1º. Congresso Internacional do Livro Digital

admin em 5 de Maio de 2010 @ 08:31  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 1463

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De 29 a 31 de março de 2010 aconteceu em São Paulo o primeiro Congresso Internacional do Livro Digital, organizado pela CBL e com apoio da Imprensa Oficial.

Nesse congresso, vieram especialistas internacionais e nacionais e o foco foi a área do comércio. Foram mostradas várias estatísticas e previsões, uma delas: a de que as vendas do livro digital e o do livro em papel, em 2015, iriam se equiparar.

Uma realidade é a de que o livro digital já é lido atualmente. O número de leitores ainda é pequeno, mas tende a crescer. Os aparelhos de leitura são muitos, e não são limitados aos e-readers (como Kindle e iPad), podem ser o aparelho celular (mania do Japão), micro, TV digital.

Quais, então, são as vantagens e desvantagens desse novo livro? Basicamente são comerciais. Vantagens: não usa papel, então “não agride” o meio ambiente (não vamos esquecer que os aparelhos leitores são gadgets e também serão lixo um dia); o livro será mais barato. Desvantagens: o leitor do livro digital acredita que o livro deva ser muito barato ou enviado a ele de graça; pesquisas revelam que os leitores do livro digital acreditam que o conteúdo que está na internet pode ser aproveitado de graça, então eles nem ao menos consideram que enviar o livro digital ao amigo por e-mail seja pirataria.

Muito se falou sobre editoras e livrarias e distribuidoras e software e hardware… Mas, e para o escritor? Quais são as vantagens?

Acreditamos que haja, sim, vantagens ao escritor iniciante. A rede propicia que o escritor faça sua divulgação de forma eficiente e que ele consiga ainda, por ele mesmo, vender seu livro.


DIVULGAÇÃO

O escritor é seu maior divulgador. Mesmo se seu livro for editado por uma grande casa editorial, ele não será alvo da publicidade da empresa. Quem divulga o livro – SEMPRE – é o escritor.

Bem, as redes sociais virtuais são o novo ponto de encontro. Em ordem de acesso, elas são: o Orkut, Facebook , Youtube, Blog (Brasil é o quarto país em acesso a blog) e twitter (São Paulo é o terceiro maior acesso a twitter no mundo). Sem esquecer das redes de encontro de leitores, como O livreiro, Skoop, Good reads e o Clube de Leitores de Ficção Científica, para citar só alguns.

O leitor do livro digital quer ver mais do que o texto, ele quer ver uma entrevista com o escritor em vídeo do youtube, ele quer ver o trailer do livro (booktrailer), ele quer acesso a histórias que circundam o universo da história publicada em forma de livro, ele quer mais detalhes e curiosidades.

O escritor, por exemplo, pode propiciar tudo isso ao administrar sua própria rede de contatos e colocar em seu blog especialmente criado para o livro todas as informações que ele achar que seus leitores gostariam de ver.


LIVRO DIGITAL

Hoje a segurança de se publicar um livro digital é zero. Desculpem-nos a sinceridade. Mas é zero mesmo. Salvar o livro em PDF e enviar chave de acesso é inocente. Salvar o livro em EPub é quase eficiente, apenas se o leitor não souber que há na internet, de graça, programas que transformar o EPub em Word, PDF, TXT etc.

Mas, e aí? Da mesma forma que a pirataria se faz ao se enviar um arquivo por e-mail, ela também é feita ao se xerocar todo um livro. A pirataria é uma realidade e o escritor e/ou a editora tem de considerar essa “falha” no comércio do livro.

Uma facilidade que a tecnologia propicia é para o próprio escritor, que pode tentar vender por ele mesmo seu livro. O escritor pode salvar o livro dele em um dos formatos citados e negociar a venda do arquivo diretamente com livrarias virtuais, como a Gato Sabido, Cultura, Saraiva, para citar algumas nacionais; e com as internacionais Apple Store, Barnes&Noble, Amazon. Se for o escritor quem negociar isso, ele terá mais lucro certamente. Ele não pagará gráfica, nem papel, nem o frete (esquece que é o escritor quem pagava o frete na edição caseira de impressão de um livro?). Ao vender o próprio livro, o escritor ganha mais do que 10% (que é o que geralmente as editoras pagam). A única desvantagem é que ele não conta com o “selo de qualidade” que a publicação em uma editora tradicional geralmente traz.


