Entenda por que é mais difícil fazer ficção científica nos dias de hoje
admin em 16 de Novembro de 2009 @ 12:00
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admin em 16 de Novembro de 2009 @ 12:00
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admin em 31 de Outubro de 2009 @ 20:04

Nesse momento, o que está em jogo é uma mudança de paradigma. A arte – fruto da originalidade, da criação autoral, do valor estético – passa a funcionar de acordo com a lógica da indústria – produção em série, repetição, ausência de autoria –, o que tem consequências profundas para a sua forma. Há muitas divergências em relação a esse tema. Muitos teóricos defendem, em partes, a entrada da arte na lógica da indústria, pois percebem essa mudança como democratização da arte das elites em vistas de um acesso para um público mais amplo. No entanto, não é este o ponto desta discussão.
A questão principal é que valores permeiam a crítica desse tipo de arte, ou qual é o lugar da crítica dentro da lógica da reprodutibilidade.
Não é estranho a nenhum de nós, amantes da literatura, adquirir os jornais e ir, logo, em busca do suplemento literário, no intuito de verificarmos as novidades do mundo das letras. Mas o que encontramos na maioria desses suplementos, diferentemente de “crítica”, é o “colunismo literário”.
Colunismo literário é um termo cunhado já por Antonio Candido (apud Pellegrini, p. 165), que faz referência aos textos, geralmente escritos por jornalistas. Textos estes que, ao invés de estarem comprometidos com a qualidade literária (aspectos estéticos e, portanto, humanizadores), estão relacionados ao marketing do produto livro. Portanto, servem apenas de resumo, reproduzindo o desejo mercadológico de venda do produto. Assim, os que se autodenominam críticos literários, muitas vezes não passam de reprodutores das lógicas do mercado, o que é uma atitude totalmente contrária à crítica.
O principal problema que vem à tona é a influência que esses “críticos” têm em relação à massa de leitores (sendo este número já bastante reduzido), portanto, “formam” (ou deformam) opinião. Esses colunistas literários, muitas vezes, são “patrocinados” pelas próprias editoras, pois recebem os livros, escolhem frases que chamam a atenção do leitor para que este tenha o desejo de consumi-lo, e reproduzem isso, geralmente com um texto de linguagem acessível (poética, muitas vezes), que, longe de uma análise realmente crítica, tem status de propaganda. Nada contra a resenha jornalística, a informação sobre um livro, mas – convenhamos – assim é fácil fazer “crítica”. É fácil elogiar Machado de Assis. É engrandecedor poetisar sobre um novo texto de Gabriel Garcia Marquez. Mas onde está a coragem e o verdadeiro conhecimento literário? Onde está o crítico literário que avalia os livros de escritores não consagrados e aponta aos leitores e a seus pares os erros e acertos?
Segundo Tânia Pellegrini,
“[…] o que se pode perceber, então, é que o crescimento editorial, se não estimula a reflexão crítica – muito pelo contrário, pois o interesse é vender livros e não analisá-los – estimula a ampliação do espaço para a literatura da imprensa, pelo mesmo motivo: notícias, resenhas, colunas, comentários […] sempre colocam o objeto-livro em evidência” (p. 168).
Recomendamos a leitura de A imagem e a letra, de Tânia Pellegrini (Mercado de Letras, 1999). Um bom livro que discute um pouco sobre esse tema.
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admin em 15 de Outubro de 2009 @ 23:27
Em uma oficina literária com Andréa del Fuego, uma das participantes, no meio de todos nós, declarou que não escrevia poesia pois tinha medo. Achei aquilo brilhante e nela descobri também a explicação para minha relação com a poesia. Eu também tenho medo. Medo como medo de criança, que vislumbra o proibido por entre os dedos que tentam esconder os olhos. Medo do desconhecido, que mistura fascínio e reverência. Medo que obriga a reconhecer-nos diante de algo muito maior do que nós mesmos, pois nos envolve e a tudo em um simples verso. Verso pensado para transmitir o todo de forma exata, planejado com a exatidão do cálculo estrutural para tomar a forma da impossibilidade e leveza arquitetônica.
