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Entrevista com Ana Cristina Melo

admin em 23 de Julho de 2010 @ 12:38

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  • Nome | Ana Cristina Melo
  • Biografia | Nasceu no Rio de Janeiro, em 1972. Pós-graduada em Análise de Sistemas, atua na área há mais de vinte anos, na qual tem quatro livros publicados.
    Premiada em vários concursos literários, entre eles o Prêmio Sesc de Contos Machado de Assis (SESC/DF) em 2009, com publicação em algumas antologias vencedoras.
    Dedica-se à divulgação da literatura nacional. É editora do site Sobrecapa (de lançamentos literários) e mantém os blogs Canastra de Contos (de notícias literárias) e Ficção de Gaveta (de concursos literários).
    É membro da AEILIJ (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil).
  • Site | http://www.anacristinamelo.com.br/
  • Blog | |http://caixadedesejos.wordpress.com e http://canastradecontos.blogspot.com
  • Twitter | @anacristinamelo
  • E-mail | blog@anacristinamelo.com.br
  • Livros publicados |
    - Caixa de Desejos (Editora Usina de Letras. Rio de Janeiro, 2010). Juvenil
    - Participação na Antologia Revista Ficções 19 (Editora 7 Letras. Rio de Janeiro, 2010). Contos.
    - Participação na Antologia Humor Vermelho 2 (Editora Usina de Letras. Rio de Janeiro, 2010). Contos.


Caixa de desejos é seu primeiro livro para o público adolescente. Você também escreve contos e romances. Há momentos diferentes para textos de gêneros e de públicos diferentes? Há um gênero com o qual você se identifique mais?
Ana |
De certa forma, há momentos diferentes, sim. Considero que há uma Ana Cristina para cada gênero. De alguma forma, a que escreve textos infantis ou juvenis é mais solta, cheia de esperança, acredita e vive a vida em plenitude. Não consigo imaginar um escritor desesperançado, que não acredita no seu próximo nem na vida, escrevendo para crianças e jovens que estão começando seu percurso.
Já a Ana que escreve os contos ou os romances pode ter qualquer estado de espírito, pois essa precisa dar voz ao que me incomoda ou desagrada. Há momentos em que parece que um problema não tem saída, mesmo que esse problema não seja nosso. Nesse instante, a literatura é a grande saída, é o caminho do questionamento.
Quanto à preferência, não tenho. Sou apaixonada por todos esses gêneros e, se eu estiver vivendo o momento adequado para escrever em um deles, já me sinto realizada.


Escrever para adolescentes é diferente do que escrever para adultos?
Ana|
Sendo literatura, não há distinção. Tanto que em meu livro a linguagem e o enredo alcançaram tanto o jovem quanto o adulto. Contudo, acredito que é preciso escrever num formato mais atraente para o jovem, que leve a despertar o prazer pela leitura. Há textos que são aceitos pelo público adulto que não irão alcançar o coração da maioria do público juvenil.


No mercado editorial, há a tendência de se fragmentar o público leitor por faixa etária. Antes tínhamos crianças, adolescentes, jovens e adultos. Agora há crianças (bebês, pré-alfabetização, em alfabetização), pré-adolescentes, adolescentes, jovens leitores, jovens adultos, adultos. Quando você escreve, você escreve para um público específico?
Ana|
Mais ou menos. A minha classificação é mais simples: infantil, infantojuvenil, juvenil e adultos. Uso apenas essa divisão para dar o tratamento adequado à linguagem e aos temas. Se escrevo para o público infantil, me permito o uso de rimas, o que não farei em outros textos. No caso do juvenil, posso tratar de temas pertinentes a essa faixa, que não podem ser abordados para um texto infantil. Mas só depois que termino um livro, me preocupo em classificá-lo na divisão adotada pelo mercado editorial.


Na ficção, a maior quantidade de obras é a dirigida aos adolescentes e jovens, provavelmente pela chance de serem adotadas em escolas ou incluídas em compras do governo para as escolas e bibliotecas. Como você vê as obras atuais para os jovens? Percebe alguma tendência nos temas ou linguagem?
Ana|
Tratando-se de literatura nacional, não acho que exista uma tendência de temas ou linguagem, pelo contrário, há uma diversidade de escolhas que considero muito saudável.
Não tenho preconceitos com literatura. Acredito que um livro, se for bem escrito, é útil de múltiplas formas: atrai os leitores, cria vontade de ler, pois é a vontade que antecede o hábito, e melhora a memória visual da escrita. Contudo, não sou a favor de saturar um tema, como tenho visto com o caso de vampiros.
Mas acho extremamente salutar trazer a aventura e a fantasia para a narrativa. Essa é uma grande isca para fisgar os jovens leitores. É só observarmos o que a série Harry Potter fez com nossos jovens. Olhando meu filho dentro desse grupo, vi que do bruxinho (lido desde os sete anos) ele migrou para a clássica coleção Vaga-lume, série Olho no Lance, os livros de Sérgio Klein (que infelizmente nos deixou prematuramente), série Deltora, já chegou a Ana Maria Machado e está com Pedro Bandeira na fila. Daqui a pouco, alcançará Fernando Sabino e não tardará o momento certo para Machado de Assis, Clarice Lispector, Borges e tantos outros. Mas essa escalada precisa ser respeitada. E, se formos analisar a lista inicial, veremos aventura e fantasia enfeitando esse flerte.


