação se resume à pouco mais maillist! - e me desculpem o estrangeirismo… ou o pessimismo!:)
Visito blogs de Portugal, da Espanha, da América Latina em geral, tão corriqueiramente quanto visito sítios do Brasil, e a queixa é sempre a mesma. E mesmo se tratando de páginas da Inglaterra, ou EUA, há grandes queixas sobre a crise do mercado editorial (embora exista, sim, o que costumo de chamar Imperialismo da Literatura - onde muito pouco do que se vende é originário de países que não os EUA).
Não haveria alguma maneira de aproveitar a divulgação que se faz em torno de livros de autores estrangeiros, para dar tratamente, no mínimo, igualitário aos autores nacionais?
Não sei… parece-me acima de tudo uma questão de mentalidade, que abrange desde aqueles que nunca compram livros, leitores, até editores, distribuidores, livreiros… Como fazer com que os bons distribuidores não rpetendam lucrar tanto, livreiros deixem de cobrar e exponham tanto o best-seller quanto o autor iniciante de forma igualitária, leitores a se interessarem mais por literatura e, acima de tudo, a literatura originária de seu idioma, editores a publicarem o incerto, e não o lucro certo?
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 09:55 15
E me perdoem os erros de digitação, digitei com absoluta pressa, entre um serviço e outro - novo escritor no Brasil e, tomando diversos conhecidos meus mundo a fora, pelo mundo, precisam acumular inúmeras funções para conseguirem sobreviver - e torcem por meia-hora que seja, por dia, para poderem escreveralgo que preste!
admin 11 de Março de 2010 @ 10:44 16
Daniel!
Que bom te ver por aqui! É sempre um grande prazer!
Bem, pode ser pessimista, sim. É inevitável que quem trabalhe na área de Literatura sinta esse peso sobre os ombros. É uma situação opressora pois é externa à nossa ação direta, ou seja, não podemos simplesmente agir e solucionar a questão. Pode ser pessimista, como eu disse, mas não se deixe abater e não desista. Podemos fazer o que já estamos fazendo: discutir a questão, elevar a voz e, quem sabe, um belo dia, incomodar.
Permita-me somente comentar um ponto: “Não haveria alguma maneira de aproveitar a divulgação que se faz em torno de livros de autores estrangeiros, para dar tratamente, no mínimo, igualitário aos autores nacionais?” —> sobre isso. Isso é também um dos pontos que seduzem o editor-comerciante nacional a publicar traduções: o pacote vem completo, ou seja, a editora estrangeira já faz todo o trabalho pesado de marketing, daí a obra-traduzida aqui ganha esse diferencial “de graça”.
Das lições internacionais, creio que podemos fazer por aqui:
1) Book Trailler
2) usar as redes sociais com inteligência
3) fazer promoções e sorteios de livros
4) enviar livro para resenhadores da net
5) apostar nos concursos para encontrar novos autores
6) apostar nos prêmios para prestigiar os escritores já publicados
7) doar parte de seu tempo para projetos de formação de leitores. (vá a uma biblioteca. Converse em uma escola. Proponha uma atividade lúdica e inteligente com seu livro.)
8) Viram o escritor @eduardospohr ? Ele foi um exemplo de marketing pessoal que deu certo. (ainda não li o livro dele, mas acabei de comprar)
o que mais?
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 11:25 17
Dias desses fui ao lançamento do livro de uma amiga. Ela levou 5 anos escrevendo “Vera Holtz & Família”. Não vou discutir os méritos do livros, porém, o auditório onde ele era realizado estava lotado. A atriz global estava presente junto à autora - que é também editora. Todo mundo saiu de lá tendo recebido o autógrafo da atriz. Apenas 4 pessoas saíram com o livro em mãos - dentre eles esse autor modesto que lhes fala. E sabe o local onde se realizou o lançamento cá na capital mineira? No auditório da Faculdade de Letras da UFMG, onde 50%, pelo menos, dos presentes, eram estudantes de letras e só estavam interessados em fazer perguntas sobre esse ou aquele personagem interpretado pela atriz nas novelas globais.
Não generalizo, mas conheço inúmeros “letrados” que têm as estantes cheias de livros (de best-sellers a livros que a faculdade os fez comprar para qualquer trabalho), e não leram sequer 10% deles. Agora aposto que saberiam dizer perfeitamente bem se alguém lhes perguntasse sobre a última edição da Caras ou Marie Claire.
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 11:31 18
O mais incrível é que já fui a inúmeros lançamentos, livros diversos, de conhecidos ou não, e conversei com editores, autores, etc., e repeti a pergunta: “Qual foi o último livro que você leu?”.
Você não acreditaria se eu lhe falasse que ao menos a metade deles sequer se lembrava do último livro que haviam lido.
Como incentivar a leitura se a metade dos próprios editores, incluindo a amiga do lançamento que aqui comentei, não compram livros?
Daniel Ricardo Barbosa 11 de Março de 2010 @ 12:01 19
Mas - tão certo quanto esse é meu último comentário neste post (pelo menos por hora - tenho que trabalhar e dar espaço aos demais e caros leitores deste blog) -, é que não se pode desistir. O tema renderia longos textos sob os mais diversos pontos de vista, e todos não deixam de ter lá sua razão. Acima de tudo, porém, a luta vale a pena, e, como disse certa vez, o ímpeto à criação é imperioso!
abraços a todos…