Convidamos um amigo querido para nos falar sobre poesia e o que ele fez? Enviou-nos poemas. Certamente, brilhante.
Perfil poeta| Ricardo Miyake
Biografia por ele mesmo| “He´s a real nowhere man/Sitting in his nowhere land/making all his nowhere plans for no one..” (Lennon e McCartney)
Blog| Arquitetura das Palavras
E-mail| rmiyake@uol.com.br
Livro Publicado: Livro de Coisas, editora ComArte
Poética II
Em palavras de farpas
Sob unhas longas e sonhos breves
Escrevo poemas de amor
Desapaixonadamente
Em vozes dores hiatos
Mas não os escrevo na verdade
Só o que digo me aclara
Os fatos.
Poemas de amor são escritos
Por homens restritos
Exatos.
(In: Livro de Coisas)
para Julia Medrado
Ainda tenho nas mãos o perfume que tu usas,
E teu riso ainda faz eco nos corredores
Onde andavas, distraída. Tu me olhas
No retrato, imagem que paira longe
E entra pela janela sem venezianas.
Faz frio onde tu estás, as pessoas
Não te querem por perto, e o gosto
Do refrigerante de guaraná permanece
Memória que dói, fisgada no meio da perna,
E te pegas ao vazio da praça sem nenhum sono.
O que posso fazer senão te acenar
Do lado de cá do mar que nos aparta?
Os navios ancoram ao largo, à tarde
Automóveis negros trafegam aos roncos,
E nada se pode dizer senão o incerto;
Dança que não valeu: ninguém por perto.
Nenhum sonho
para Maíra
No fundo da floresta os lobos rondam,
Mas, organza sobre o rosto, tu contemplas
O sol aos poucos sumindo, a trilha aberta
E, sem querer, teus olhos de sono piscam.
Tu, entretecida, sorris: é quase um nada
Entre o que tiveste e o que te deram,
E isso não é amor, essa fenda ensangüentada;
Também não é paixão - espinho que te fere o ventre.
E os lobos, extenuados, voltam a suas tocas
Ao te levantares no silêncio que te expressa
Em meio às sombras desenhadas sobre o musgo,
O sol que desmaia, seus braços, nenhum sonho.

Paisagem com vermelho ao fundo
Soprava um vento de suspender os gritos
No lusco-fusco em lâmpadas amarelas,
E tu entraste com teu riso de rosas
Aquecendo as mãos desfeitas pelas águas
Onde resolveste guardar-te dos barcos.
Apenas te olhei, buscando no fundo de
Teus minérios a partilha que fizemos,
Oco dos corpos de gelo e pedra,
Tua face desfeita – sal e água –
Apenas te olhei – e não vi nada.
Agora os carros passam na avenida,
O vento ainda diz que está presente,
E eu, sem remissão, mastigo o vidro
Da lâmpada amarela, enquanto atravessas
Em meio ao trânsito, teu corpo, sem parar.
16/06/2004
Saudações, Ricardo! Agradecemos pela permissão que nos deu para reproduzir aqui esses seus poemas. Quem se interessar pelos poemas do Ricardo, escreva para ele, ok?
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admin em 5 de Outubro de 2009 @ 13:23

Foto fonte: www.spanport.umn.edu/news/images/JGinzburg.jpg , www.spanport.umn.edu/news/events.php
Apresentação realizada no colóquio Escritas da Violência “Representações da violência na história e na cultura contemporâneas da América Latina”, no dia 9 de setembro de 2009.
Nesse colóquio, o professor Jaime Ginzburg (FFLCH-USP) presenteou a plateia com uma provocação: a aproximação da ética e da estética à literatura. A partir dessa palestra, resumimos alguns itens e pensamos em outros. Não culpem o professor por esse post, ok? É uma releitura livre e limitada de uma palestra brilhante.