Uma tendência nas obras para jovens leitores é ainda a adaptação dos clássicos. Opiniões se dividem sobre o papel das adaptações. O que você acha?
Ana|
Entendo o objetivo das adaptações de tornar mais “palatável” a leitura de alguns clássicos. Não sou contra, desde que a adaptação literária não crie uma nova obra. Há um enredo que precisa ser respeitado.
Para mim, pode ser até uma visão romântica, mas a melhor adaptação seria aquela que preservasse o enredo e parte da linguagem, para que o leitor tivesse a noção exata da obra original, mas se sentisse navegando por uma linguagem e narrativa confortáveis.


Normalmente, os escritores são multifunção, desempenhando muitas atividades e as conciliam com a escrita de livros. Você mantém o blog Sobrecapa para resenhas literárias, Canastra de contos como seu blog pessoal, e ficção de gaveta para divulgar concursos literários. Ler muito, escrever resenhas, pesquisar e atualizar notícias sobre concursos literários, como você consegue administrar o tempo?
Ana|
Receba minha gargalhada, principalmente pois vou acrescentar que trabalho oito horas em outra profissão e sou mãe de duas crianças de 6 e 12 anos.
É, sempre ouço essa pergunta. E acho que a resposta mais realista seja: otimizo ao máximo todo o tempo que tenho, mas sempre falta um bom pedaço para dar conta de todas as tarefas do jeito que gostaria. De tempos em tempos, acontece de alguma delas receber menos atenção.
Começo minha rotina às 5h e, antes de colocar as crianças na escola e sair para o trabalho, faço leitura de e-mails ou atualizo meus blogs. O caminho para o trabalho e a hora do almoço são reservados para escrever, revisar meus textos ou ler. Como só consigo escrever à mão, consigo dar forma às minhas ideias em qualquer lugar, basta sacar meu caderninho. À noite, me divido entre as crianças e alguma das atividades literárias. Nos finais de semana, quando quero dar prioridade às crianças e ao marido, saio de casa e vou passear. Na rua, não caio na tentação de ligar o computador. Mas ainda continuo escrevendo, só que em pensamento. (rs)


Bem, e sobre concursos literários? Você tem um critério para selecioná-los? Em nosso blog, por exemplo, somente indicamos aqueles isentos de taxa de inscrição.
Ana|
Normalmente também não divulgo concursos com taxa de inscrição, a não ser de locais notoriamente conhecidos e reconhecidos, como é o caso do OffFlip. Outro critério que adoto é que o edital precisa ser publicado na internet, em site ou blog próprio. Mas se eu percebo algum problema com um concurso, não volto a divulgá-lo.


Você participa de concursos literários ainda? Há algum do qual sempre participe?
Ana|
Sim, ainda participo, mas com muito menos frequência. Acredite, pela falta de tempo, às vezes perco o prazo de alguns.
Costumo me inscrever novamente naqueles em que já fui premiada. São concursos que tento me programar para mandar (nem sempre conseguindo): Concurso Literário do Servidor Público do Estado do RJ, Off Flip, Concurso de Contos Newton Sampaio, Concurso de Contos Paulo Leminski, Concurso de Contos Luiz Vilela e Prêmio SESC.


Sobre o Programa de Formação de Leitores do governo, como você vê a ação dos agentes de leitura? Como os escritores, e todos nós que adoramos ler, podemos adotar essa prática em nosso cotidiano?
Ana|
Outro dia eu escrevi sobre isso no meu blog. Acho que o gosto pela leitura se transmite por contágio (rs). Se você se empolga com um livro e depois fala dele, ou dá de presente, você plantou uma semente. Com as crianças, é preciso transformar a leitura em algo prazeroso. Nos adultos, é preciso despertar a curiosidade.
Então, acho que precisamos comentar sobre livros como comentamos sobre músicas, filmes. Comentar, incluir na lista de presentes, não só para dar como para receber.
E para quem está no meio literário de alguma forma, falar e dar mais espaço ao autor nacional. Há ótimos autores que estão produzindo há muitos anos e são completamente desconhecidos da grande massa.


Voltando ao livro novo, Caixa de Desejos, você planeja levá-lo às escolas, por meio de palestras? Como você vê essa relação do escritor de livros juvenis com a escola?
Ana|
Sim, já tenho algumas palestras agendadas para falar do livro e, principalmente, do amor à literatura. A palestra tem o título “Livro: um objeto de paixão”.
Acho que a presença do escritor em uma turma de jovens, sabendo ele ser cativante, joga por terra a ideia de que o livro e seu escritor são como caras de barba, sisudos, que falam coisas chatas (rs).
Em uma palestra que dei, em maio, para turmas de oitavo e nono anos, percebi que o aparente descaso de alguns se transformava em atenção quando eu contava quando começou minha história com a literatura.
Um escritor, quando escreve para jovens, tem que rejuvenescer o coração, para se aproximar deles.


Em seu blog, há a notícia de mais livros inéditos. Você já tem alguma editora em vista para eles?
Ana|
Além dos que estão lá, há outros que comecei depois e estou dando prioridade. Ainda não os ofertei ao mercado, mas alguns já estão em flerte com a Editora Usina de Letras (rs). O que é praticamente certo é a continuação de Caixa de Desejos, que sairá pela mesma editora.


Agradecemos a entrevista e desejamos a você muito sucesso.

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Receita para ser um escritor

admin em 30 de Maio de 2010 @ 22:03

Este texto é um e-mail de resposta que escrevemos a uma pessoa que nos procurou. Acreditamos ser útil não só a ela, mas a todos aqueles que têm o interesse de dar os primeiros passos no mundo da literatura, pois isso postamos no blogue. Boa leitura!

