Arquivo de Maio de 2010

Receita para ser um escritor

admin em 30 de Maio de 2010 @ 22:03

Este texto é um e-mail de resposta que escrevemos a uma pessoa que nos procurou. Acreditamos ser útil não só a ela, mas a todos aqueles que têm o interesse de dar os primeiros passos no mundo da literatura, pois isso postamos no blogue. Boa leitura!

Provavelmente você já deve ter ouvido que não existe uma receita para se tornar um escritor. Isso pode ser parcialmente verdade. Todavia, há uma série de “ingredientes” que um escritor necessariamente tem de ter. Não que isso determinantemente o faça ser um escritor reconhecido, mas sem esses “ingredientes”, com toda certeza, ele não será um escritor. Então, prefiro apontar a você os ingredientes, se o prato ficará apetitoso ou vistoso já depende do modo como se cozinha.
A questão principal é você definir: por que eu quero ser escritor? Isso pode parecer inútil à primeira vista, mas é determinante. Pois se você ama a arte de escrever vai se pautar por alguns valores que são completamente diferentes daqueles que querem ficar ricos vendendo livros. Se seu caso for o último, digo que isso é para poucos e que geralmente não estão preocupados com nada além do seu próprio bolso (desculpe-me a franqueza). Caso você ame realmente a escrita e escrever, parta do pressuposto de que nem sempre você irá conseguir sobreviver somente disso.
Bom, partindo desses pontos básicos, vamos para “ingredientes” que todos os bons escritores devem ter.
Em primeiro lugar, seu gosto pela leitura deve ser tão grande, ou maior, que o gosto pela escrita. Quem quer ser escritor necessariamente tem de gostar de ler. Leia sempre. Os clássicos, os contemporâneos… gêneros diferentes. Invista grande parte de seu tempo de escritor em leitura.
Em segundo lugar, procure livros teóricos sobre a arte da escrita. Indico a você um ótimo: Segredos da ficção: uma guia da arte de escrever (Raimundo Carrero). É um excelente ponto de partida para entender melhor o processo da escrita e da construção do texto ficcional. Dentro desse mesmo item, caso você tenha possibilidade, indico a você alguma oficina literária. A dificuldade dessas oficinas é que elas têm um preço elevado e sempre solicitam que o aluno tenha um projeto literário definido. No blogue da Ofício nós enumeramos algumas, mas a indicação do blogue não atesta a qualidade das oficinas, ou seja, estão lá apenas porque são as que catalogamos.
Terceiro ponto, escreva, escreva, escreva, escreva, escreva e escreva… não pense que seu primeiro conto já é bom. Nem o segundo, nem o terceiro, nem o quarto… Escrever é uma técnica, então é necessário aperfeiçoar sempre. Um pintor pode ser um gênio das artes, mas precisa de técnica. Além da técnica, há também vocação. O escritor nasce como um bom leitor. Lendo muito ele descobre vários escritores, vários textos, vários estilos e técnicas. O estilo indicado para você não será aquele que apresenta mais sucesso de aceitação do público, mas sim aquele que lhe for sincero. O escritor tem de achar sua voz interior, seu estilo. Sua voz tem de ser sincera para ser artística.
Quarto, é hora de sair da redoma de vidro e aparecer. É muito importante ter contato com outros escritores. Leia o livro de outros e escreva a eles para dizer o que achou, apontando qualidades e problemas. Apesar de o ato de escrever ser solitário, a escrita é comunicação. Não vá mandando seu texto a milhares de contatos de escritores esperando uma apreciação do seu texto. Todos que trabalham nessa área vivem numa rotina não muito tranquila, dessa forma só envie o seu texto a algum escritor se realmente tiver já estabelecido algum contato com ele e ter certeza de que não está forçando nada.
Quinto passo, seus amigos e familiares já estão dizendo que seu texto é bom e que você tem talento para a coisa. Agora, chegou a hora de um profissional analisar seu texto. Isso é essencial. NUNCA ache que você já está tão bom assim, que é o próprio Machado de Assis do nosso tempo. Pois as editoras recebem pilhas de textos de pessoas que se acham os novos Machados, Gracilianos etc… Envie seu texto para uma leitura crítica. Nós oferecemos esse trabalho e há muitas outras pessoas que também fazem isso profissionalmente, mas saiba, para ser leitor crítico é preciso ter uma boa experiência na área literária e no ramo editorial.
Sexto passo, depois da leitura crítica, é necessário ter muita humildade, pois um profissional sempre apontará problemas a serem trabalhados. Não ignore esses apontamentos, são extremamente importantes. Pode até não concordar com eles, mas nunca deixe de procurar entendê-los. O passo seguinte é procurar um agente literário que se interesse pelo seu texto (eles geralmente têm dificuldade em dar muita atenção a autores novos). Outra possibilidade é fazer uma edição do autor, ou seja, você edita seu primeiro livro e imprime uma tiragem para divulgar seu trabalho. É extremamente importante que a qualidade gráfica, além da literária, seja ótima, para não se tornar uma propaganda negativa para seu texto.
Sétimo, dar as caras como escritor. Se envolver em eventos literários, ir a palestra de autores, participar de blogues literários, feiras literárias. E sempre estar com exemplares de seu livro para entregar a pessoas-chave (autores, editores etc.). Se já tem um blogue, desenvolva mais o seu trabalho nele. Crie um twitter, um facebook, orkut…
Não vão faltar profissionais que te alertem sobre quanto se é difícil ser escritor. Vão até mesmo sugerir que você tente outra profissão, talvez algo distante das ingratas ciências humanas. Mas, saiba, ser escritor quase não é uma escolha, é uma obsessão. Então, se for fazer, se comprometa com essa escolha.

