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Entrevista com Carlos Alberto Silva

admin em 21 de Janeiro de 2010 @ 06:16


O conto “Separação”, de Carlos Alberto, recebeu menção honrosa no Concurso da Ofício Editorial.


Fizemos uma breve entrevista com ele e foi-nos autorizado transcrever o conto na íntegra. Deixaremos aqui os dados de Carlos Alberto para que vocês possam entrar em contato com ele e pedimos a gentileza de, se desejarem reproduzir algum trecho do texto, peçam a autorização para o escritor.

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  • Nome | Carlos Alberto Silva
  • Biografia | Carlos Alberto Silva nasceu na cidade de São Gonçalo do Sapucaí, no sul do estado de Minas Gerais, em 7 de julho de 1970. Trabalhou nos Correios e na Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais e atualmente é economiário. A aptidão pelas letras desde a escola primária o motivaram a continuar escrevendo. Alguns de seus textos foram premiados em concursos literários e publicados em antologias.
  • E-mail | cssgsmg@hotmail.com ou carlosalberto.oi@oi.com.br
  • Orkut | http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16403549481218065285


Conte a sua relação com a escrita
Carlos Alberto |Creio que a resposta mais verdadeira seja “escrevo porque tenho alguma habilidade para isso, porque um dia escrevi um texto qualquer, tive prazer em fazê-lo e o resultado foi bom”. Mas o que me motiva é tentar escrever melhor. Sabemos que há muitas maneiras de se dizer a mesma coisa e o mérito de um bom escritor é ser capaz de dizer precisamente o que deseja dizer.


A escrita tem relação com sua profissão?
Carlos Alberto | A escrita e o conhecimento da língua certamente me são úteis no trabalho, mas são universos bastante distintos.


Qual é a sua rotina para escrever: desde quando, em qual hora do dia, com que frequência, como, onde etc. escreve?
Carlos Alberto |Faço literatura desde que me alfabetizei, mas isso sempre aconteceu de forma esporádica. Mesmo hoje leio e escrevo um pouco menos do que deveria, já que escrever é um exercício constante de aperfeiçoamento. Para escrever eu preciso de um tempo e de uma tranquilidade de que nem sempre disponho. O escritor precisa estar ausente da realidade, e para quem não vive da literatura nem todo tempo livre é tempo útil para escrever. Há quem abra o laptop em qualquer lugar público e trabalhe ali mesmo, mas não sou uma dessas pessoas.


Quais são seus escritores favoritos?
Carlos Alberto |Se apontar um escritor favorito, corro o risco de não estar dizendo a verdade. Pode ser algum de quem só li um livro ou pode ser que eu ainda não o tenha lido. Vou citar os dois autores que mais li nos últimos tempos: Fernando Sabino e Rubem Fonseca, tão opostos quanto extraordinários. Enquanto Sabino convida o leitor a uma conversa agradabilíssima, Fonseca parece buscar um nível de violência e imoralidade que chegue a ofender até seu leitor menos escrupuloso. Eu os descobri tarde por serem autores de textos curtos, motivo pelo qual os leio agora, mais por interesse de escritor do que de leitor.


Sobre esse seu conto: como foi o processo de escrita? (Como você escreve, se estrutura todo o conto antes de escrever, quanto tempo leva, se reescreve, se pede para amigos lerem etc.)
Carlos Alberto |O conto “Separação” nasceu de uma boa sacada: “E se um homem heterossexual decidisse pedir pensão alimentícia a um ex-colega de apartamento?” Minha intenção era que fosse apenas aparentemente banal e que o leitor não deixasse de perceber nele uma crítica à sociedade atual, com suas leis, códigos e estatutos. Não fiz nenhum planejamento, só tinha em mente que era um texto para escrever à maneira de Luís Fernando Veríssimo, conciso, leve, divertido. Sei que Veríssimo tem uma legião de imitadores, mas quando terminei, percebi que havia me saído muito bem. Eu o escrevi em poucos minutos. Se não consigo assim (e geralmente não consigo) costumo demorar muito. Depois de pronto, mesmo voltando a ele diversas vezes, como faço habitualmente, quase nada foi alterado. Tento escrever logo o texto definitivo, senão começo a achar que está bom o que escrevi, mesmo que não esteja, ou tenho dificuldade em fugir do que já está feito. Na verdade não gosto de fazer alterações. Se depender de mim, até os inconvenientes cacófatos, lugares comuns e afins acabam ficando. Um texto se torna definitivo quando chega às mãos do leitor, então eu sou o meu primeiro leitor. E se não for publicado, ninguém terá acesso a ele, a não ser minha esposa. Ela tem uma capacidade única para perceber detalhes da trama e identificar inconsistências.


