Arquivo da categoria ‘Mercado editorial’

Esse ofício do verso

admin em 10 de Agosto de 2009 @ 16:35

jorge luis borges 1 - jorge luis borges 1
“Ao considerarmos o romance e a épica, somos tentados a pensar que a diferença principal está na diferença entre verso e prosa, entre cantar algo e enunciar algo. Mas acho que há outra maior. A diferença está no fato de que o importante na épica é o herói — um homem que é um modelo para todos os homens. Ao passo que a essência da maioria dos romances, como salientou Mencken, reside na aniquilação de um homem, na degeneração do caráter” (Esse ofício do verso, Jorge Luis Borges, p. 56)

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Excertos de entrevista de Hatoum, Carvalho e Tezza durante a Flip

admin em 7 de Julho de 2009 @ 20:55

flip2 - flip2

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José Castello | “a literatura se torna ameaçadora”

admin em 17 de Junho de 2009 @ 21:02

jose castello jun - jose castello jun
“Em nosso tolo mundo do Eu, os escritores se transformam em celebridades. Escritores deveriam repetir, hoje, a frase de Manuel, o protagonista de Gustavo Bernardo: ‘Eu não sou nenhum tipo de deus. Eu não sou sequer nenhum tipo de eu’. É por isso que a literatura se torna ameaçadora: porque não exclui nada, nem ninguém. Porque encara, sem medo, a precariedade do homem.” (José Castello, “A bofetada metafísica”, em O Globo, 13 jun. 2009. Prosa e Verso)

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Rodrigo Lacerda e leitura crítica

admin em 14 de Junho de 2009 @ 20:10

montagem foto - montagem foto
Outra vida é o título do novo romance de Rodrigo Lacerda. Para aprimorar a obra, o autor contou com o apoio da leitura crítica de Ronaldo Correia de Brito. “Sou de família de editores [é filho de Sebastião Lacerda, da Nova Aguilar, e neto do político Carlos Lacerda, fundador da Nova Fronteira]. Acredito muito no papel do editor. Também conversei muito com o editor da Alfaguara, Marcelo Ferroni”.

Nós, da Ofício Editorial, aconselhamos que, antes de enviar a obra para avaliação para publicação ou para publicação on demand, o escritor a envie para um leitor crítico. Pode começar enviando a obra para um amigo, é bom escutar o que seu público terá a dizer, a opinião dele. Mas nada substitui a leitura crítica, pois ela não é somente opinião sobre sua obra. Ela é baseada em crítica e interpretação, e nela são apontados os pontos em que o escritor deve trabalhar mais em sua obra, ou seja, é dada a oportunidade ao escritor para que ele melhore sua obra.

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Jean-Yves Mollier em entrevista ao O Globo, maio 2009

admin em 18 de Maio de 2009 @ 23:36

entrevista detalhe 1 2 - entrevista detalhe 1 2

Confira também a entrevista do professor Mollier feita por Bruno Dorigatti, no Lihed

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Peek-a-boo — Onde está o escritor brasileiro?

admin em 4 de Maio de 2009 @ 14:16

O que é um escritor?

“O escritor está sempre trabalhando em um livro, mesmo quando não está escrevendo” (Antonio Callado)
“You don’t live there always when you write. Mostly it’s a long hard walk. Sometimes it’s a trudge through fog and you’re scared you’ve lost your way and can’t remember why you set out in the first place. But sometimes you fly, and that pays for everything.” (Neil Gaiman)

Nascido do chão, da terra, de sementes de sabe-se lá qual árvore, aspergidas por chuviscos. Fruto de trabalho árduo e horas de solidão forçada e extremamente necessárias, em sua segunda ou terceira jornada de trabalho. Normalmente, o escritor é aquele que, ao escrever um texto, consegue destaque e ser publicado por uma editora comercial. Ou é aquele que, cansado da longa busca por uma editora comercial, decide levar ele mesmo a edição de seu livro até o fim, contratando profissionais que o façam. Escritor é quem produz uma obra literária e a transforma em livro. De outra forma, todos os que fizessem uso de lápis, caneta ou teclado e conseguissem alinhar caracteres seriam escritores. Escritor é quem faz a obra literária e a publica, seja em papel (tradição escrita), seja em palavras (tradição oral).