E OS APARELHOS?

Como dissemos, o livro digital pode ser lido em diferentes aparelhos: celular, TV digital e leitor de ebook. Os aparelhos de mais destaque são o Kindle, o iPad e o iPhone. Aconselhamos que busquem informação no blog de Ednei Procópio (http://ebookpress.wordpress.com/), ele coloca informações sobre o hardware, o software e sobre conteúdo (que aliás é como o pessoal está chamado o texto que o escritor escreve).

As pesquisas mostraram que para a leitura é mais usado: PC ou laptop (47%), iPhone (11%), iTouch (10%), Blackberry (9%).

Para mais informações, há também o http://www.idpf.org/ (International Digital Publishing Forum).


ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Então, o que podemos concluir de tudo isso?

Sim, é um pouco assustador. Estamos em uma fase de transição, talvez como foi a do códice ao livro papel (como brinca o vídeo do “Helpdesk medieval” http://www.youtube.com/watch?v=4ZwJZNAU-hE). Agora nada é seguro, nenhum hardware é compatível, é uma tristeza para quem vende o livro (com a pirataria a um clique), e para quem compra o aparelho leitor (que pode se tornar obsoleto da noite para o dia).

Quem ganha com isso? Bem, apesar do perigo e da precariedade, é um negócio. Ganha quem vende e recebe o pagamento. Pode ser um, podem ser cem, podem ser mil.

O que aconselhamos? Continuem a publicar. Se a decisão for por uma editora comercial, insista na publicação tanto em papel quanto digital. Caso o escritor resolva apostar na autopublicação, atenção: não tenha pressa e trabalhe bem o texto (não deixe de enviá-lo a uma leitura crítica ou para a leitura-beta de amigos). Admitimos que nunca foi tão fácil ao próprio escritor se publicar. Ele tem as redes sociais como divulgação, ele tem o conhecimento para fechar seu livro em PDF ou EPub. Então, é simples, ele faz seu primeiro livro, o avalia com profissionais de leitura crítica, e o vende em seu blog, e o divulga em sua rede social.

Conhecemos um caso bem-sucedido: Eduardo Sophr, que vendeu sozinho seu livro A Batalha do Apocalipse, usando como estratégia a impressão tradicional, envio pelo correio, venda em blog, divulgação na internet. Agora ele abriu a editora dele.

A internet também permite que o livro seja transmídia, ou seja, seja lançado ao mesmo tempo em que se cria toda uma estrutura de vídeos, entrevistas, livro digital, livro em papel, blog do livro etc., como é o exemplo do livro Último Trem, de Marco Simas, publicado em uma editora tradicional.

Se você ainda tem dúvidas (e com razão), pode também vender seu livro On Demand, ou seja, só imprime o livro caso alguém o comprar. Não precisa mais ter mil livros armazenados na sua garagem. Basta acessar gráficas grandes como a Bandeirantes e a Prol para verificar que os preços são em conta e que a gráfica ainda dá uma força ao pagar seu frete.

Sabendo quanto custa cada serviço, o escritor tem mais elementos para negociar a publicação de seu livro em editoras sob demanda (aquelas que pedem para o autor pagar uma parte da produção ou levar uma parte de seu próprio livro em consignação).

Então: para o escritor, o melhor negócio é a autopublicação ou a publicação por editora? Depende. Depende de quanto tempo ele tem para investir em correr atrás de sua divulgação, de livrarias, de pedir acertos mensais nas livrarias, de controlar seu estoque. Caso perceber que não tem tanto tempo assim, escolha uma editora em que confie.


O CONTEÚDO

O escritor ainda é quem escreve. Parece óbvio. Mas é bom frisar. O escritor é ainda a parte mais importante de todo o processo. E, admiravelmente, é a menos comentada. Vocês, escritores, não subestimem sua importância, nunca superestimem editora alguma. Vocês são a parte criativa. Vocês são quem produz o chamado “conteúdo”. Devem buscar aperfeiçoar sempre seu texto, não ter pressa, conhecer o mercado, conhecer seus futuros leitores — nem que decida que quer a arte pela arte, que não escreve para público-alvo, tenha essa decisão bem pensada e pesada.

