Prêmio Literário | o escritor, o leitor, o mercado | Parte II
admin em 12 de Março de 2010 @ 15:05 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 919

Prêmio Literário e Concurso Literário
Por que o Brasil não tem um grande prêmio literário para obras já publicadas? Por que há poucos concursos literários para o escritor inédito?
Já conhecemos nossos obstáculos: poucos leitores, alto preço do livro, editoras prestigiando traduções de bestsellers, pouquíssimo espaço para o novo escritor, escritor obrigado a ser multitarefa. Esse é o primeiro passo, identificar os problemas.
E as soluções? Perguntamos a vários escritores, críticos, leitores e colocamos aqui excertos:
- Sérgio Rodrigues | “Essa questão dos prêmios é complexa. Para mim tem a ver com diversos fatores: uma certa babelização de nossa crítica, seu descompasso consigo mesma e com os leitores (não existe consenso sobre quase nada, nem mesmo uma linguagem comum pela qual avaliar produtos literários), além de uma certa tendência bem brasileira ao compadrio etc. Idéia incipiente: um prêmio em que todos os jurados fossem escritores atuantes e reconhecido.”
- Roberto de Sousa Causo | em artigo de 15 nov 1998 | “Um prêmio como este [O NOVA, para FC] tem o potencial de chamar a atenção de autores, artistas e editoras, de movimentar a opinião de fãs e leitores, de gerar apreciações críticas e de promover a discussão dos rumos desses gêneros no Brasil. Fica, porém a lição do Nova, de que a política literária no fandom é feroz e freqüentemente desproporcional” | Somente um parêntesis, nos EUA há o Hugo Awards, prêmio específico para obras de ficção científica e fantasia. Afirma-se que escritores desse gênero dificilmente seriam contemplados em Prêmios abertos ao romance em geral. Assim, o que parece mais sensato é realmente que se tenha uma premiação específica para FC e Fantasia. Um grande candidato à indicação (e composição) do júri seria o Clube de Leitores de Ficção Científica.
- Rodrigo Gurgel | “Quanto ao formato do prêmio, creio que o ideal seria escolher um gênero — o romance, por exemplo –, não importando se os originais inscritos são romances históricos, de ficção científica, sagas juvenis, ou dedicados a qualquer outro tema. Penso assim apenas por um motivo: segmentar dificulta a organização e o trabalho em geral. No que se refere aos ‘fomentadores’, eu escolheria uma entidade suprapartidária e que, na medida do possível, estivesse longe da influência de igrejinhas e modismos. “
Rodrigo Gurgel lembra ainda que o nosso é um país jovem na tradição literária e livresca, e que, por isso, é natural que estejamos caminhando para instituir com mais solidez a literatura como profissão. - Nelson de Oliveira | sobre concursos literários: “Os três métodos eleitorais mais usados hoje em dia são: 1) o candidato com mais votos vence; 2) realiza-se um segundo turno entre os dois candidatos mais votados; 3) cada eleitor lista três candidatos, sendo que o primeiro da lista recebe três pontos, o segundo dois e o terceiro um. Esses três métodos são bastante consistentes, mas cada um reflete apenas uma verdade. Dependendo do método escolhido, o resultado da votação poderá mudar totalmente.” … “Enquanto não inventarem um concurso para leitores, vou esperar que aumentem o número de bons concursos para autores iniciantes. Bons concursos!” … “O mundo é cruel com os autores iniciantes. Eu havia trabalhado cinco anos em minha primeira coletânea de contos. Havia escrito, reescrito, datilografado e corrigido quarenta e cinco contos que juntos somavam quinhentas páginas. E esse primeiro conjunto de contos, mesmo dividido em livros menores, estava sendo recusado mês após mês, editora após editora. Em 1995 eu já estava prestes a desistir da literatura quando veio o resultado do Prêmio Casa de las Américas. Se não fosse por esse prêmio, teria parado de escrever, tenho certeza.”
- Raimundo Carrero | “As editoras estão mais atentas, estão procurando os escritores consagrados ou jovens. Para quem, como eu, está há trinta e cinco anos no mercado, este é um passo importante. E acredito muito em melhoras. Quando comecei, ninguém podia viver de literatura. Hoje já é possível. Humildemente, mas pode. Muito humildemente. E as editoras estarão profissionalizando os escritores na hora em que eles venderem mais. Estão, assim, surgindo revistas, vídeos, youtube, orkut. Se os jornais negam espaços aos escritores, a mídia não conservadora sai na frente. Quanto a isso eu sou muito otimista.
Os leitores estão se aproximando mais dos escritores. Há boas perspectivas. As novas mídias ajudam muito. Aqui em Pernambuco, onde são poucos os prêmios literários, faço uma Oficina de Criação Literária na Rádio CBN, às tardes de segundas, quartas e sextas-feiras, tem grande audiência. Não sei se vendo mais, ainda não verifiquei. Mas, com certeza, os leitores estão mais próximos.”
Desses depoimentos notamos que estamos todos vivendo as mesmas dificuldades nesse caminho literário, mas também fica a sensação de muito otimismo e a certeza de que essas questões estão, sim, sendo pensadas por todos da área literária. Então, continuemos debatendo, prestigiando os escritores em nossos blogs, divulgando eventos, participando de eventos e exigindo, de quem nos é próximo exigir, a criação de Prêmios e Concursos literários.
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2 comentários para “ Prêmio Literário | o escritor, o leitor, o mercado | Parte II ”
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admin 22 de Março de 2010 @ 09:09 1
Rodrigo Gurgel (@rodrigogurgel), indica-nos a leitura de http://tinyurl.com/yfcmu9z “Premios, ¿un mal necesario?”, sobre a situação do prêmio literário na Espanha. O autor do Blog afirma que há, ao menos, 10 concursos por dia.
“Son como una especie de mal necesario. Ya sabemos que su transparencia suele estar en duda, un elemento muy literario por otra parte, y algunos son denostados o no gozan de buen prestigio. Pero también que son un incentivo para los autores.”
Agradecemos, Rodrigo Gurgel!
Vinícius Antunes 31 de Março de 2010 @ 18:00 2
Gostei muito do post. Interessante mesmo. Conheci seu blog através do blog Papeles Perdidos. Voltarei.