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1º. Congresso Internacional do Livro Digital

admin em 5 de Maio de 2010 @ 08:31

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De 29 a 31 de março de 2010 aconteceu em São Paulo o primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, organizado pela CBL e com apoio da Imprensa Oficial.

Nesse congresso, vieram especialistas internacionais e nacionais e o foco foi a área do comércio. Foram mostradas várias estatísticas e previsões, uma delas: a de que as vendas do livro digital e o do livro em papel, em 2015, iriam se equiparar.

Uma realidade é a de que o livro digital já é lido atualmente. O número de leitores ainda é pequeno, mas tende a crescer. Os aparelhos de leitura são muitos, e não são limitados aos e-readers (como Kindle e iPad), podem ser o aparelho celular (mania do Japão), micro, TV digital.

Quais, então, são as vantagens e desvantagens desse novo livro? Basicamente são comerciais. Vantagens: não usa papel, então “não agride” o meio ambiente (não vamos esquecer que os aparelhos leitores são gadgets e também serão lixo um dia); o livro será mais barato. Desvantagens: o leitor do livro digital acredita que o livro deva ser muito barato ou enviado a ele de graça; pesquisas revelam que os leitores do livro digital acreditam que o conteúdo que está na internet pode ser aproveitado de graça, então eles nem ao menos consideram que enviar o livro digital ao amigo por e-mail seja pirataria.

Muito se falou sobre editoras e livrarias e distribuidoras e software e hardware… Mas, e para o escritor? Quais são as vantagens?

Acreditamos que haja, sim, vantagens ao escritor iniciante. A rede propicia que o escritor faça sua divulgação de forma eficiente e que ele consiga ainda, por ele mesmo, vender seu livro.


DIVULGAÇÃO

O escritor é seu maior divulgador. Mesmo se seu livro for editado por uma grande casa editorial, ele não será alvo da publicidade da empresa. Quem divulga o livro – SEMPRE – é o escritor.

Bem, as redes sociais virtuais são o novo ponto de encontro. Em ordem de acesso, elas são: o Orkut, Facebook , Youtube, Blog (Brasil é o quarto país em acesso a blog) e twitter (São Paulo é o terceiro maior acesso a twitter no mundo). Sem esquecer das redes de encontro de leitores, como O livreiro, Skoop, Good reads e o Clube de Leitores de Ficção Científica, para citar só alguns.

O leitor do livro digital quer ver mais do que o texto, ele quer ver uma entrevista com o escritor em vídeo do youtube, ele quer ver o trailer do livro (booktrailer), ele quer acesso a histórias que circundam o universo da história publicada em forma de livro, ele quer mais detalhes e curiosidades.

O escritor, por exemplo, pode propiciar tudo isso ao administrar sua própria rede de contatos e colocar em seu blog especialmente criado para o livro todas as informações que ele achar que seus leitores gostariam de ver.


LIVRO DIGITAL

Hoje a segurança de se publicar um livro digital é zero. Desculpem-nos a sinceridade. Mas é zero mesmo. Salvar o livro em PDF e enviar chave de acesso é inocente. Salvar o livro em EPub é quase eficiente, apenas se o leitor não souber que há na internet, de graça, programas que transformar o EPub em Word, PDF, TXT etc.

Mas, e aí? Da mesma forma que a pirataria se faz ao se enviar um arquivo por e-mail, ela também é feita ao se xerocar todo um livro. A pirataria é uma realidade e o escritor e/ou a editora tem de considerar essa “falha” no comércio do livro.

Uma facilidade que a tecnologia propicia é para o próprio escritor, que pode tentar vender por ele mesmo seu livro. O escritor pode salvar o livro dele em um dos formatos citados e negociar a venda do arquivo diretamente com livrarias virtuais, como a Gato Sabido, Cultura, Saraiva, para citar algumas nacionais; e com as internacionais Apple Store, Barnes&Noble, Amazon. Se for o escritor quem negociar isso, ele terá mais lucro certamente. Ele não pagará gráfica, nem papel, nem o frete (esquece que é o escritor quem pagava o frete na edição caseira de impressão de um livro?). Ao vender o próprio livro, o escritor ganha mais do que 10% (que é o que geralmente as editoras pagam). A única desvantagem é que ele não conta com o “selo de qualidade” que a publicação em uma editora tradicional geralmente traz.


E OS APARELHOS?

