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	<title>OFÍCIO LITERÁRIO</title>
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	<description>Literariedades de quem tem o texto como ofício</description>
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		<title>O que estou aprendendo ao me autopublicar</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 21:02:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Editores]]></category>
		<category><![CDATA[Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos imaginar que você esteja planejando lançar um livro de forma independente. Todos estão comentando sobre isso, não? De como é fácil, rápido, lindo. Bem, eu fiz isso e posso dizer que não é tudo de bom, nem de ruim. Desde meu tempo de faculdade, escuto que a autopublicação é um tiro no pé. Publicar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2012/05/shadow.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-519" title="shadow" src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2012/05/shadow-1024x282.jpg" alt="" width="651" height="103" /></a></p>
<p>Vamos imaginar que você esteja planejando lançar um livro de forma independente. Todos estão comentando sobre isso, não? De como é fácil, rápido, lindo. Bem, eu fiz isso e posso dizer que não é tudo de bom, nem de ruim.</p>
<p>Desde meu tempo de faculdade, escuto que a autopublicação é um tiro no pé. Publicar não é difícil, mas sim colocar o livro no mercado. Isso sempre foi verdade, mesmo agora, em nossa época de contatos internéticos. É mais fácil do que antes o era, divulgar sua obra e colocá-la à venda em livrarias, mas não é bolinho, não. Já escutou aquela piada infame sobre como um editor se suicida? Ele pula de cima de seu estoque. Bem, com a autopublicação é o mesmo risco.</p>
<p><strong>Ponto positivo</strong></p>
<p>• Se você não sabe produzir livros, contrate alguém que saiba. Pode não acreditar, mas faz diferença. Um livro bem produzido tem nele trabalho profissional aplicado. No meu caso, eu sempre trabalhei com produção de livros, então realizei a maioria das etapas sozinha, mas, mesmo assim, contratei o serviço de uma ótima preparadora de original e de um ilustrador para a capa do livro. Eu mesma diagramei o livro no InDesign, fiz as leituras, a revisão de provas, composição de capa, textos de capa etc. O legal de você mesmo fazer é que pode escolher exatamente o que quer (isso raramente ou nunca aconteceria se você colocasse o livro em uma editora).</p>
<p>• E-book: o processo para fechar um livro como Epub ou Mobi é bem simples para quem conhece o trabalho. Se você nunca diagramou um livro, contrate alguém que saiba. Fechar um arquivo nesses formatos depende de um arquivo que tenha passado por uma boa diagramação e conhecimento em depurar e corrigir erros em ebook. Eu usei o livro da coleção Ebooks da Bytes e Types e já me bastou.</p>
<p>• Caso você tenha apoio para publicação, tem o diferencial da tranquilidade na publicação e comercialização. Se você não tem pressa para vender, pelo fato de sua tiragem já estar paga, você pode pensar nas melhores formas de colocar sua obra no mercado. Tente obter apoio para publicação. Veja editais do governo e programas de apoio de empresas e centros culturais.</p>
<p>• Você tem a chance de planejar o que fará com sua tiragem. Como o escritor e sua produção ainda são quase desconhecidos pelo mercado, o escritor pode dedicar parte de seus exemplares para divulgação em escolas, bibliotecas, blogues de resenhadores, centros de leitura, mídia etc. Assim, sua obra passa a circular e conquistar novos leitores. Eu, sendo totalmente desconhecida como escritora, enviei meu livro para resenhadores na internet (a maioria deles faz resenha também no youtube), pessoal da mídia, bibliotecas, além de parentes e amigos. Meu foco é o de circular a obra. Como o livro teve apoio do PROAC, 20% da tiragem é doada pela Secretaria de Estado da Cultura para o Programa São Paulo: Um Estado de Leitores. A doação de parte da tiragem não influencia negativamente sobre as vendas.</p>
<p>• Se você não tem muita grana, pode investir em uma produção on-demand. Já tem muita gráfica oferecendo esse serviço. Tenha o livro em papel.</p>
<p>• Sobre divulgação, eu não consegui investir muito. Você pode anunciar em revistas (super caro), em boletins on-line (caro), na TV (impossível), em metrô e ônibus (possível) e na internet (como booktrailer, no facebook, no google etc.). Não é apenas uma questão de desembolsar grana, mas, principalmente, de identificar onde está seu público. E isso é bem difícil. Às vezes, mesmo sabendo onde esse povo mítico está, e investindo pesado (como é o caso de editoras), você não obtém retorno significativo. No meu caso, quando editora, já vi um investimento que não teve um bom resultado. E no meu caso como escritora e editora indie, aproveitei os recursos que tinha em mãos: fazer blogue com material sobre o livro (inclusive planejamento de leitura para ser usado em sala de aula), página no facebook para compra do livro, twitter, ter um canal no youtube, mailing pessoal para envio de e-mail e um booktrailer. O meu maior investimento foi o booktrailer (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=byOVx6uLhFc" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=byOVx6uLhFc</a> , produção da Animar Estúdio e narração de Arthur) e já percebi que foi ele que mais conseguiu chamar a atenção do pessoal.</p>
<p>• Ainda sobre divulgação, não imagine que, colocando seu livro em uma editora tradicional (que não cobra pela produção) ou em uma editora que cobra, você terá uma divulgação grande. Não terá. A editora te oferece um lançamento como cortesia e o diferencial é que seu livro fica no catálogo dela. Mas, até aí, colocar o livro no mercado é um trabalho árduo que nem toda editora realiza dedicando a mesma atenção a todos os títulos de seu catálogo.</p>
<p>• Você vai conhecer muita gente legal, que te dá uma chance, lê o que você escreve e te incentiva a progredir e caminhar. Faça novas amizades e converse, troque experiências. O mercado editorial não é fácil e não te dá dicas.</p>
<p><strong>Ponto negativo</strong></p>
<p>• Caso você não tenha apoio para publicação, você terá de pagar por todo processo, o que é bem custoso. A produção e impressão de uma tiragem de 1500 exemplares, por exemplo, dificilmente sai por menos de 10 mil reais. É muita grana.</p>
<p>• Se você optar pela impressão on-demand, você não circula sua obra pelo mercado. Ou seja, só pede teu livro quem te conhece. E quem te conhece? Aqui, a melhor opção é se ter em casa uma tiragem mínima, uns 300 exemplares.</p>