Provavelmente você já deve ter ouvido que não existe uma receita para se tornar um escritor. Isso pode ser parcialmente verdade. Todavia, há uma série de “ingredientes” que um escritor necessariamente tem de ter. Não que isso determinantemente o faça ser um escritor reconhecido, mas sem esses “ingredientes”, com toda certeza, ele não será um escritor. Então, prefiro apontar a você os ingredientes, se o prato ficará apetitoso ou vistoso já depende do modo como se cozinha.
A questão principal é você definir: por que eu quero ser escritor? Isso pode parecer inútil à primeira vista, mas é determinante. Pois se você ama a arte de escrever vai se pautar por alguns valores que são completamente diferentes daqueles que querem ficar ricos vendendo livros. Se seu caso for o último, digo que isso é para poucos e que geralmente não estão preocupados com nada além do seu próprio bolso (desculpe-me a franqueza). Caso você ame realmente a escrita e escrever, parta do pressuposto de que nem sempre você irá conseguir sobreviver somente disso.
Bom, partindo desses pontos básicos, vamos para “ingredientes” que todos os bons escritores devem ter.
Em primeiro lugar, seu gosto pela leitura deve ser tão grande, ou maior, que o gosto pela escrita. Quem quer ser escritor necessariamente tem de gostar de ler. Leia sempre. Os clássicos, os contemporâneos… gêneros diferentes. Invista grande parte de seu tempo de escritor em leitura.
Em segundo lugar, procure livros teóricos sobre a arte da escrita. Indico a você um ótimo: Segredos da ficção: uma guia da arte de escrever (Raimundo Carrero). É um excelente ponto de partida para entender melhor o processo da escrita e da construção do texto ficcional. Dentro desse mesmo item, caso você tenha possibilidade, indico a você alguma oficina literária. A dificuldade dessas oficinas é que elas têm um preço elevado e sempre solicitam que o aluno tenha um projeto literário definido. No blogue da Ofício nós enumeramos algumas, mas a indicação do blogue não atesta a qualidade das oficinas, ou seja, estão lá apenas porque são as que catalogamos.
Terceiro ponto, escreva, escreva, escreva, escreva, escreva e escreva… não pense que seu primeiro conto já é bom. Nem o segundo, nem o terceiro, nem o quarto… Escrever é uma técnica, então é necessário aperfeiçoar sempre. Um pintor pode ser um gênio das artes, mas precisa de técnica. Além da técnica, há também vocação. O escritor nasce como um bom leitor. Lendo muito ele descobre vários escritores, vários textos, vários estilos e técnicas. O estilo indicado para você não será aquele que apresenta mais sucesso de aceitação do público, mas sim aquele que lhe for sincero. O escritor tem de achar sua voz interior, seu estilo. Sua voz tem de ser sincera para ser artística.
Quarto, é hora de sair da redoma de vidro e aparecer. É muito importante ter contato com outros escritores. Leia o livro de outros e escreva a eles para dizer o que achou, apontando qualidades e problemas. Apesar de o ato de escrever ser solitário, a escrita é comunicação. Não vá mandando seu texto a milhares de contatos de escritores esperando uma apreciação do seu texto. Todos que trabalham nessa área vivem numa rotina não muito tranquila, dessa forma só envie o seu texto a algum escritor se realmente tiver já estabelecido algum contato com ele e ter certeza de que não está forçando nada.
Quinto passo, seus amigos e familiares já estão dizendo que seu texto é bom e que você tem talento para a coisa. Agora, chegou a hora de um profissional analisar seu texto. Isso é essencial. NUNCA ache que você já está tão bom assim, que é o próprio Machado de Assis do nosso tempo. Pois as editoras recebem pilhas de textos de pessoas que se acham os novos Machados, Gracilianos etc… Envie seu texto para uma leitura crítica. Nós oferecemos esse trabalho e há muitas outras pessoas que também fazem isso profissionalmente, mas saiba, para ser leitor crítico é preciso ter uma boa experiência na área literária e no ramo editorial.
Sexto passo, depois da leitura crítica, é necessário ter muita humildade, pois um profissional sempre apontará problemas a serem trabalhados. Não ignore esses apontamentos, são extremamente importantes. Pode até não concordar com eles, mas nunca deixe de procurar entendê-los. O passo seguinte é procurar um agente literário que se interesse pelo seu texto (eles geralmente têm dificuldade em dar muita atenção a autores novos). Outra possibilidade é fazer uma edição do autor, ou seja, você edita seu primeiro livro e imprime uma tiragem para divulgar seu trabalho. É extremamente importante que a qualidade gráfica, além da literária, seja ótima, para não se tornar uma propaganda negativa para seu texto.
Sétimo, dar as caras como escritor. Se envolver em eventos literários, ir a palestra de autores, participar de blogues literários, feiras literárias. E sempre estar com exemplares de seu livro para entregar a pessoas-chave (autores, editores etc.). Se já tem um blogue, desenvolva mais o seu trabalho nele. Crie um twitter, um facebook, orkut…
Não vão faltar profissionais que te alertem sobre quanto se é difícil ser escritor. Vão até mesmo sugerir que você tente outra profissão, talvez algo distante das ingratas ciências humanas. Mas, saiba, ser escritor quase não é uma escolha, é uma obsessão. Então, se for fazer, se comprometa com essa escolha.

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sorteio de livro pelo boletim

admin em 2 de Maio de 2010 @ 22:56

Anunciamos que já sorteamos os dois livros da escritora Cida Sepulveda entre os assinantes de nosso boletim. Agradecemos a gentileza da escritora, que fez questão de autografar os exemplares.

Coração Marginal vai ser enviado a Marcos, de Santos, @abussafi. Parabéns, Marcos!

Fronteiras foi sorteado e quem ganhou foi Elizabeth M., que ainda não entrou em contato com a gente. Aguardamos por um mês, Elizabeth, ok?