A Ética pode ser considerada por dois fatores: as convicções pessoais (crenças e valores), que compõem o campo privado, e as leis formais do Estado, que compõem o campo público. O campo de estudo da ética seria o do conflito entre o público e o privado, naquilo que fica como indefinido entre os dois. Daí podemos supor que o problema da ética é o do critério de escolha.
Na estética, o ângulo do qual se fala da obra de arte é também uma questão de escolha. A escolha do foco narrativo estabelece o que é e o que não é relevante para se contar a história.
A indeterminação ética em se definir o que é certo e o que é errado pode ser associada à indeterminação em relação ao foco narrativo. Vale pensar isso para uma teoria do narrador, da narrativa (baseado em Adorno, em A posição do narrador no romance contemporâneo).
Extrapolando a palestra, pensamos os mecanismos da narrativa, no que possibilita que a obra, em sua história e forma, seja definida pelo escritor. Ambas estão relacionadas às técnicas narrativas: ética e estética como decorrentes da história que é narrada, no conflito apresentado, no que as personagens decidem ou não contar. Na literatura, a qualidade de uma obra define-se não somente pelo conteúdo, pela história narrada, mas pela forma, as técnicas usadas na narrativa. Aos dois podem-se agregar valores como enriquecedores, como, por exemplo, o uso da metalinguagem (para expor a incerteza, como Clarice Lispector); a exploração da tragédia, no sentido de que a atribuição maior de sentido à vida é conquistada quando a vida se perde (exemplo, A hora da estrela).
Algumas tendências do romance brasileiro foram elencadas e nos permitimos acrescentar outras:
A realidade no romance é a que o escritor cria. Ela há de ser verossímil para o leitor. Se os escritores, na corrente literária francesa Oulipo, são vistos como ratos que constroem seus próprios labirintos e depois se propõem a sair, a literatura poderia ser o labirinto, e, talvez, seja mais rica à medida que põe o leitor em seu centro, acompanha-o em algumas curvas, mas depois o deixa só, e o convida a encontrar seu próprio caminho até a saída.
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admin em 21 de Setembro de 2009 @ 17:51
José Castello, “O Crítico Aprendiz”, O Globo, 12 set. 2009, Prosa e Verso, p. 4

No artigo, José Castello discorre sobre a crítica de um texto de um autor novo, primeiro livro. Aí, a nosso ver, está a tarefa da crítica, tão bem feita por Manoel Bandeira, ler os escritores estreiantes e apresentá-los ao mundo literário. A tarefa é difícil, sabemos. Mas qual a razão de uma crítica cujo objeto são somente escritores consagrados?
Selecionamos excertos:
“…diante de um primeiro livro, o crítico se vê obrigado a exercitar, mais que nunca, o fundamento de qualquer leitura: a capacidade de se assombrar.”
“Também escrever um primeiro livro é desconstruir-se, into é, livrar-se do que ‘naturalmente somos’. Nada há de natural na literatura. Não se escreve sem, antes disso, destruir um mundo.”
“ Mais que o corpo, é a linguagem que, despida de sua ilusória bondade, passa a nos falhar. Só quando revira e torce a linguagem, um escritor começa a escrever.”
“A literatura não se interessa pela civilização e pelo progresso. Ela não é a montagem de ideais, mas, ao contrário, sua desmontagem. Nada assegura que um romance escrito no século XX seja superior (um ‘avanço’) a um romance do século XIX. A literatura é indiferente à lógica dos relógios. É extemporânea.”
“A cada palavra que escreve (que lhe sai), o escritor desmente a palavra planejada. Nos livros de estreia, ainda temerosos de se arriscar, os escritores em geral se agarram aos ideais antigos de boa educação, desenvolvimento e progresso. Ocorre que as torrentes da escrita são mais fortes. Se o autor escreve para valer, elas logo o arrastarão para fora de seu caminho. A isso se pode chamar de destino.”