O que é mais importante: ter uma ideia inovadora ou um desenvolvimento bem trabalhado?
Carlos Alberto |Existe o consenso de que não há histórias ruins, mas histórias mal contadas. Bem, é claro que existem, mas concordo com a afirmação. É possível narrar qualquer coisa de maneira cativante, ou pelo menos eficiente, portanto o desenvolvimento é mais importante do que a ideia. Eu, particularmente, preciso de uma ideia concreta, e acho importante que o texto chegue a algum lugar. O final precisa significar alguma coisa, e, embora eu raramente saiba como será, ele costuma surgir na hora certa. Tenho lido contos bem elaborados sobre coisa nenhuma, mas não gosto disso. Algumas das minhas melhores páginas estão na gaveta porque não se transformaram em uma história.


Para você, o que é qualidade na obra literária? Como você avalia o que você escreve? Você relê e reescreve a primeira versão de seu texto?
Carlos Alberto |Uma obra literária deve ser feita para o leitor. Deve ser compreendida por ele e ter algo a oferecer. Deve, creio, se situar acima do leitor em algum aspecto. O escritor precisa saber o que faz, quem ele representa, ou, se propõe algo novo, deve saber exatamente o que é. Quanto a mim, o que escrevo são exercícios, e alguns bem-sucedidos. Eu releio meus textos muitas vezes, mas não mexo nos que considero bons. Os outros, eu procuro corrigir e aperfeiçoar, mas nunca tento reescrever. Ficam sempre à espera de que eu encontre uma porta, um meio de ter acesso a eles para resgatá-los.


De sua experiência com a escrita, qual foi a lição mais valiosa que aprendeu?
Carlos Alberto |Mais de uma vez eu achei que estava pronto, para depois descobrir que não. Hoje tenho consciência do quanto posso evoluir. Mas descobri que nenhum escritor é bom o suficiente. Há algum tempo li um artigo em que o autor distribuía críticas duras a escritores reconhecidos. Classificava escritores como obscuros, falava em gerações inteiras que não resistiram ao tempo e, no final, praticamente afirmava que abaixo de Machado de Assis (que também foi criticado) não existe ninguém. Um exagero, é claro, mas escrevem essas coisas por aí.


Agradecemos sua participação no concurso e desejamos muito sucesso!


“O escritor declara que o texto é original e de sua exclusiva autoria. É proibido a reprodução parcial ou integral deste texto sem autorização expressa de seu autor”.


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“Separação”
Pseudônimo: Belo