Saudações literárias!

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Entrevista com Cida Sepulveda

admin em 19 de Abril de 2010 @ 21:00

  • Nome | Cida Sepulveda
  • Biografia | Paulista do interior, ex-bancária, formada em Letras pela Unicamp, professora de Língua Portuguesa da Rede Municipal de Campinas, três livros publicados e algumas participações em antologias, escreve resenhas para o Rascunho, um filho e uma filha maravilhosos.
  • Site | www.revistavagalume.com.br
  • E-mail | cida.sepulveda@uol.com.br
  • Livros publicados Sangue de romã, Poemas,
    Coração Marginal (link no Rascunho)
    , Fronteiras – Poemas

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Em nosso blog, falamos bastante sobre o escritor estreante, suas dificuldades em ser publicado por uma editora e ter o sonho do primeiro livro impresso. Hoje convidamos uma escritora já publicada e reconhecida para conversarmos. A obra de Cida Sepulveda foi chamada por Manuel de Barros de “Milagre estético” e foi resenhada por Nelson de Oliveira, entre outros.


Como é ser uma escritora já reconhecida? É mais fácil agora a publicação de novos livros?
CIDA |
Caros e caras, sou reconhecida apenas pelo poeta Manoel de Barros que muitos elogios me fez em várias cartas que me escreveu e também na apresentação do meu livro Coração marginal. O reconhecimento dele me abre portas em relação às pessoas que o conhecem, mas não no mercado editorial. A publicação do livro foi um parto a fórceps. Não espero mais facilidade para publicar o próximo livro que está quase pronto. Mas pode ser que eu tenha sorte. Entretanto, me deixa feliz ser lida pelos meus alunos do ensino fundamental do Parque Oziel. Eles leem mesmo e fazem comentários surpreendentes.


O escritor depois de publicado e reconhecido por seus leitores e críticos ainda tem novos desafios? Quais?
CIDA |
Cada texto é um novo desafio. Só assim criamos de verdade. Ao artista que se alimenta do fazer artístico, não basta reproduzir o já feito. Ele tem que sentir mudanças em seu trabalho, ainda que pouco perceptíveis a leitores menos atentos.


Falando em crítica, qual foi sua experiência em ler críticas de seu livro na mídia?
CIDA |
Foi excitante. Recebi muitos elogios de vários autores importantes. Álvaro Alves de Faria escreveu sobre meu livro de poemas Sangue de romã, no Rascunho, com muita propriedade, realçando as colocações do prefácio do filósofo Roberto Romano. Paulo Bentancur escreveu uma resenha no Estadão cujo título é O nascimento da Vênus bruta. Manoel de Barros me compara, em termos de importância, à Clarice Lispector. Maurício Melo Júnior, do programa Leituras da TV Senado, fez uma entrevista inesquecível comigo. Margarida Patriota me entrevistou no programa Autores e Livros da rádio senado. Marco Antunes, coordenador de literatura do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares, da Câmara Federal, fez um Sarau homenageando quatro damas da literatura, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Alfonsina Stormi e Cida Sepulveda… Que mais posso desejar?


Não sei se podemos falar sobre isso, mas houve um fato delicado em sua vida literária. A Academia Campinense de Letras insistiu em chamá-la para participar da academia mas depois retirou o convite. A alegação para isso nos soou como estranhamente antiliterária e até retrógrada. Pode nos falar sobre isso?
CIDA |
Posso e devo. Na época me calei porque fiquei revoltada e não queria usar meu precioso tempo com estupidez. Na verdade, o caso aconteceu com a Academia Campineira de Letras. O presidente, Sérgio Caponi, me interpelou pedindo que me candidatasse a uma cadeira. Eu respondi que não me interessava por esse tipo de prática. Ele insistiu, disse que a Academia precisava de meu nome, caso contrário, seria criticada no futuro, por ter deixado passar uma artista do meu porte. Tanto insistiu que eu disse: tudo bem. Ele, então, respondeu que era necessário pagar algumas taxas. Recuei de novo. Falei: não gasto dinheiro com isso. Não ganho dinheiro com literatura. Ele deu um jeito de me poupar as taxas. Com timidez em relação à situação fiz a inscrição. Soube logo depois que alguns membros da Academia se revoltaram contra a candidatura, me taxaram de pornográfica, profana. Disseram que fariam campanha difamatória contra meu livro. Um horror! O presidente, envergonhado, me pediu que retirasse a candidatura, para que o evento não manchasse a reputação da Academia futuramente. A Cecília Prada, que então nem me conhecia, presenciou a tal campanha. Eu não estava presente nas vezes em que me “condenaram”. O que sobra disso é nojo.


Além de escritora, você ainda desempenha vários importantes tarefas: é crítica e resenhista do jornal Rascunho, é professora, mantém o site da revista eletrônica Vagalume. Essas diversas atividades complementam-se? Elas ajudam a compô-la como escritora? Qual delas é a mais desafiadora?
CIDA |
Fazer resenhas para o Rascunho me agrada muito. Acho que a crítica literária no Brasil está praticamente extinta. Aproveito o espaço que o Rogério Pereira, editor do Rascunho, me cede e faço a minha crítica ou divulgo gente que considero importante ao cenário literário brasileiro. A Vagalume surgiu como um espaço onde eu me divulgaria e ao mesmo tempo contracenaria com outras vozes literárias. Não gosto de ter um blog, de ter voz egocêntrica. Desejo o diálogo. Acredito na comunidade, por mais individualistas que sejamos. Sim, todas as atividades ligadas à Língua Portuguesa me compõem. Adoro trabalhar como professora do ensino fundamental do município. Trabalho com textos o tempo todo, brigo para que leiam, interpretem, aprendam a gostar da própria Língua.