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admin em 28 de Agosto de 2009 @ 21:49
PARA LER
1. Ignorar os best-sellers, por maior que seja a tentação. Deixe passar cinco anos. Se o livro ainda respirar bem, pode investir.
2. Ler com desconfiança o que lê. Se o livro resistir a essa leitura, é porque é bom.
3. Ler com um lápis na mão. E usá-lo.
4. Conhecer pessoalmente o escritor só depois de ler o livro; caso contrário, a figura do escritor ficará colada ao texto, como um fantasma.
5. Ler edições que tenham bom gosto. Uma edição amadora piora dramaticamente o livro.
PARA ESCREVER
1. Dedicar mais tempo à leitura do que à escrita.
2. Usar em abundância o ponto final, especialmente quando a frase resiste a qualquer conserto.
3. Usar material de primeira qualidade: bom computador, bom papel de impressão, bons cadernos (sugiro o Moleskine), boas canetas, bons lápis.
4. Não levar o laptop para a cozinha ou para a sala de visitas. Se não tiver um gabinete exclusivo, o quarto é uma boa escolha.
5. Escrever apenas sobre o que conhece perfeitamente, mesmo que seja um romance passado no futuro.
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL | é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor de “Ensaios Íntimos e Imperfeitos” (L&PM), entre outros livros.
“Escritores em construção”, Folha de S. Paulo, 16 ago. 2009, caderno Mais!
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admin em 10 de Agosto de 2009 @ 16:35

“Ao considerarmos o romance e a épica, somos tentados a pensar que a diferença principal está na diferença entre verso e prosa, entre cantar algo e enunciar algo. Mas acho que há outra maior. A diferença está no fato de que o importante na épica é o herói — um homem que é um modelo para todos os homens. Ao passo que a essência da maioria dos romances, como salientou Mencken, reside na aniquilação de um homem, na degeneração do caráter” (Esse ofício do verso, Jorge Luis Borges, p. 56)
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admin em 19 de Julho de 2009 @ 19:04
“Escrever bem não é, absoluto, apenas uma maneira de unir belas palavras. A linguagem escrita é um dos elementos da narrativa. Um dos mais importantes. Não há nenhuma dúvida disso. Mas os outros elementos não podem ser desprezados. Até porque para unir boas palavras, ajustáveis, é preciso saber para que elas servem. Não custa observar. Revolucionários e conservadores sabem disso.
O fundamental, porém, é que o escritor deve ter o que dizer, inicialmente, e não revelar isso no desenvolvimento da narrativa. Muito menos no discurso escrito. O desenvolvimento dos personagens, das cenas, dos cenários, dos diálogos, por exemplo, revelam o pensamento do autor, o seu ponto de vista, e não as palavras. Ou antes, não só as palavras”.
Raimundo Carrero, “Ponto de vista não é somente ciúme de você – as palavras fazem um romance, mas sem visão do mundo o autor desaba”, Rascunho, julho 2009, p. 10. (www.rascunho.com.br | http://www.raimundocarrero.com.br)
Entrevista do escritor pernambucano Raimundo Carrero em três partes
“A primeira coisa. Se você quer ser escritor, não tenha medo. Se você tem medo de alguma coisa, não escreva. (…) A gente escreve sobre aquilo que não confessa à própria alma. Se não for por aí, não é escritor.” (Raimundo Carrero)
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admin em 7 de Julho de 2009 @ 20:55
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admin em 29 de Junho de 2009 @ 21:46
“Tenho absoluta certeza que a boa literatura é a que inquieta as pessoas. Não a que deixa as pessoas tranquilas, sossegadas, em paz, não. O bom ensaio, a boa prosa, o bom poema é o que incomoda de alguma forma; mexe com verdades estabelecidas” (excerto de “Entrevista com Nelson de Oliveira”, Encontros de Interrogação, YouTube, Itaú Cultural, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=e7jnTsUjzMA, acesso em junho de 2009). Veja também:
Entrevista de Nelson de Oliveira no blog de Marcelo Maluf, Labirintos no sótão.
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