Como dissemos, o livro digital pode ser lido em diferentes aparelhos: celular, TV digital e leitor de ebook. Os aparelhos de mais destaque são o Kindle, o iPad e o iPhone. Aconselhamos que busquem informação no blog de Ednei Procópio (http://ebookpress.wordpress.com/), ele coloca informações sobre o hardware, o software e sobre conteúdo (que aliás é como o pessoal está chamado o texto que o escritor escreve).

As pesquisas mostraram que para a leitura é mais usado: PC ou laptop (47%), iPhone (11%), iTouch (10%), Blackberry (9%).

Para mais informações, há também o http://www.idpf.org/ (International Digital Publishing Forum).


ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Então, o que podemos concluir de tudo isso?

Sim, é um pouco assustador. Estamos em uma fase de transição, talvez como foi a do códice ao livro papel (como brinca o vídeo do “Helpdesk medieval” http://www.youtube.com/watch?v=4ZwJZNAU-hE). Agora nada é seguro, nenhum hardware é compatível, é uma tristeza para quem vende o livro (com a pirataria a um clique), e para quem compra o aparelho leitor (que pode se tornar obsoleto da noite para o dia).

Quem ganha com isso? Bem, apesar do perigo e da precariedade, é um negócio. Ganha quem vende e recebe o pagamento. Pode ser um, podem ser cem, podem ser mil.

O que aconselhamos? Continuem a publicar. Se a decisão for por uma editora comercial, insista na publicação tanto em papel quanto digital. Caso o escritor resolva apostar na autopublicação, atenção: não tenha pressa e trabalhe bem o texto (não deixe de enviá-lo a uma leitura crítica ou para a leitura-beta de amigos). Admitimos que nunca foi tão fácil ao próprio escritor se publicar. Ele tem as redes sociais como divulgação, ele tem o conhecimento para fechar seu livro em PDF ou EPub. Então, é simples, ele faz seu primeiro livro, o avalia com profissionais de leitura crítica, e o vende em seu blog, e o divulga em sua rede social.

Conhecemos um caso bem-sucedido: Eduardo Sophr, que vendeu sozinho seu livro A Batalha do Apocalipse, usando como estratégia a impressão tradicional, envio pelo correio, venda em blog, divulgação na internet. Agora ele abriu a editora dele.

A internet também permite que o livro seja transmídia, ou seja, seja lançado ao mesmo tempo em que se cria toda uma estrutura de vídeos, entrevistas, livro digital, livro em papel, blog do livro etc., como é o exemplo do livro Último Trem, de Marco Simas, publicado em uma editora tradicional.

Se você ainda tem dúvidas (e com razão), pode também vender seu livro On Demand, ou seja, só imprime o livro caso alguém o comprar. Não precisa mais ter mil livros armazenados na sua garagem. Basta acessar gráficas grandes como a Bandeirantes e a Prol para verificar que os preços são em conta e que a gráfica ainda dá uma força ao pagar seu frete.

Sabendo quanto custa cada serviço, o escritor tem mais elementos para negociar a publicação de seu livro em editoras sob demanda (aquelas que pedem para o autor pagar uma parte da produção ou levar uma parte de seu próprio livro em consignação).

Então: para o escritor, o melhor negócio é a autopublicação ou a publicação por editora? Depende. Depende de quanto tempo ele tem para investir em correr atrás de sua divulgação, de livrarias, de pedir acertos mensais nas livrarias, de controlar seu estoque. Caso perceber que não tem tanto tempo assim, escolha uma editora em que confie.


O CONTEÚDO

O escritor ainda é quem escreve. Parece óbvio. Mas é bom frisar. O escritor é ainda a parte mais importante de todo o processo. E, admiravelmente, é a menos comentada. Vocês, escritores, não subestimem sua importância, nunca superestimem editora alguma. Vocês são a parte criativa. Vocês são quem produz o chamado “conteúdo”. Devem buscar aperfeiçoar sempre seu texto, não ter pressa, conhecer o mercado, conhecer seus futuros leitores — nem que decida que quer a arte pela arte, que não escreve para público-alvo, tenha essa decisão bem pensada e pesada.

Como o livro digital está aí, você deve também buscar uma editora que o ofereça (ou você mesmo o oferecer), mas com qualidade: tanto na produção quanto na divulgação. A editora, por menor que seja, tem de ter uma estrutura mínima para a divulgação de seu livro. E você, tenha sempre em mente, irá, sim, investir um pouco de seu tempo nas redes sociais. E, por que não, também buscar leitores em sua cidade, nas bibliotecas, nas escolas, em saraus. E, vale a pena lembrar, investir em leitores é sempre um bom negócio para o bolso e para o espírito.

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sorteio de livro pelo boletim

admin em 2 de Maio de 2010 @ 22:56

Anunciamos que já sorteamos os dois livros da escritora Cida Sepulveda entre os assinantes de nosso boletim. Agradecemos a gentileza da escritora, que fez questão de autografar os exemplares.

Coração Marginal vai ser enviado a Marcos, de Santos, @abussafi. Parabéns, Marcos!

Fronteiras foi sorteado e quem ganhou foi Elizabeth M., que ainda não entrou em contato com a gente. Aguardamos por um mês, Elizabeth, ok?

Saudações literárias!

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