<p>• A colocação em livrarias é bem difícil, mas não impossível. Basta você procurar o site da livraria e telefonar. Fale com o responsável pelo setor de compras. Normalmente, a livraria fornece uma nota fiscal ou ela pede para que você o faça. Você tem Nota Fiscal de circulação de produtos ao se cadastrar na Secretaria da Fazenda de sua cidade (pode ser MEI) ou pode fornecer Nota Fiscal Avulsa. A dificuldade que pode haver é que a maioria das livrarias quer Nota Fiscal Eletrônica e o processo todo é bem moroso.</p>
<p>• A colocação em distribuidores é impossível. Todos com os quais conversei até o momento só aceitam representar editoras com catálogo sólido. A colocação de um livro em um distribuidor é bem importante, uma vez que eles levam o livro até vários postos comerciais de um estado e, até mesmo, podem entrar em licitações de compra de governo. As compras de governo são o sonho das editoras e escritores.</p>
<p>• O mercado para ebooks atualmente é muito pequeno. Mesmo que você feche seu livro em Epub e Mobi, terá pouca ou nenhuma venda. O livro em papel é ainda bem mais consumido e lido.</p>
<p>• Você vai conhecer muita gente legal, mas muita gente que verá em você uma chance de aparecer. Cuidado. Uma coisa é resenharem Clarice Lispector, e outra é você. Além de você ainda ser verde como escritor (como é meu caso), você pode ser mais duramente criticado pelo simples prazer que outros têm em fazê-lo. Mas não despreze nenhuma crítica, todas são bem-vindas. Um escritor cresce sendo humilde e persistente.</p>
<p>• Tem tanta Feira e Festa do livro, bate-papos, é fácil participar. Mentira. Não pense que você vai vender na Bienal ou na Flip. Não vai. Para cada evento, você terá de encontrar um livreiro que aceite levar seu livro para ser vendido. Não é impossível, mas demanda tempo e paciência.</p>
<p><strong>Chegando a algumas conclusões</strong></p>
<p>• É sempre melhor tentar colocar sua obra em uma editora tradicional. Uma editora que não cobre pela produção e te dê 10% de sua venda. Assim, você, escritor, pode fazer o que gosta (escrever) e não lidar com burocracias comerciais e financeiras. Se uma editora assim aceitar publicar sua obra, comemore e vá fundo.</p>
<p>• Você deve pesar muito bem a opção de colocar sua obra em uma editora que cobre pela produção. Se você sabe diferenciar um trabalho bem feito, não tenha medo. Mas tenha em mente que você irá pagar duas vezes, uma vez ao cobrir todos os custos e depois ao receber apenas 10% (ou menos) do que a editora vender. A tiragem, apesar de paga por você, não é sua. Avalie o catálogo da editora e pesquise se os livros dela estão bem colocados em livrarias e distribuidores. Encontre os escritores que já publicaram nela – é fácil achar qualquer um no facebook, Orkut, twitter, skoob etc. – e converse com eles, pergunte se gostaram, como foi. Há boas editoras sob demanda, procure.</p>
<p>• É essencial buscar informação sempre. Informação sobre livrarias, tecnologia, propaganda, escritores de sua área, feiras e eventos, enfim, sobre tudo.</p>
<p>• Uma amiga me disse que todos somos vendedores. O escritor precisa exercitar seu lado vendedor? Não sei. Ainda sou reticente sobre isso. Tenho a romântica ideia de que o escritor tem é de escrever. Mas e daí? Vai viver do que? Da boa-vontade do Estado, de mecenas, ou contando com a sorte? É, um escritor não vai viver do que escreve. Raros são os casos em que tudo dá certo. Então tenha sua profissão ganha-pão e escreva no tempo que você fizer sobrar.</p>
<p>• Propaganda é a alma do negócio. Costumo dizer que negócio não tem alma, mas, enfim, a propaganda é o diferencial. São muitos textos na internet, nas livrarias, nas bibliotecas e nós não somos um país com tradição de leitura. Quem se destaca, vende. Mas, escritores que já estão há muito nessa lida me disseram que o que conta é a propaganda boca a boca e a sorte. Bem, boa sorte a todos nós, então.</p>
<p>• Vários amigos me disseram que o ideal é que os escritores fossem mais unidos, trocassem experiências e propiciassem um meio em que houvesse circulação de notícias e informações. Eu acho isso bem difícil e, na real, não sei como fazer, mas tenho algumas sugestões:<br />
o Monte sua editora com amigos escritores. Exemplos de sucesso são a Não Editora, a Tarja, a Edith. Mas para dar certo é imprescindível a atuação obsessiva de todos. Além de dinheiro, óbvio. Por baixo, uma empresa recém-aberta tem o custo de uns mil e quinhentos só por estar aberta. Some a isso todos os outros custos de serviços e produtos.<br />
o Se você é escritor e tem um blogue de resenhas, passe a resenhar escritores nacionais conhecidos ou não. É o início de circulação de informação e valorização de nossos artistas.<br />
o Crie diálogo constante com outros escritores. Escritores têm de se unir mais. Não ter medo de conversar.<br />
o Compartilhe o que aprendeu, seus erros e acertos.</p>
<p>Saudações literárias,</p>
<p>Érica Bombardi<br />
<a href="http://ericabombardi.wordpress.com/fatum/" target="_blank">http://ericabombardi.wordpress.com/fatum/</a></p>
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		<title>Idos de Março</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 13:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[  &#160; &#8220;Deves sempre temer as grandezas, oh alma. Se não consegues dominar as ambições que tenhas, cuida então, com dúvida e prudência, de as tolerar. E quanto mais adiante fores, mais cuidadosa, mais inquisitiva sê.&#8221; Konstantinos Kaváfis (trecho de &#8220;Idos de Março&#8221;)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"> <a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2011/11/alexandria.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-501" title="alexandria" src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2011/11/alexandria.jpg" alt="" width="500" height="181" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;Deves sempre temer as grandezas, oh alma.<br />
Se não consegues dominar as ambições<br />
que tenhas, cuida então, com dúvida e prudência,<br />
de as tolerar. E quanto mais adiante fores,<br />
mais cuidadosa, mais inquisitiva sê.&#8221;</p>
<p><a title="Konstantinos Kaváfis" href="http://www.infopedia.pt/$konstantinos-kavafis" target="_blank">Konstantinos Kaváfis</a> (trecho de &#8220;Idos de Março&#8221;)</p>
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		<title>Ler devia ser proibido</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 14:09:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ler devia ser proibido]]></description>
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		<title>Reino das névoas</title>