Sobre escrever, você se dedica tanto a contos quanto a poemas. Há o momento para a poesia e outro para a prosa, ou elas se entrecruzam?
CIDA |
A prosa poética que venho desenvolvendo desde o livro Coração Marginal tem prevalecido na minha produção artística. O poema, em sua forma tradicional, creio, está ganhando outras formas. Na verdade, os gêneros se fundem e acredito que não temos mais fronteiras tão definidas quando falamos em criação artística que envolve pesquisa de linguagem — estudos, como se diz nas artes plásticas. A poesia não está presa a gêneros.


De sua autoria, qual é seu conto e qual seu poema preferidos?
CIDA |
Na verdade, há vários, tanto poemas como contos. Do Fronteiras, cito o poema “A escola”.


Pode transcrever aqui um de seus contos ou poemas?
CIDA |
Um conto surreal que me agrada muito:

Todas as laranjas

Teresa chupou todas as laranjas do pé. As verdes doeram mais. A tarde avançava ilimitada pelas redondezas. O laranjal se estendia até a nascente, beirando o rio. A mina, incrustada na rocha, vazava um olho, o outro se continha para novas gerações. O rio ia pesado de sujeira e tédio. A água límpida da nascente provocava certo constrangimento.

Deitou-se ao lado da correnteza para sentir-se indo sem sair do chão. O som das águas, das pedras, dos insetos, da pele triscando em folhas secas zunia com insistência arcaica. Girou a cabeça para os lados com força, sentiu a musculatura do pescoço travar-se. Nos pés subiam formigas. Enrijeceu o corpo para não ser percebida – como estátua, o mundo lhe daria outras acepções.

A barriga estufada formava cadeia de morros onde as formigas encontrariam desde abrigos até deslizamentos fatais. Da boca escorriam líquidos e jorravam bagaços ainda frescos. Sentiu molhar as orelhas e arder as faces, mas não se mexeu. O sol não se dissipava, embora as horas completassem ciclos vitais.

Teresa teve o primeiro arranhão à meia-noite, em total consciência. Ele chegou a pé, tirou o canivete da cinta e cortou-lhe os cabelos tímidos. Ela parou de respirar. Seus olhos se encontraram com os dele. Teve medo, mas o encarou. Ele a devorou por dentro e por fora.

No local do crime, o povo enfiou uma cruz rústica onde gravaram o nome e a idade da vítima. O rio inundado pela tempestade lavou o sangue e o cheiro da laranja. O silêncio desbastou mágoas remanescentes. O assassino saiu ileso. Se meteu nos laranjais que refloriam iludidos. Construiu um casebre de papelão e arame nos cafundós, recanto onde o rio se contrai e vira fio de lama, e os matagais encobrem pecados.


Agradecemos a entrevista e desejamos a você muito sucesso.

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Entrevista com Carlos Alberto Silva

admin em 21 de Janeiro de 2010 @ 06:16


O conto “Separação”, de Carlos Alberto, recebeu menção honrosa no Concurso da Ofício Editorial.


Fizemos uma breve entrevista com ele e foi-nos autorizado transcrever o conto na íntegra. Deixaremos aqui os dados de Carlos Alberto para que vocês possam entrar em contato com ele e pedimos a gentileza de, se desejarem reproduzir algum trecho do texto, peçam a autorização para o escritor.

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  • Nome | Carlos Alberto Silva
  • Biografia | Carlos Alberto Silva nasceu na cidade de São Gonçalo do Sapucaí, no sul do estado de Minas Gerais, em 7 de julho de 1970. Trabalhou nos Correios e na Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais e atualmente é economiário. A aptidão pelas letras desde a escola primária o motivaram a continuar escrevendo. Alguns de seus textos foram premiados em concursos literários e publicados em antologias.
  • E-mail | cssgsmg@hotmail.com ou carlosalberto.oi@oi.com.br
  • Orkut | http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16403549481218065285


Conte a sua relação com a escrita
Carlos Alberto |Creio que a resposta mais verdadeira seja “escrevo porque tenho alguma habilidade para isso, porque um dia escrevi um texto qualquer, tive prazer em fazê-lo e o resultado foi bom”. Mas o que me motiva é tentar escrever melhor. Sabemos que há muitas maneiras de se dizer a mesma coisa e o mérito de um bom escritor é ser capaz de dizer precisamente o que deseja dizer.


A escrita tem relação com sua profissão?
Carlos Alberto | A escrita e o conhecimento da língua certamente me são úteis no trabalho, mas são universos bastante distintos.


Qual é a sua rotina para escrever: desde quando, em qual hora do dia, com que frequência, como, onde etc. escreve?
Carlos Alberto |Faço literatura desde que me alfabetizei, mas isso sempre aconteceu de forma esporádica. Mesmo hoje leio e escrevo um pouco menos do que deveria, já que escrever é um exercício constante de aperfeiçoamento. Para escrever eu preciso de um tempo e de uma tranquilidade de que nem sempre disponho. O escritor precisa estar ausente da realidade, e para quem não vive da literatura nem todo tempo livre é tempo útil para escrever. Há quem abra o laptop em qualquer lugar público e trabalhe ali mesmo, mas não sou uma dessas pessoas.