Como o livro digital está aí, você deve também buscar uma editora que o ofereça (ou você mesmo o oferecer), mas com qualidade: tanto na produção quanto na divulgação. A editora, por menor que seja, tem de ter uma estrutura mínima para a divulgação de seu livro. E você, tenha sempre em mente, irá, sim, investir um pouco de seu tempo nas redes sociais. E, por que não, também buscar leitores em sua cidade, nas bibliotecas, nas escolas, em saraus. E, vale a pena lembrar, investir em leitores é sempre um bom negócio para o bolso e para o espírito.

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7 comentários para “ 1º. Congresso Internacional do Livro Digital ”

  1. Edgar Borges 5 de Maio de 2010 @ 13:05 1

    Muito bacana o texto. Educativo e esclarecedor.

  2. admin 5 de Maio de 2010 @ 22:25 2

    Agradecemos, Edgar. Se tiver alguma dúvida ou questão, coloque aqui. Vamos conversar.
    Saudações.

  3. Alexandre Weiss 12 de Maio de 2010 @ 17:48 3

    Excelente texto, pessoal da redação. Instrutivo, propício e esclarecedor. Uma grande transformação está em andamento, e é muito emocionante fazermos parte dela, é a história de amanhã. Pessoal do Ofício, parabéns pela qualidade de sempre. Mantenham-nos informados sobre as novidades. Vamos meter a mão na massa e caprichar no conteúdo, em todas as mídias, por todos os canais. Afinal, é isso que conta.

    Saudações

  4. Augusto Stiel Neto 17 de Maio de 2010 @ 17:07 4

    Caros,
    Primeiro parabéns pelo texto.
    Do lado das editoras, e como amante de livros, fica sempre em minha cabeça a questão de que quando se fala em livros, deve se usar o plural. Mais que isso, o livro foi a forma da sociedade ocidental propiciar a individualização do conhecimento, o que provocou toda uma revolução quase silenciosa rumo ao que o sociólogo Max Weber chamou de “desencantamento do mundo”. Livro, portanto, e no singular, é toda uma relação com o conhecimento — e que demanda uma relação com o tempo que não é a relação da internet. Livro demora: para ser escrito, produzido e lido. Dessas questões resta saber seu papel nesse admirável mundo novo. De imediato fica a evidência da possibilidade de uso das redes sociais como divulgadoras, dando ao escritor mais controle sobre sua obra. Mas aí muda-se o desejo do escritor? Desejo de reconhecimento que exige um espaço simbólico para tanto, que não é, certamente, o vazio hiper-democrático da internet? Creio que as mudanças serão muito mais estruturais do que podemos imaginar. Não sei como continuar essa discussão. Se tiver alguém aí que saiba, me avise.
    Saudações a todos e mais uma vez parabéns pela iniciativa

  5. Osmar Bispo 19 de Maio de 2010 @ 19:58 5

    Este congresso sobre o livro digital é importante, cria-se interesse pelo publico que leitores que alguma forma tem habito de ler seja ele no papel o digital.

  6. admin 19 de Maio de 2010 @ 22:26 6

    Oi, Augusto,
    creio que há mesmo um tênue limite entre divulgar sua obra e querer ser reconhecido. Acho até que a internet pode atrapalhar o escritor se ela o tira de sua concentração ou o distrai mais do que o necessário. Mas, qual a opção que o escritor iniciante tem? Vamos conversando.
    Saudações e agradecemos por passar por aqui!

  7. admin 19 de Maio de 2010 @ 22:31 7

    Oi, Osmar,
    o interesse do mercado editorial nos livros digitais é essencialmente de natureza comercial. Mas a importância do livro digital vai muito além da sua possibilidade de venda: o livro digital irá mudar o hábito de leitura? quem lê o livro digital? e em que medida o escritor iniciante pode aproveitar a facilidade da publicação digital para vender ele mesmo seu livro?
    Saudações e agradecemos sua participação

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