		<link>http://blog.oficioeditorial.com.br/index.php/2011/09/04/reino-das-nevoas/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 00:04:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Escritores]]></category>

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		<description><![CDATA[As fábulas de La Fontaine eram contadas na Corte para entreter os nobres. Os contos dos irmãos Grimm foram coletados da tradição oral de camponeses alemães, e eram, então, histórias passadas de geração a geração, tendo, à época, desenlaces bem mais ácidos do que a versão açucarada que vemos hoje nas cores da Disney. Bruno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2011/09/capareinodasnevoas.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-486" title="capareinodasnevoas" src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2011/09/capareinodasnevoas.jpg" alt="" width="112" height="150" /></a>As fábulas de La Fontaine eram contadas na Corte para entreter os nobres. Os contos dos irmãos Grimm foram coletados da tradição oral de camponeses alemães, e eram, então, histórias passadas de geração a geração, tendo, à época, desenlaces bem mais ácidos do que a versão açucarada que vemos hoje nas cores da Disney.</p>
<p>Bruno Bettelheim, em seu Psicanálise dos contos de fadas, expõe a versão original de contos hoje tão populares, como Bela adormecida e Chapeuzinho vermelho, trazendo à tona sua face contundente, bem mais fiel à psique humana, em que, por haver luz, há sombras.</p>
<p>É com muita propriedade que Camila Fernandes (<a href="http://twitter.com/milaf" target="_blank">@milaf</a>) avisa em seu livro: “contos de fadas para adultos”, alertando não apenas para a origem do conto de fada, mas também para o teor surreal e cortante que ela revive. E ela não é inocente. Camila é culpada com mérito. Ela confessa sua premeditação em introdução: “O mundo é cruel. Tomem cuidado”. Sua pena segue a mesma exatidão da lâmina.</p>
<p>Camila narra as histórias com a sonoridade dramática própria desses contos, e, também seguindo o modelo original, traz em cada um deles uma moral. Cada conto é acrescido de uma bela ilustração, obra também da escritora.</p>
<p>O título, <em><a href="http://reinodasnevoas.blogspot.com/" target="_blank">Reino das Névoas</a></em>, é perfeito por ser aguçado, simples, direto. Nas névoas reside o que está escondido, adormecido ou à espreita. A magia do desconhecido nos enfeitiça durante o dia e nos assombra à noite.</p>
<p>Meu conto preferido é “A outra margem do rio”, gostei da história e, embora pudesse supor seu final, nunca teria certeza de qual rota a escritora tomaria. Camila, já disse isso a ela, é imprevisível em suas narrativas e tem o hábito de não ter dó de seus personagens. Esses são os ingredientes iniciais essenciais para uma boa história. Se me permite a sugestão, melhor ainda seria se explicasse cada vez menos, deixando seus leitores sem muita informação sobre o que seus personagens pensam. Que criasse antagonistas com um passado desconhecido pelo leitor, que se desenrolassem a ponto de quase comprimir os demais personagens, como os Jacks de Neil Gaiman em <em>The Graveyard Book</em>. Que se deliciasse com as maldições sem solução, as bruxas e os gatos.</p>
<p>O livro teve apoio do Proac, programa de incentivo da secretaria de estado da cultura, de São Paulo, o que traz para a obra mais credibilidade sobre sua originalidade e criatividade. E foi produzido em parceria com a editora Tarja, essencial para uma boa divulgação e distribuição da obra; parabéns ao editor e também escritor Richard Diegues pela publicação da obra e por sua palavras na orelha da capa.</p>
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		<title>Nunca é tarde para começar na literatura</title>
		<link>http://blog.oficioeditorial.com.br/index.php/2011/02/21/nunca-e-tarde-para-comecar-na-literatura/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 11:19:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[O programa Espaço Aberto, da Globo News, apresentou em 19 de fevereiro (8h30 da manhã) entrevista com escritores que iniciaram sua carreira literária depois dos sessenta anos. Destacamos aqui o depoimento de Angela Dutra de Menezes: “Tive de parar com a literatura. Fui ser jornalista&#8230; tive de me dedicar&#8230; tinha de colaborar&#8230; ao mesmo tempo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O programa Espaço Aberto, da <a href="http://twitter.com/canalglobonews ">Globo News</a>, apresentou em 19 de fevereiro (8h30 da manhã) entrevista com escritores que iniciaram sua carreira literária depois dos sessenta anos.</p>
<p>Destacamos aqui o depoimento de <a href="http://www.blogger.com/profile/04606173708709918623">Angela Dutra de Menezes</a>:<br />
“Tive de parar com a literatura. Fui ser jornalista&#8230; tive de me dedicar&#8230; tinha de colaborar&#8230; ao mesmo tempo que a vida me chamava – pra febre de filho, crescimento, nota, ir no mercado comprar chuchu, abóbora – eu tinha toda uma solicitação intelectual, então eu estava sempre dilacerada, nunca estava inteira em coisa nenhuma, e só pude realmente me dedicar quando o [filho] mais velho casou” (Angela Dutra de Menezes)</p>
<p><a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1440003-7823-ESCRITORES+COMECAM+CARREIRA+LITERARIA+DEPOIS+DOS,00.html">Assista ao programa na íntegra</a>.</p>
<p>Saudações!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O mercado dá poucas oportunidades ou os bons escritores são poucos?</title>
		<link>http://blog.oficioeditorial.com.br/index.php/2011/01/07/mercado-literatura/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2011 00:11:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estamos pensando a literatura e o mercado em pulos. Se olharmos bem de perto, literatura não combina com mercado, e discuti-los assim em paralelo parece ser insensato. Realmente é. Mas nos preocupamos. Queremos ver os escritores nacionais mais publicados, com mais oportunidades, e tendo a escrita como carreira real e não hobbie. Então, como não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos pensando a literatura e o mercado em pulos. Se olharmos bem de perto, literatura não combina com mercado, e discuti-los assim em paralelo parece ser insensato. Realmente é. Mas nos preocupamos. Queremos ver os escritores nacionais mais publicados, com mais oportunidades, e tendo a escrita como carreira real e não hobbie. Então, como não discutir literatura e mercado?<br />
Vamos pensar em pulos. Literatura. Mercado. Como é o cenário atual e o que nos falta, a nós, brasileiros, para termos um mercado que também dê oportunidade aos novos talentos.</p>
<p>Novos talentos? Quem são, onde estão? Quem os encontra? E que mercado é esse?</p>