Eduardo e Jurandir eram dois amigos que dividiam um apartamento havia alguns anos. Conheceram-se por intermédio de uma amiga comum. Por algum tempo a relação fora conveniente, mas chegara a hora de cada um seguir seu caminho.
– Meu relacionamento com a Soninha está ficando sério e eu preciso morar sozinho – disse Eduardo como se não tivessem falado do assunto durante semanas.
Jurandir tinha certeza de que não era verdade. E de fato não era. No tempo das vacas magras, quando eles comiam pão de fôrma e dividiam o desodorante, deram-se por satisfeitos porque nenhum dos dois roncava ou gostava de música romântica sertaneja. Eduardo batalhava por uma carreira de publicitário e Jurandir tentava o mesmo no jornalismo. Mas agora Eduardo colhia os frutos de mais uma campanha vitoriosa para um grande fabricante de bebidas e Jurandir apenas havia trocado os classificados pelo caderno da cidade. Eduardo conhecia mulheres cada vez mais bonitas e comprava desodorantes cada vez mais caros. Tinha um home theater com monitor wide screen gigante e uma coleção de DVDs importados.
Jurandir estava emocionado.
– Desculpe. Uma separação é sempre dramática – ele era sempre dramático.
– Se precisar de alguma coisa, “estamos aí”.
– Acho que podemos resolver tudo amigavelmente.
– Quê?!
– Você vai precisar me pagar uma pensão – Jurandir já não demonstrava nenhuma emoção.
– Tá louco?!
– Você ganha muito mais do que eu. Sabe que eu vou passar por dificuldades.
– E por acaso eu sou seu marido?
“Só pode ser brincadeira”. Eduardo sabia que as inconveniências do Jurandir nunca eram brincadeira.
– A lei está cada vez mais abrangente nessas questões.
– Você só pode estar louco!
– Du, é comum as pessoas confundirem as relações. Entendo que você não tenha se dado conta, mas temos uma história juntos.
– Por acaso constituímos uma família?
– Há várias modalidades de família. Não se lembra de Friends?
Friends! – erguendo o indicador na direção de Jurandir, e como quem diz “Bingo!” – amigos. É isso o que somos. Amigos!
– Nós até já dividimos uma cama de casal, Du!
– No churrasco no sítio do Marcão? Oito pessoas. Só tinha dois quartos. Eu estava virado para os pés. A porta estava aberta e tinha gente dormindo na sala.
– Eles comentam até hoje.
– Gozação. Eles comentam até hoje que você ficou com um travesti no Carnaval de 99. E isso também é mentira.
– Talvez não seja.
Eduardo não tem palavras. Jurandir:
– Também dormimos juntos aqui por um bom tempo. A faxineira pode confirmar.
– Pouquíssimo tempo! Só até você comprar uma cama.
– Tudo bem. Eu tenho provas materiais. O aluguel está no seu nome e sou eu quem paga. Com cheques. O banco pode fornecer cópias.
“Canalha!”
– Mas eu deposito a minha parte na sua conta!
– Nada mais harmonioso.
– Você não vai conseguir nada com isso.
– Nós saímos juntos e tomamos vinho, Du! Amigos não tomam vinho!
– Você toma vinho! Eu tomo cerveja.
– Aquela importada, de garrafinha? Muito suspeita. E o cinema? Nós vamos juntos ao cinema.
– Jackie Chan! Quem você queria que eu chamasse?
– Como pode negar a nossa relação, Du? Eu deixava bilhetinhos em francês para você!
– Mania sua de praticar. Eu não guardei nenhum. E pare de me chamar de Du.
– Tudo bem. E o Le Petit Prince que você me deu? Com aquela dedicatória? Você assinou “Du”.
Eduardo estava derrotado. Tentou uma defesa:
– Você queria uma leitura fácil. Eu achei que aquela era fácil.
Mas era inútil. Um exemplar de Le Petit Prince, original em francês, com aquela dedicatória, e assinado “Du”, era prova cabal, irrefutável, irrecorrível, irretratável.
– Vamos expor nossa intimidade num tribunal, Du? Um caso como esse vai parar na televisão. Meus colegas da imprensa vão se solidarizar. Você não vai querer esse tipo de publicidade. Se resolvermos tudo amigavelmente vai passar despercebido. Casos resolvidos com honestidade e respeito não interessam a ninguém.
Eduardo duvidava disso. Jurandir completou:
– Minha “advogada” disse que você não tem chance!
O advogado do Eduardo o aconselhou a ter cautela. Era preciso pensar em todas as consequências de uma separação. Dar um tempo para ver se não se acertavam ou se Jurandir não se interessava por outra.
Hoje Eduardo e Jurandir ainda vivem juntos. Jurandir ficou com a parte de baixo da geladeira e o banheiro do corredor. Usa a sala nos dias ímpares mas não pode ligar o home theater. Pelo menos não quando o Eduardo está em casa.