Quais são seus escritores favoritos?
Carlos Alberto |Se apontar um escritor favorito, corro o risco de não estar dizendo a verdade. Pode ser algum de quem só li um livro ou pode ser que eu ainda não o tenha lido. Vou citar os dois autores que mais li nos últimos tempos: Fernando Sabino e Rubem Fonseca, tão opostos quanto extraordinários. Enquanto Sabino convida o leitor a uma conversa agradabilíssima, Fonseca parece buscar um nível de violência e imoralidade que chegue a ofender até seu leitor menos escrupuloso. Eu os descobri tarde por serem autores de textos curtos, motivo pelo qual os leio agora, mais por interesse de escritor do que de leitor.


Sobre esse seu conto: como foi o processo de escrita? (Como você escreve, se estrutura todo o conto antes de escrever, quanto tempo leva, se reescreve, se pede para amigos lerem etc.)
Carlos Alberto |O conto “Separação” nasceu de uma boa sacada: “E se um homem heterossexual decidisse pedir pensão alimentícia a um ex-colega de apartamento?” Minha intenção era que fosse apenas aparentemente banal e que o leitor não deixasse de perceber nele uma crítica à sociedade atual, com suas leis, códigos e estatutos. Não fiz nenhum planejamento, só tinha em mente que era um texto para escrever à maneira de Luís Fernando Veríssimo, conciso, leve, divertido. Sei que Veríssimo tem uma legião de imitadores, mas quando terminei, percebi que havia me saído muito bem. Eu o escrevi em poucos minutos. Se não consigo assim (e geralmente não consigo) costumo demorar muito. Depois de pronto, mesmo voltando a ele diversas vezes, como faço habitualmente, quase nada foi alterado. Tento escrever logo o texto definitivo, senão começo a achar que está bom o que escrevi, mesmo que não esteja, ou tenho dificuldade em fugir do que já está feito. Na verdade não gosto de fazer alterações. Se depender de mim, até os inconvenientes cacófatos, lugares comuns e afins acabam ficando. Um texto se torna definitivo quando chega às mãos do leitor, então eu sou o meu primeiro leitor. E se não for publicado, ninguém terá acesso a ele, a não ser minha esposa. Ela tem uma capacidade única para perceber detalhes da trama e identificar inconsistências.


O que é mais importante: ter uma ideia inovadora ou um desenvolvimento bem trabalhado?
Carlos Alberto |Existe o consenso de que não há histórias ruins, mas histórias mal contadas. Bem, é claro que existem, mas concordo com a afirmação. É possível narrar qualquer coisa de maneira cativante, ou pelo menos eficiente, portanto o desenvolvimento é mais importante do que a ideia. Eu, particularmente, preciso de uma ideia concreta, e acho importante que o texto chegue a algum lugar. O final precisa significar alguma coisa, e, embora eu raramente saiba como será, ele costuma surgir na hora certa. Tenho lido contos bem elaborados sobre coisa nenhuma, mas não gosto disso. Algumas das minhas melhores páginas estão na gaveta porque não se transformaram em uma história.


Para você, o que é qualidade na obra literária? Como você avalia o que você escreve? Você relê e reescreve a primeira versão de seu texto?
Carlos Alberto |Uma obra literária deve ser feita para o leitor. Deve ser compreendida por ele e ter algo a oferecer. Deve, creio, se situar acima do leitor em algum aspecto. O escritor precisa saber o que faz, quem ele representa, ou, se propõe algo novo, deve saber exatamente o que é. Quanto a mim, o que escrevo são exercícios, e alguns bem-sucedidos. Eu releio meus textos muitas vezes, mas não mexo nos que considero bons. Os outros, eu procuro corrigir e aperfeiçoar, mas nunca tento reescrever. Ficam sempre à espera de que eu encontre uma porta, um meio de ter acesso a eles para resgatá-los.


De sua experiência com a escrita, qual foi a lição mais valiosa que aprendeu?
Carlos Alberto |Mais de uma vez eu achei que estava pronto, para depois descobrir que não. Hoje tenho consciência do quanto posso evoluir. Mas descobri que nenhum escritor é bom o suficiente. Há algum tempo li um artigo em que o autor distribuía críticas duras a escritores reconhecidos. Classificava escritores como obscuros, falava em gerações inteiras que não resistiram ao tempo e, no final, praticamente afirmava que abaixo de Machado de Assis (que também foi criticado) não existe ninguém. Um exagero, é claro, mas escrevem essas coisas por aí.


Agradecemos sua participação no concurso e desejamos muito sucesso!


“O escritor declara que o texto é original e de sua exclusiva autoria. É proibido a reprodução parcial ou integral deste texto sem autorização expressa de seu autor”.


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“Separação”
Pseudônimo: Belo