No Brasil não há programas que amparem o escritor, como na Escócia (http://www.scottishbooktrust.com/). O Scottish Book Trust é uma entidade fundada pelo Conselho de Arte, que é patrocinado pelo Governo Escocês. A entidade promove cursos para escritores, apóia o novo escritor com auxílio para que ele encontre a editora mais adequada ao perfil de seu livro (funciona como agente literário), bolsa de estudo, concursos literários, organiza lançamentos etc. Isso funcionaria no Brasil? Um braço do Ministério da Cultura voltado para a literatura e a formação do escritor brasileiro? Não custa sonhar…

Nisso voltamos a nossa atenção ao fato de que no Brasil não há instituições públicas ou de qualidade irrefutável que ofereçam especialização em Escrever. Isso não poderia ser feito nos cursos de Letras? Há exemplos de livros desenvolvidos dentro de mestrados ou doutorados, como foi a caso de Tatiana Levy, em A chave da Casa. (mais sobre esse assunto no artigo de Edgard Murano, “A ficção que vale por um doutorado”, Língua Portuguesa, Nov. 2008). Mas esses são movimentos raros dentro das universidades.

Como as editoras os encontram?

E quais editoras buscam autores novos? Por que tantas editoras privilegiam traduções? Seria a ineficiência em se avaliar um original ou a dificuldade de se encontrar bons autores nacionais? Seria pela facilidade comercial de já se ter um público (mesmo que estrangeiro – étrange – de fora) testado o potencial comercial ou literário da obra?

Certamente é mais fácil pegar o que já foi testado como “seguro” no mercado editorial. O lucro nas vendas é certo. Então, as grandes editoras nacionais compram o direito de tradução de uma obra bem vendida e, geralmente, de um Best-seller. Poucas editoras nacionais avaliam os originais estrangeiros pela qualidade literária, como é o caso da Cosac Naify e da Companhia das Letras. A grande maioria somente aposta nos autores internacionais consagrados ou nos Best-sellers que pipocam esporadicamente e que parecem achatar os horizontes de leitura do público adolescente e jovem.

As pequenas e médias editoras não podem, geralmente, arcar com os custos de compra de direitos de tradução e, em seguida, da contratação do profissional para traduzir o texto, então elas buscam autores nacionais que se encaixem em sua linha editorial. Cada editora tem um perfil próprio e parâmetros para avaliação. Normalmente as editoras buscam o que é original (que traz novidade), o que tem caráter prático, o que tem apelo comercial, o que é indiscutivelmente bom. Dessa forma, antes de enviar seu livro para uma editora, pesquise no site dela, tente identificar sua linha editorial e se sua obra se ajusta a ela.

Como eles encontram as editoras? O que um novo escritor pode fazer?

  • Enviar sua obra para editoras cuja linha editorial englobe a de seu texto. (Uma dica é ir em uma boa livraria e anotar todas as editoras que encontrar na área em que seu próprio livro se inclua. Por exemplo, se você escreve romance de época, vá até a seção de romances de época e anote todas as editoras nacionais que publicarem textos semelhantes ao seu). Em seguida, visite o site de cada uma delas e procure as instruções de como enviar o material para avaliação.
  • Fazer uma edição do autor: não indicado em tiragens grandes (lembre-se: e o estoque?), pois a distribuição (mesmo se contando com sites) seria muito difícil. Se fizer uma edição do autor, contrate serviço de distribuição ou monte seu próprio blog e venda ali o livro impresso. Auden (nascido em 1907 na Inglaterra), em 1928, fez seu primeiro livro de poemas — Poems — como uma edição do autor. Hoje essa edição particular (de somente 45 exemplares) é uma raridade.
  • Faça seu blog: ultimamente as editoras vêm buscando os blogs mais acessados para pescar novos autores ou tendências. O autor pode colocar um ou dois capítulos no blog e, se a pessoa quiser, ela compra o livro inteiro com ele. Daí o autor envia o livro impresso (que ele fez como “edição do autor”) por PAC (correio normal) para o seu leitor. Se o negócio der certo, o autor fica com 100% do lucro das vendas (deduzindo, logicamente, custos operacionais e de custo de edição do livro, que aliás não são tão altos assim).
  • Com certeza, o escritor deve registrar sua obra no Escritório de Direitos Autorais, na Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Isso evita o plágio de sua obra. Mas, lembre-se, desenvolver idéias não é crime, então tenha cuidado para não divulgar sua obra inteira de forma livre.
  • O escritor pode buscar uma pós-graduação em Letras. A melhor forma de se tornar um bom escritor
    é lendo os clássicos e estudando teoria literária e linguística. Pode-se tentar o rumo acadêmico, em uma graduação ou pós-graduação, ou ser autodidata (o maior de nossos exemplos foi Machado de Assis).
  • Nunca desistir. Paulina Chiziane, escritora de Moçambique, disse que ela escreve somente nos fins de semana, pois tem de trabalhar. Paulina já escreveu cinco livros e os publicou pela editora Caminho, em Portugal (site). Tempo é, sim, uma questão muito importante, mas, se a necessidade de escrever é realmente urgente, há que se organizar todas as tarefas a fim de se “criar” tempo (bem-vindo ao clube).

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