<p><b>Novos talentos</b><br />
A Copa de Literatura é um projeto – discutível &#8212; para a avaliação de romances em um determinado ano. É lúdico e sem pretensões que não a de gerar uma boa discussão literária. Foi exatamente isso o que encontramos no ano passado.</p>
<p>No site <a href="http://www.copadeliteratura.com.br/">http://www.copadeliteratura.com.br/</a>, em avaliação feita em janeiro de 2010, Paulo Polzonoff (<a href="http://twitter.com/paulopolzonoff">@paulopolzonoff</a>) faz considerações sobre os dois romances finalistas. Sua crítica é direta e polêmica: ele questiona o que é a literatura brasileira. Nas palavras dele, &#8220;este fenômeno que não é só comercial. Na verdade, tudo é muito simples: literatura brasileira, em geral, não é livro que se queira ler. É livro que se pretende estudar, analisar, discutir. Aquilo que parece um romance é, na verdade, um objeto de estudo — um livro praticamente didático&#8221;. Ele diz que os romances que então analisou têm linguagem artificial, parecem construídos para serem estrutura de um real belo mas insosso. &#8220;O que me obriga a repetir: falta à literatura brasileira o teste da oralidade&#8221;.</p>
<p>Falta à literatura brasileira oralidade. E o que mais?</p>
<p><b>Editor</b><br />
Beatriz Bracher fala sobre a “culpa do editor” (<a href="http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&#038;modelo=2&#038;secao=45&#038;lista=0&#038;subsecao=0&#038;ordem=3505"> Jornal Rascunho</a>), por meio de um acontecimento na Editora 34. Ela conta que, àquela época, ao fazer a avaliação de uma obra, ela apontou ao escritor onde o texto poderia ser melhorado. Ela diz que o autor reenviou a obra seguindo as recomendações dela, mas que, mesmo assim, o livro não foi aceito. Ela diz que se sentiu muito culpada e que, depois disso, só envia aos escritores a mesma cartinha de recusa, padronizada e sem detalhes. “Isto é o duro de ser editor: está na sua mão. Esse cara poderia ter uma carreira de escritor, poderia ter outros livros, e por causa do que aconteceu, pode ter se desviado, desistido, desanimado. Então, eu ouço muito os editores, é bom trabalhar com eles, mas quando você tem certeza de que a palavra final vai ser sua”.</p>
<p>O Editor envia a mesma cartinha de recusa não porque não tem mais nada a falar ao escritor, mas porque a obra não está finalizada. Há ainda arestas. Há pontos a melhorar. Mas isso não é o editor quem poderá dizer. Afinal, o editor está aí para publicar a obra. Se a obra não está pronta, não há como publicá-la. Enviar recomendações ao escritor muitas vezes é útil e é feito quando os reparos são mínimos. Mas, quando a reestruturação é grande, o que dizer ao escritor? E, mesmo que o editor o faça, como Beatriz, não é certeza de que a obra será realmente publicada. Casas editoriais mudam o seu “pessoal” com alguma regularidade. Ou seja, quem avaliou a obra daquele escritor pode não ser a mesma pessoa que irá avaliá-la quando reescrita. Casas editoriais podem mudar de estratégia de negócios, deixando um tema ou linha de lado em alguns meses. O que digo aqui é que a editora não é uma escola. Nela não há o objetivo de se instruir como escrever bem. Há somente prescrições que são seguidas por quem estiver no escritório, prescrições muitas vezes decididas não por intelectuais da literatura mas por empresários e comerciantes. O editor que conversa com o escritor muitas vezes não é o dono da editora e, assim, não pode realmente dar a ele certeza de uma publicação. Por isso a confusão. Por isso a reclamação, e justificada, dos escritores: “pô, o cara diz que a obra é boa, pede uns ajustes, eu faço e me recusam ou nem respondem?”. </p>
<p>O escritor deve saber ver: a tarefa do editor que seleciona obras também não é fácil e é razoavelmente cômodo culpá-lo pela recusa de uma obra. Se as editoras estivessem em um mundo ideal, elas seriam centros também de discussão literária, de avaliação franca e aberta. Mas o mercado pede pressa e as editoras cumprem, avaliando com pressa ou buscando o que é lucro certo. O mercado pede competitividade e as editoras cumprem, diminuindo o pessoal contratado e apostando na terceirização. As editoras brasileiras, aliás, conseguiram crescer e aparecer no mundo editorial pois adotaram práticas mais eficientes e agressivas de negócios. O mercado brasileiro se fortaleceu e chamou a atenção de grupos estrangeiros. Editoras brasileiras foram negociadas por grandes grupos. O fortalecimento de nossas editoras nacionais também é importante e segue um caminho que se repete em todas as áreas de negócios. Inevitável. </p>
<p>O que o escritor deve, então, fazer?</p>
<p><b>Seus pares</b><br />
Se o escritor quer discutir literatura e ter sua obra aperfeiçoada, por que os eventos literários estão tão vazios? Basta ir a um evento em uma livraria, um lançamento de livro, um sarau, e, até mesmo, aos debates que ocorreram antes do Prêmio São Paulo de Literatura (que não é um evento pequeno) para constatar o óbvio: poucos se interessam em prestigiar a discussão literária, a escutar os escritores publicados. E, se você frequentar algum grupo em sua cidade, irá ver que além de poucos são sempre as mesmas pessoas que estão lá.</p>
<p>Vamos ver. Como poucos se reúnem para discutir literatura e criação literária mas as editoras alegam estar abarrotadas de originais de escritores? Não é uma contradição? Os escritores não deveriam estar tão – ou mais – interessados em discutir literatura e a criação quanto finalizar seus textos e enviá-los para publicação?</p>
<p>Tá, mas não tem evento na região em que moro. Primeiro, certifique-se de que realmente não haja. Procure a prefeitura, faculdades, pesquise na internet. Na região em que moramos, por exemplo, há pouquíssimos eventos e a maioria deles em lugares de difícil acesso. Assim, nossa saída foi encontrar nossos pares na rede. Assim, encontramos com quem conversar. Conhecemos escritores da região e até vimos um grupo de escritores de nossa região criar um grupo e blog coletivo (<a href="http://e-chaleira.blogspot.com/">http://e-chaleira.blogspot.com/</a>).</p>
<p>Mas não tem nada em minha região&#8230; o que fazer? Bem, gente, a rede está aí para ajudá-los. Procure seus pares na rede. Se conseguir formar um grupo, pode até reivindicar algum evento cultural em sua cidade. É difícil, mas se não fizerem algo, dificilmente uma alma caridosa irá fazer por vocês. Cultura não é prioridade de verba nas prefeituras. Façam com que seja.</p>