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Concurso de Contos Ofício Editorial - Resultado Final

admin em 24 de Dezembro de 2009 @ 13:34

Já estou sentindo o cheiro do assado, e aquela música do pisca-pisca não para de tocar. Os parentes chegando, conversando, brigando e se amando… É praticamente Natal e o Bom Velhindo vem trazer uma novidade: o resultado final do Concurso.

Sei que já desceram à lista e só depois voltaram para ler este texto introdutório. Creio que o mais importante deste trabalho é o incentivo aos novos escritores. E ficamos muito felizes com o resultado: ótimos textos e, contrariando as críticas que recebemos no início da proposta do concurso, vimos que há um potencial imenso naqueles que, muitas vezes, não têm o espaço devido. Textos notáveis. Tanto que fomos surpreendidos pela quantidade e qualidade.

Destacar-se num concurso não é sinal de estar pronto, mas sim de que é preciso se desenvolver, estudar, ler muito e escrever muito mais.

Antes de tudo, obrigado pela confiança depositada em nosso trabalho.

Resultado Final

  • 1º Lugar: “Relicário”, de Maria
  • 2º Lugar: “Café da manhã no inferno”, de Bruna Coletti
  • 3º Lugar: “Ao ninho nunca mais voltarás”, de Maximiliano Arosa
  • 4º Lugar (menção honrosa): “Separação”, de Belo
  • 5º Lugar (menção honrosa): “Olhos amarelos”, de Cid Campos
  • Dentro de alguns dias enviaremos os prêmios indicados aos vencedores.
    Muito obrigado a todos! Que neste Natal uma esperança nova possa surgir na vida de vocês!

    Saudações literárias,

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    Concurso de Contos Ofício Editorial - Lista de pré-selecionados

    admin em 22 de Dezembro de 2009 @ 10:23

    Textos pré-selecionados

    Os Prêmios literários no exterior adotam uma prática que certamente deveriam ser também utilizadas em nossos concursos no Brasil: eles selecionam os 20 ou 10 melhores trabalhos e deixam que o público saiba disso, é a Long List. Depois, eles anunciam, em algumas semanas, uma short list com apenas 5 selecionados e, somente depois disso, eles anunciam os vencedores (1 ou 3) e a menção honrosa. Essa medida é ótima pois torna público não somente os vencedores, mas os melhores classificados, dando a esses escritores a oportunidade de serem reconhecidos pelos leitores e pelo mercado editorial.

    Nós, da Ofício, também planejamos lançar uma long list e uma short list. Mas precisamos, antes, nos desculpar com vocês, nossos estimados colegas. Perdoem-nos pela demora. Não esperávamos receber tantos textos inscritos e estamos fazendo um trabalho sério com eles. Estamos lendo, anotando pontos importantes e dicas para depois passarmos para todos, sempre de modo a respeitar o anonimato.

    Bem, aí vão os textos pré-selecionados no concurso, a nossa lista extensa, Long List:

  • “Ao ninho nunca mais voltarás”, de Maximiliano Arosa
  • “Bianca”, de Cafeinado
  • “Café da manhã no inferno”, de Bruna Coletti
  • “Conto de Natal, Um”, de Transeunte
  • “Depois”, de Iv Ewan
  • “Desencanto”, de Príncipe
  • “Flores, perecíveis flores”, de Livromaniaco
  • “Incrível exército petit-pois, O”, de Eróstrato
  • “Luz de Delft, A”, de Filipe Arnaso
  • “Mãos frias, coração quente”, de Zero Notável
  • “Nabokov”, de Belo
  • “No trem em movimento”, de Débora Didonê
  • “Nuances mais opacas, As”, de Miguel Cortázar
  • “Olhos amarelos”, de Cid Campos
  • “Quem espera sempre alcança”, de Zero Notável
  • “Relicário”, de Maria
  • “Reverência, A”, de Natalina
  • “Rimas revolucionárias em céu de brigadeiro”, Pietro de Aragão
  • “Seguro de vida”, de Neruda
  • “Separação”, de Belo

  • Dentro de dois dias teremos o resultado final de nosso concurso! Sucesso a todos!