Eduardo e Jurandir eram dois amigos que dividiam um apartamento havia alguns anos. Conheceram-se por intermédio de uma amiga comum. Por algum tempo a relação fora conveniente, mas chegara a hora de cada um seguir seu caminho.
– Meu relacionamento com a Soninha está ficando sério e eu preciso morar sozinho – disse Eduardo como se não tivessem falado do assunto durante semanas.
Jurandir tinha certeza de que não era verdade. E de fato não era. No tempo das vacas magras, quando eles comiam pão de fôrma e dividiam o desodorante, deram-se por satisfeitos porque nenhum dos dois roncava ou gostava de música romântica sertaneja. Eduardo batalhava por uma carreira de publicitário e Jurandir tentava o mesmo no jornalismo. Mas agora Eduardo colhia os frutos de mais uma campanha vitoriosa para um grande fabricante de bebidas e Jurandir apenas havia trocado os classificados pelo caderno da cidade. Eduardo conhecia mulheres cada vez mais bonitas e comprava desodorantes cada vez mais caros. Tinha um home theater com monitor wide screen gigante e uma coleção de DVDs importados.
Jurandir estava emocionado.
– Desculpe. Uma separação é sempre dramática – ele era sempre dramático.
– Se precisar de alguma coisa, “estamos aí”.
– Acho que podemos resolver tudo amigavelmente.
– Quê?!
– Você vai precisar me pagar uma pensão – Jurandir já não demonstrava nenhuma emoção.
– Tá louco?!
– Você ganha muito mais do que eu. Sabe que eu vou passar por dificuldades.
– E por acaso eu sou seu marido?
“Só pode ser brincadeira”. Eduardo sabia que as inconveniências do Jurandir nunca eram brincadeira.
– A lei está cada vez mais abrangente nessas questões.
– Você só pode estar louco!
– Du, é comum as pessoas confundirem as relações. Entendo que você não tenha se dado conta, mas temos uma história juntos.
– Por acaso constituímos uma família?
– Há várias modalidades de família. Não se lembra de Friends?
Friends! – erguendo o indicador na direção de Jurandir, e como quem diz “Bingo!” – amigos. É isso o que somos. Amigos!
– Nós até já dividimos uma cama de casal, Du!
– No churrasco no sítio do Marcão? Oito pessoas. Só tinha dois quartos. Eu estava virado para os pés. A porta estava aberta e tinha gente dormindo na sala.
– Eles comentam até hoje.
– Gozação. Eles comentam até hoje que você ficou com um travesti no Carnaval de 99. E isso também é mentira.
– Talvez não seja.
Eduardo não tem palavras. Jurandir:
– Também dormimos juntos aqui por um bom tempo. A faxineira pode confirmar.
– Pouquíssimo tempo! Só até você comprar uma cama.
– Tudo bem. Eu tenho provas materiais. O aluguel está no seu nome e sou eu quem paga. Com cheques. O banco pode fornecer cópias.
“Canalha!”
– Mas eu deposito a minha parte na sua conta!
– Nada mais harmonioso.
– Você não vai conseguir nada com isso.
– Nós saímos juntos e tomamos vinho, Du! Amigos não tomam vinho!
– Você toma vinho! Eu tomo cerveja.
– Aquela importada, de garrafinha? Muito suspeita. E o cinema? Nós vamos juntos ao cinema.
– Jackie Chan! Quem você queria que eu chamasse?
– Como pode negar a nossa relação, Du? Eu deixava bilhetinhos em francês para você!
– Mania sua de praticar. Eu não guardei nenhum. E pare de me chamar de Du.
– Tudo bem. E o Le Petit Prince que você me deu? Com aquela dedicatória? Você assinou “Du”.
Eduardo estava derrotado. Tentou uma defesa:
– Você queria uma leitura fácil. Eu achei que aquela era fácil.
Mas era inútil. Um exemplar de Le Petit Prince, original em francês, com aquela dedicatória, e assinado “Du”, era prova cabal, irrefutável, irrecorrível, irretratável.
– Vamos expor nossa intimidade num tribunal, Du? Um caso como esse vai parar na televisão. Meus colegas da imprensa vão se solidarizar. Você não vai querer esse tipo de publicidade. Se resolvermos tudo amigavelmente vai passar despercebido. Casos resolvidos com honestidade e respeito não interessam a ninguém.
Eduardo duvidava disso. Jurandir completou:
– Minha “advogada” disse que você não tem chance!
O advogado do Eduardo o aconselhou a ter cautela. Era preciso pensar em todas as consequências de uma separação. Dar um tempo para ver se não se acertavam ou se Jurandir não se interessava por outra.
Hoje Eduardo e Jurandir ainda vivem juntos. Jurandir ficou com a parte de baixo da geladeira e o banheiro do corredor. Usa a sala nos dias ímpares mas não pode ligar o home theater. Pelo menos não quando o Eduardo está em casa.

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Concurso de Contos Ofício Editorial - Resultado Final

admin em 24 de Dezembro de 2009 @ 13:34

Já estou sentindo o cheiro do assado, e aquela música do pisca-pisca não para de tocar. Os parentes chegando, conversando, brigando e se amando… É praticamente Natal e o Bom Velhindo vem trazer uma novidade: o resultado final do Concurso.

Sei que já desceram à lista e só depois voltaram para ler este texto introdutório. Creio que o mais importante deste trabalho é o incentivo aos novos escritores. E ficamos muito felizes com o resultado: ótimos textos e, contrariando as críticas que recebemos no início da proposta do concurso, vimos que há um potencial imenso naqueles que, muitas vezes, não têm o espaço devido. Textos notáveis. Tanto que fomos surpreendidos pela quantidade e qualidade.

Destacar-se num concurso não é sinal de estar pronto, mas sim de que é preciso se desenvolver, estudar, ler muito e escrever muito mais.

Antes de tudo, obrigado pela confiança depositada em nosso trabalho.

Resultado Final

  • 1º Lugar: “Relicário”, de Maria
  • 2º Lugar: “Café da manhã no inferno”, de Bruna Coletti
  • 3º Lugar: “Ao ninho nunca mais voltarás”, de Maximiliano Arosa
  • 4º Lugar (menção honrosa): “Separação”, de Belo
  • 5º Lugar (menção honrosa): “Olhos amarelos”, de Cid Campos
  • Dentro de alguns dias enviaremos os prêmios indicados aos vencedores.
    Muito obrigado a todos! Que neste Natal uma esperança nova possa surgir na vida de vocês!