<p>A primeira leitura de avaliação de sua obra nunca, nunca mesmo, deve ser a de uma editora. Confie em seus pares. Discuta com eles. Coloque seus textos para eles lerem. É muito importante a opinião de seus leitores, não? Não a tome como guia de sua criação, apenas como mais um fator para sua autoavaliação, ok? A palavra final deve ser a do escritor, mas ninguém aprende coisa alguma se não cruzar a linha de conforto. Coloque sua obra na roda, coloque sua visão em discussão.  </p>
<p><b>Onde estão os novos escritores?</b><br />
Sim, onde estão vocês? Na sua região tem algum grupo de discussão? Divulgue-o. Pode divulgá-lo aqui mesmo. O importante é encontrarem-se. A criação literária é solitária, mas uma das formas de você avaliar se está em seu caminho ideal é escutar o que seus leitores têm a dizer.</p>
<p>Não corra atrás de fórmulas, de regrinhas, de tendências e correntes. Seu estilo só será seu se for honesto. Sua criação só valerá a pena se for honesta com seu estilo. Não corra atrás do “sucesso” editorial, trabalhe para escrever bem. Trabalhe para construir sua história literária, seu universo próprio. Grandes escritores muitas vezes só foram descobertos depois de mortos (tá, só para constar. Não precisa se desesperar, ok?)</p>
<p>Infelizmente, você, como a maioria da população brasileira, terá de se sacrificar. Ser escritor hoje não é profissão nem para quem é escritor já publicado. Não desista. </p>
<p>Indicamos alguns caminhos: grupos de discussão em sua região; grupos de discussão na rede; procure seus escritores favoritos na rede e converse com eles (aliás, leia as obras deles); veja seus escritores preferidos (<a href="http://www2.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp">http://www2.tvcultura.com.br/entrelinhas/videos.asp</a> | <a href="http://www.cronopios.com.br/tvcronopios/">http://www.cronopios.com.br/tvcronopios/</a>); leia matérias de qualidade sobre literatura e novos escritores (indicamos o <a href="http://rascunho.rpc.com.br/">jornal Rascunho</a>); escreva sempre; leia um poema ao acordar ou antes de dormir (poesia é inspiração); procure as editoras pequenas, as que estão surgindo, e converse com seus editores; se você for bom e tiver fôlego, abra uma pequena editora com seus pares e coloque a obra de vocês no mercado; procure leitura crítica do mercado (alguns agentes fazem &#8212;  <a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/agente-literario/">http://blog.oficioeditorial.com.br/agente-literario/</a> &#8211;, e <a href="http://www.oficioeditorial.com.br/">nós</a> também); acredite nos bons concursos literários e envie sua produção (indicamos a seleção de Ana Cristina Melo &#8212; <a href="http://ficcaodegaveta.blogspot.com/">http://ficcaodegaveta.blogspot.com/</a>); e, mais importante, leia de tudo, leia o que produziram os novos talentos, leia os clássicos, leia o que produziu aqueles que venceram concursos no ano passado. E vá em frente.</p>
<p>Acreditamos que novas oportunidades ocorram pelo aquecimento do mercado – quando se abrem mais editoras, pequenas e intelectuais; e quando editoras grandes apostam em novos talentos, como nos concursos que promovem &#8211;; pela interação entre escritores; pela chance de divulgação de sua obra – nas livrarias e em reuniões literárias &#8211;; mas nada supera a dedicação e o esforço individual.</p>
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		<title>Previsões para 2011</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Dec 2010 14:16:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Poderíamos chamar todos os videntes, tarólogos e todos aquelas pessoas que dizem saber o que o futuro reserva. Deixemos isso para os programas de televisão&#8230; O que podemos afirmar, com certeza, sobre o próximo ano: que é preciso se dedicar aos projetos para que eles se concretizem; que às vezes precisamos parar um pouco, afinal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Poderíamos chamar todos os videntes, tarólogos e todos aquelas pessoas que dizem saber o que o futuro reserva. Deixemos isso para os programas de televisão&#8230;<br />
O que podemos afirmar, com certeza, sobre o próximo ano: que é preciso se dedicar aos projetos para que eles se concretizem; que às vezes precisamos parar um pouco, afinal não somos máquinas; que, além do trabalho, há a família e as pessoas que amamos; que crescer implica enfrentar os medos e as dificuldades; e que, sozinhos, não chegamos a lugar nenhum.<br />
Não precisamos ser videntes para dizer essas coisas.<br />
Força e esperança: é o que desejamos a todos os amigos e conhecidos! A primeira para vencer as dificuldades e a segunda para saber que, às vezes, as nossas forças não são suficientes e o que nos resta é saber que há alguém que nos ama e sempre cuida de nós!</p>
<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/12/mensagem_de_natal__1__1.jpg"><img src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/12/mensagem_de_natal__1__1.jpg" alt="" title="mensagem_de_natal__1__1" width="640" height="283" class="alignnone size-full wp-image-116" /></a></p>
<p><strong>Feliz Natal e um Novo Ano repleto de sonhos e concretizações!</strong></p>
<p><em>Equipe Ofício Editorial</em></p>
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		<title>Editar ou não editar?</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Oct 2010 23:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mercado editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos vendo o nascimento de muitas novas editoras, normalmente fundadas por escritores ou grupo de escritores. Há exemplos bem-sucedidos, de editoras que crescem e que escapam da perigosa faixa de negócios que não vingam, como a Editora Tarja, a Não editora, entre outras. No exterior, Europa e EUA, as pequenas editoras são mais numerosas do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/10/edits.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-118" title="edits" src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/10/edits.jpg" alt="" width="372" height="165" /></a></p>
<p>Estamos vendo o nascimento de muitas novas editoras, normalmente fundadas por escritores ou grupo de escritores. Há exemplos bem-sucedidos, de editoras que crescem e que escapam da perigosa faixa de negócios que não vingam, como a Editora Tarja, a Não editora, entre outras.</p>
<p>No exterior, Europa e EUA, as pequenas editoras são mais numerosas do que aqui no Brasil, e elas são chamadas de editoras independentes. A maior variedade de editoras torna o mercado mais aquecido também para o escritor, que pode ter mais aceitação de originais. Lá, o escritor também é mais profissionalizado do que aqui, há disciplinas universitárias em escrita criativa o que, apesar de não garantir a formação de um bom escritor, ajuda muito na consolidação da profissão.</p>