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    Entre o colunismo literário e a crítica

    admin em 31 de Outubro de 2009 @ 20:04

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    Com o advento das mídias de massas nos anos de 1970 – no Brasil –, a indústria de bens culturais toma corpo em nosso país, e esse fenômeno provoca mudanças significativas em todas as formas de arte, o que não exclui a literatura.

    Nesse momento, o que está em jogo é uma mudança de paradigma. A arte – fruto da originalidade, da criação autoral, do valor estético – passa a funcionar de acordo com a lógica da indústria – produção em série, repetição, ausência de autoria –, o que tem consequências profundas para a sua forma. Há muitas divergências em relação a esse tema. Muitos teóricos defendem, em partes, a entrada da arte na lógica da indústria, pois percebem essa mudança como democratização da arte das elites em vistas de um acesso para um público mais amplo. No entanto, não é este o ponto desta discussão.

    A questão principal é que valores permeiam a crítica desse tipo de arte, ou qual é o lugar da crítica dentro da lógica da reprodutibilidade.
    Não é estranho a nenhum de nós, amantes da literatura, adquirir os jornais e ir, logo, em busca do suplemento literário, no intuito de verificarmos as novidades do mundo das letras. Mas o que encontramos na maioria desses suplementos, diferentemente de “crítica”, é o “colunismo literário”.

    Colunismo literário é um termo cunhado já por Antonio Candido (apud Pellegrini, p. 165), que faz referência aos textos, geralmente escritos por jornalistas. Textos estes que, ao invés de estarem comprometidos com a qualidade literária (aspectos estéticos e, portanto, humanizadores), estão relacionados ao marketing do produto livro. Portanto, servem apenas de resumo, reproduzindo o desejo mercadológico de venda do produto. Assim, os que se autodenominam críticos literários, muitas vezes não passam de reprodutores das lógicas do mercado, o que é uma atitude totalmente contrária à crítica.

    O principal problema que vem à tona é a influência que esses “críticos” têm em relação à massa de leitores (sendo este número já bastante reduzido), portanto, “formam” (ou deformam) opinião. Esses colunistas literários, muitas vezes, são “patrocinados” pelas próprias editoras, pois recebem os livros, escolhem frases que chamam a atenção do leitor para que este tenha o desejo de consumi-lo, e reproduzem isso, geralmente com um texto de linguagem acessível (poética, muitas vezes), que, longe de uma análise realmente crítica, tem status de propaganda. Nada contra a resenha jornalística, a informação sobre um livro, mas – convenhamos – assim é fácil fazer “crítica”. É fácil elogiar Machado de Assis. É engrandecedor poetisar sobre um novo texto de Gabriel Garcia Marquez. Mas onde está a coragem e o verdadeiro conhecimento literário? Onde está o crítico literário que avalia os livros de escritores não consagrados e aponta aos leitores e a seus pares os erros e acertos?

    Segundo Tânia Pellegrini,

    “[…] o que se pode perceber, então, é que o crescimento editorial, se não estimula a reflexão crítica – muito pelo contrário, pois o interesse é vender livros e não analisá-los – estimula a ampliação do espaço para a literatura da imprensa, pelo mesmo motivo: notícias, resenhas, colunas, comentários […] sempre colocam o objeto-livro em evidência” (p. 168).

    Recomendamos a leitura de A imagem e a letra, de Tânia Pellegrini (Mercado de Letras, 1999). Um bom livro que discute um pouco sobre esse tema.

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