    Saudações literárias,

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    Concurso de Contos Ofício Editorial - Lista de pré-selecionados

    admin em 22 de Dezembro de 2009 @ 10:23

    Textos pré-selecionados

    Os Prêmios literários no exterior adotam uma prática que certamente deveriam ser também utilizadas em nossos concursos no Brasil: eles selecionam os 20 ou 10 melhores trabalhos e deixam que o público saiba disso, é a Long List. Depois, eles anunciam, em algumas semanas, uma short list com apenas 5 selecionados e, somente depois disso, eles anunciam os vencedores (1 ou 3) e a menção honrosa. Essa medida é ótima pois torna público não somente os vencedores, mas os melhores classificados, dando a esses escritores a oportunidade de serem reconhecidos pelos leitores e pelo mercado editorial.

    Nós, da Ofício, também planejamos lançar uma long list e uma short list. Mas precisamos, antes, nos desculpar com vocês, nossos estimados colegas. Perdoem-nos pela demora. Não esperávamos receber tantos textos inscritos e estamos fazendo um trabalho sério com eles. Estamos lendo, anotando pontos importantes e dicas para depois passarmos para todos, sempre de modo a respeitar o anonimato.

    Bem, aí vão os textos pré-selecionados no concurso, a nossa lista extensa, Long List:

  • “Ao ninho nunca mais voltarás”, de Maximiliano Arosa
  • “Bianca”, de Cafeinado
  • “Café da manhã no inferno”, de Bruna Coletti
  • “Conto de Natal, Um”, de Transeunte
  • “Depois”, de Iv Ewan
  • “Desencanto”, de Príncipe
  • “Flores, perecíveis flores”, de Livromaniaco
  • “Incrível exército petit-pois, O”, de Eróstrato
  • “Luz de Delft, A”, de Filipe Arnaso
  • “Mãos frias, coração quente”, de Zero Notável
  • “Nabokov”, de Belo
  • “No trem em movimento”, de Débora Didonê
  • “Nuances mais opacas, As”, de Miguel Cortázar
  • “Olhos amarelos”, de Cid Campos
  • “Quem espera sempre alcança”, de Zero Notável
  • “Relicário”, de Maria
  • “Reverência, A”, de Natalina
  • “Rimas revolucionárias em céu de brigadeiro”, Pietro de Aragão
  • “Seguro de vida”, de Neruda
  • “Separação”, de Belo

  • Dentro de dois dias teremos o resultado final de nosso concurso! Sucesso a todos!

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    Entre o colunismo literário e a crítica

    admin em 31 de Outubro de 2009 @ 20:04

    Imagem livro 1 - Imagem livro 1

    Com o advento das mídias de massas nos anos de 1970 – no Brasil –, a indústria de bens culturais toma corpo em nosso país, e esse fenômeno provoca mudanças significativas em todas as formas de arte, o que não exclui a literatura.

    Nesse momento, o que está em jogo é uma mudança de paradigma. A arte – fruto da originalidade, da criação autoral, do valor estético – passa a funcionar de acordo com a lógica da indústria – produção em série, repetição, ausência de autoria –, o que tem consequências profundas para a sua forma. Há muitas divergências em relação a esse tema. Muitos teóricos defendem, em partes, a entrada da arte na lógica da indústria, pois percebem essa mudança como democratização da arte das elites em vistas de um acesso para um público mais amplo. No entanto, não é este o ponto desta discussão.

    A questão principal é que valores permeiam a crítica desse tipo de arte, ou qual é o lugar da crítica dentro da lógica da reprodutibilidade.
    Não é estranho a nenhum de nós, amantes da literatura, adquirir os jornais e ir, logo, em busca do suplemento literário, no intuito de verificarmos as novidades do mundo das letras. Mas o que encontramos na maioria desses suplementos, diferentemente de “crítica”, é o “colunismo literário”.

    Colunismo literário é um termo cunhado já por Antonio Candido (apud Pellegrini, p. 165), que faz referência aos textos, geralmente escritos por jornalistas. Textos estes que, ao invés de estarem comprometidos com a qualidade literária (aspectos estéticos e, portanto, humanizadores), estão relacionados ao marketing do produto livro. Portanto, servem apenas de resumo, reproduzindo o desejo mercadológico de venda do produto. Assim, os que se autodenominam críticos literários, muitas vezes não passam de reprodutores das lógicas do mercado, o que é uma atitude totalmente contrária à crítica.

    O principal problema que vem à tona é a influência que esses “críticos” têm em relação à massa de leitores (sendo este número já bastante reduzido), portanto, “formam” (ou deformam) opinião. Esses colunistas literários, muitas vezes, são “patrocinados” pelas próprias editoras, pois recebem os livros, escolhem frases que chamam a atenção do leitor para que este tenha o desejo de consumi-lo, e reproduzem isso, geralmente com um texto de linguagem acessível (poética, muitas vezes), que, longe de uma análise realmente crítica, tem status de propaganda. Nada contra a resenha jornalística, a informação sobre um livro, mas – convenhamos – assim é fácil fazer “crítica”. É fácil elogiar Machado de Assis. É engrandecedor poetisar sobre um novo texto de Gabriel Garcia Marquez. Mas onde está a coragem e o verdadeiro conhecimento literário? Onde está o crítico literário que avalia os livros de escritores não consagrados e aponta aos leitores e a seus pares os erros e acertos?

    Segundo Tânia Pellegrini,

    “[…] o que se pode perceber, então, é que o crescimento editorial, se não estimula a reflexão crítica – muito pelo contrário, pois o interesse é vender livros e não analisá-los – estimula a ampliação do espaço para a literatura da imprensa, pelo mesmo motivo: notícias, resenhas, colunas, comentários […] sempre colocam o objeto-livro em evidência” (p. 168).

    Recomendamos a leitura de A imagem e a letra, de Tânia Pellegrini (Mercado de Letras, 1999). Um bom livro que discute um pouco sobre esse tema.

    Participe, deixe seu comentário!

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