<p>Nessa nossa época, a autopublicação se torna menos complicada, e há mais gente dominando as técnicas de produção, o que facilita a formatação do livro. Mas, qual é exatamente o ponto em que se decide abrir uma editora e torná-la bom negócio, unindo qualidade com rentabilidade? Ser um escritor basta para se tornar um bom editor, quais as dificuldades, desafios e conquistas?</p>
<p>Para essa conversa convidamos o pessoal da Balão Editorial, de São Paulo (Flávia, Guilherme e Natália, <a href="http://www.balaoeditorial.com.br/">http://www.balaoeditorial.com.br/</a>, http://balaoeditorial.blogspot.com/, Twitter: <a href="http://twitter.com/balaoeditorial">@balaoeditorial</a>, Facebook: facebook.com/balaoeditorial), e da editora Mutuus, do Rio de Janeiro (Leonardo e Henrique, <a href="http://blog.mutuuseditora.com.br/2010/08/envio-de-originais.html">http://blog.mutuuseditora.com.br/2010/08/envio-de-originais.html</a>, Twitter: <a href="http://twitter.com/Mutuus_Editora">@Mutuus_Editora</a>), ambas recentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1) Há quanto tempo sua editora existe e qual o seu objetivo?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong> A Balão Editorial nasceu em 2009 mas nosso primeiro livro só foi lançado em 25 de janeiro de 2010, ou seja, temos menos de um ano.<br />
Dizemos sempre que nosso objetivo é divulgar a cultura, a literatura e o saber acadêmico por meio de uma edição criteriosa. Mas também é verdade que publicamos livros de coisas que gostaríamos de ler, e que não têm vez nas editoras tradicionais.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong> Nós estamos começando. Já recebemos os primeiros originais – e devemos admitir, o excessivo número de originais recebidos em muito pouco tempo nos surpreendeu, o que talvez mostre a falta de espaço para o autor nacional. Alguns livros já estão prontos, editados. Mas, antes de lançarmos as primeiras obras, precisamos resolver algumas questões burocráticas para a legalização da editora; isto é, tirar o alvará que nos permitirá registrar as obras, fazer as fichas catalográficas e publicar. Infelizmente, no Brasil, estas questões burocráticas são meio imprevisíveis, mas imaginamos que nos próximos meses devemos começar a lançar os primeiros livros. Atualmente, possuímos 8 livros editados ou em edição.<br />
O objetivo da editora é dar mais espaço ao autor nacional. Sabemos que não poderemos dar um alto investimento a todos os livros, mas tentaremos publicar o máximo possível. Em alguns casos, com tiragens menores, em outros casos com tiragens um pouco maiores. A ideia é buscar alguma visibilidade, mesmo nos livros de menor investimento, através de algumas ações de divulgação, que devem acontecer principalmente na internet. Acreditamos que determinados autores, recebendo algum apoio, podem formar um público fiel, mesmo que não muito grande, que nos permitirá produzir tiragens cada vez maiores para os livros que eles vierem a publicar no futuro. Deste modo o autor cresce, e cresce também a editora. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>2) Ao abrir a editora, é essencial ter-se já o perfil da editora traçado? Ter projetos já em andamento? A sua editora tem uma linha editorial planejada?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Sempre tivemos em mente linhas gerais de como seria o perfil da editora, mas nunca o fechamos completamente para não engessar nossa linha editorial. Assim como seus sócios, a editora tem um perfil dinâmico e com interesses variados.<br />
Quanto à questão dos projetos, quando abrimos a editora tínhamos alguns projetos em andamento, mas tudo estava muito cru. O processo foi acelerado com a oportunidade de publicar a ótima tira de quadrinhos Hector e Afonso – Os Passarinhos, de Estevão Ribeiro. A partir daí, outros projetos igualmente interessantes surgiram e ajudaram a pavimentar o nosso caminho.<br />
Voltando à questão da linha editorial, cito novamente os interesses dos sócios. Como já dissemos, os nossos livros são projetos que gostaríamos de ler, que são importantes para nós. Portanto, não é nenhum absurdo dizer que nossa linha editorial é composta pelos assuntos que gostamos, ou seja, quadrinhos, literatura, cinema, comunicação, relatos de viagens e o que mais decidirmos que vale a pena.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>É essencial ter um planejamento sim. Não temos uma linha editorial tradicional planejada. Pretendemos trabalhar com uma gama ampla de autores e gêneros. Nossa “linha editorial” passa justamente pelo fato de dar atenção aos novos autores, que normalmente não têm tanto espaço nas médias e grandes editoras; então é com eles que devemos trabalhar. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>3) E o editor? Esse profissional tem de ter algum perfil? Ser um escritor basta para se tornar um bom editor? Qual sua experiência prévia no mercado editorial?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>O editor tem que ser uma pessoa que conheça de tudo um pouco e também tudo de um pouco. Pode parecer confuso, mas o que queremos dizer é que um editor precisa ser antenado, dominar vários tópicos, mas não pode abandonar sua especialidade, assunto o qual domina perfeitamente.<br />
Ser um bom escritor não basta para ser um bom editor. Inclusive, isso pode até jogar contra, pois um bom escritor pode se sentir impelido a fazer grandes alterações em textos de outros autores. Lógico que um bom escritor pode ser um bom editor, mas cada profissão tem características próprias.<br />
Nós da Balão trabalhamos previamente em vários outros lugares do meio editorial, sendo como funcionários ou como prestadores de serviços, o que nos deu bagagem e experiência para partirmos para a nossa própria empreitada.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Ser um escritor não basta para ser também um editor. Para editar, é necessário ter uma noção de mercado que maioria dos escritores não possui. Além disso, julgar um livro com os “olhos” de um escritor é bem diferente do que fazê-lo por uma visão de “editor”, que deve avaliar também o público-alvo, potencial mercadológico etc. Para isso, estudei na Escola de Comunicação da UFRJ. Embora tenha me diplomado como jornalista em vez optar por Produção Editorial, cursei as matérias voltadas para edição. Depois, ao entrar para o mestrado na mesma instituição, voltei definitivamente os estudos para a produção literária, recepção do público etc. Portanto, nos últimos dois anos, entrei em contato com muitos autores, fiz longas pesquisas com editores e editoras, o que me ajudou a formar a minha visão do mercado editorial.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>4) A que passo o seu catálogo é formado? Já iniciou com muitas publicações ou caminha mais lentamente? O que é o ideal para a recém-formada editora?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Por enquanto temos dois livros de quadrinhos, um de tirinhas e outro com duas histórias mais longas, e um livro de contos de ficção especulativa. Trabalhamos no quarto livro, que será um álbum de quadrinhos que trará um DVD com o motion comic animado do autor da HQ. Além disso, já estamos trabalhando no próximo projeto que será um livro de relatos de uma viagem pela África a partir do blog Boiando em Moçambique, de Rafael Moralez. Portanto estamos construindo nosso catálogo lentamente.<br />
Não sei qual é exatamente o ideal para uma editora novata, mas nós optamos por trabalhar com tranquilidade tanto a produção quanto a divulgação de cada um dos títulos. Queremos dar tempo para nossos leitores lerem e apreciarem cada um dos livros enquanto também temos tempo para trabalhar como desejamos os próximos lançamentos.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>É difícil precisar qual é o processo ideal para uma editora recém-formada. Para saber com que velocidade o catálogo deve ser formado, é necessário saber qual o planejamento traçado pela editora. Caso ela pretenda publicar poucos livros por ano, o que é a opção de muitas editora novas, naturalmente o catálogo crescerá de maneira lenta. Se a opção for por mais publicações, o que se tornou um pouco mais viável com os recentes avanços da impressão digital, o catálogo irá crescer mais rapidamente. Então, na realidade, é tudo uma questão de planejamento. Em nosso caso, planejamos um crescimento “médio”, uma vez que não pretendemos publicar uma quantidade excessiva de livros por ano, até para que seja possível dar um apoio eficiente aos autores. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>5) Qual sua relação com o autor? Como é o processo de seleção do livro a ser publicado? Vocês encomendam textos e planejam projetos diferenciados ou trabalham com a seleção de original de escritores estreantes?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Por enquanto selecionamos trabalhos de autores estreantes ou novatos. Mas não descartamos encomendar projetos no futuro. Para a seleção, todos os sócios leem o original, e frequentemente recorremos também a um parecerista externo, alguém que conheça muito do assunto e possa opinar com mais acuidade a respeito dos livros. E sempre que possível, tentamos indicar possíveis melhorias para os livros rejeitados, como também outras editoras que possam ter um perfil no qual ele se encaixe melhor.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Nós tentamos sempre conversar bastante com os autores. Sempre mostramos as capas para saber o que acharam, procuramos discutir estratégias de venda e divulgação que estejam dentro dos limites que imaginamos para a obra. Normalmente, trabalhamos com autores novos, mas não nos prenderemos apenas a isto. A ideia é valorizar o autor nacional, portanto, mesmo que determinado autor já tenha publicado alguns livros, estaremos interessados na publicação.<br />
Não sei exatamente o que seriam os projetos diferenciados citados. Mas estamos abertos a livros não-ficcionais que possam conter ideias interessantes. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>6) Há um perfil ideal para o escritor que procuram?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>A princípio, os que têm bons projetos a publicar. Mas é interessante também quando o autor trabalha a favor do livro, ou seja, topa mudanças quando necessário, ajuda a divulgar o projeto e entende todos os possíveis contratempos que a edição possa vir a sofrer.<br />
Gostamos também de dar oportunidade para escritores estreantes ou ainda pouco conhecidos.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Sim. Procuramos por autores que tenham a consciência de que o mercado editorial não é fácil, de que não só a editora precisa correr atrás como o próprio autor. Um autor que também se esforça para conquistar cada vez mais leitores é muito importante. Afinal, se o editor sabe que aquele autor conseguirá vender alguns exemplares com o próprio esforço, optar por uma tiragem maior, com uma divulgação também maior e um maior investimento, torna-se algo muito mais viável e muito menos arriscado. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>7) Vocês também escrevem? Também irão publicar suas próprias obras na editora?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Não.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>No caso apenas eu escrevo, meu sócio não escreve. A primeira obra de maior investimento da editora será um livro meu, <em>O Código dos Cavaleiros</em>. Entretanto, neste caso específico, parte do investimento no livro não sairá do capital inicial da editora, mas do “meu próprio bolso”. Achei que talvez fosse, pelo menos nesse início, a opção mais ética. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> <img src='http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Ser escritor e ser editor é possível? É possível conciliar os dois trabalhos? Perguntamos isso pois sabemos que a burocracia que envolve o dia a dia de uma editora é menos literariamente intelectual e mais de negócios e comércio. Tratar com livrarias, distribuidores, fornecedores, acerto de DA de autores, gráfica, marketing, divulgação, contabilidade&#8230; Essa parte é a mais difícil? Vocês mesmos lidam com essas tarefas?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>É possível, desde que o escritor-editor saiba diferenciar bem os dois trabalhos. Lidar com a burocracia faz parte do trabalho do editor e não é tão chato como muita gente faz parecer. Conseguir acertar um bom contrato de distribuição pode ser tão prazeroso quanto contratar um bom texto, tudo faz parte da cadeia da edição. Às vezes é difícil e desgasta um pouco, mas acreditamos que todas as profissões têm seus altos e baixos. Tirando a contabilidade e os serviços advocatícios, fazemos todas as tarefas burocráticas, sim.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>É possível, mas realmente não é fácil. Talvez a maior dificuldade seja a de olhar para um livro como editor e não como leitor ou escritor. As áreas burocráticas são realmente um problema, mas contamos com contadores e advogados para nos auxiliar nestes casos. Já a relação com livrarias, distribuidores, fornecedores etc. é algo mais fácil de ser feito. Tanto eu como meu sócio sabemos lidar bem com essas situações, até por isso optamos por montar nossa própria empresa. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>9) Quais foram as dificuldades que encontraram até o momento?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>A maior dificuldade é a distribuição. Grandes distribuidoras não estão interessadas nem em ouvir pequenas editoras. Chegamos em alguns lugares que nós mesmos negociamos e enviamos os produtos, mas ainda temos uma distribuição incipiente.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Como já deve ter ficado claro mais acima, o principal problema encontrado até agora envolve a burocracia. As questões de livrarias, distribuidores e gráficas não geraram quase problema, mas a abertura da editora é que tem demorado mais do que o esperado. Tínhamos já um lugar selecionado para ser a nossa sede, mas, ao checarmos com a Prefeitura, foi necessário escolher um novo local. Por isso, estamos demorando um pouco mais do que o previsto para iniciarmos as publicações. O novo local já foi escolhido, já foi checado com a Prefeitura e está tudo certo, falta apenas fechar os últimos detalhes para iniciar o processo de abertura, que deve demorar cerca de 2 meses. Enquanto isso, deixaremos uma série de livros prontos para serem publicados. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>10) Quais foram as conquistas até agora?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Os elogios dos leitores. Pode parecer piegas, mas saber que um leitor leu e gostou de seu livro é a maior gratificação que o editor pode receber.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Há algumas coisas que não poderemos falar mais especificamente. Mas primeiro foi o fato de termos sido muito bem recebidos por escritores, blogueiros etc. Nossa principal dúvida era se conseguiríamos tornar a editora conhecida o suficiente para que os autores se interessassem pelo projeto e decidissem publicar conosco. Para nossa surpresa, a recepção foi realmente boa. Inclusive, o número de originais recebidos nos primeiros meses foi muito alto, o que até nos fez interromper o recebimento de novas obras para que as já enviadas pudessem ser analisadas. Por causa dos problemas burocráticos, decidimos analisar as obras enviadas num ritmo mais lento, pois não sabíamos quanto tempo iríamos levar para achar um novo local, então de nada adiantaria termos 10, 15 livros prontos se ainda precisaríamos esperar alguns meses para publicá-los.<br />
Outra conquista fica mais para a área da distribuição. Embora, neste início, ainda não tenhamos tanto capital para lançar muitos livros com um investimento maior, já temos alguns parceiros muito fortes para distribuir os nossos livros de maior tiragem. Inclusive, aqui no Rio já conseguimos alguns contatos para negociar diretamente com grandes redes livreiras, o que seria um passo enorme em termos de mercado editorial. Quem está no ramo sabe como é difícil conseguir algum espaço nas grandes redes livreiras quando se está começando. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>11) É essencial o editor circular pelas mídias sociais (orkut, facebook, twitter, blog) e ter site próprio? Qual é a sua estratégia nessas mídias?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Sim. Trabalhamos bastante em todas as mídias sociais e acredito que uma boa parte dos nossos leitores são oriundos dos trabalhos que fazemos nesses meios.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Sim, é essencial, talvez não para o editor, mas ao menos para a editora. A recepção boa que a Mutuus teve já nesse seu início se deveu muito a isso: a divulgação no meu blog, em outros blogs e no twitter. Definitivamente, a nova editora e o novo autor, nos tempos atuais, precisam saber utilizar as novas mídias.<br />
Já nossas estratégias nessas mídias devem variar. Conseguimos ter um sucesso legal ao divulgar o próprio surgimento da editora, mas também pensamos em um modo de utilizar as redes sociais para aumentar as visitas no blog da editora e na futura Loja Virtual, assim poderemos fazer com que os autores obtenham uma maior visibilidade. Também pretendemos fazer promoções com blogs para divulgar alguns novos livros e também HotSites. Enfim, as estratégias precisarão ser adaptadas conforme o autor e a obra, mas já estamos fazendo parcerias e analisando a melhor forma de atuar. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>12) No mundo empresarial, fala-se muito de estratégia de negócios. Vocês têm uma estratégia clara? Lidam muito com imprevistos e soluções tomadas conforme se caminha?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Temos uma estratégia clara, sim, mas não hesitamos em fugir dela se surgir algum imprevisto.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Sim, temos. Não queremos lidar com muitos imprevistos e tentamos sempre antecipá-los. Um dos maiores problemas das novas editoras que surgem no Brasil muitas vezes é esse, a falta de uma estratégia clara e de um pensamento mais comercial/empresarial. Quando falamos que não poderemos publicar todos os livros com alto investimento, é exatamente por causa deste planejamento. Isso porque basta um livro com um alto investimento que acabe por dar muito errado para que a editora fique em uma situação econômica muito delicada. Por este motivo, se você investe com mais cuidado, mas de modo a criar um público para determinados autores, você pode aumentar as tiragens desses autores gradativamente e de forma mais segura. Deste modo, você diminui os riscos e obtém algum lucro. Talvez seja um lucro menor do que o obtido por um livro de alto investimento que dê muito certo, mas é um lucro que virá quase 100% das vezes, o que permite um crescimento saudável e sem imprevistos. </span></p>
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<p><strong>13) Além de serem editores, exercem outras atividades profissionais ou é possível se dedicar exclusivamente à editora?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Além de editora, a Balão Editorial funciona como um escritório editorial, no qual prestamos serviços para outras empresas e editoras. Isso ajuda a manter nosso fluxo de caixa e nos permite continuar publicando.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Neste início será difícil nos dedicarmos exclusivamente à editora; mas, de uma maneira geral, a dedicação será quase integral. Eu estou finalizando o Mestrado e talvez vá fazer Doutorado, ambos na UFRJ. Meu sócio se formou em Portugal, é designer, e trabalha como freelancer para algumas empresas e escritórios. Deste modo, embora tenhamos algumas outras atividades, poderemos nos dedicar quase integralmente à editora, até porque, de acordo com o planejamento traçado, a ideia é obter um lucro razoável já nos primeiros meses. Fora isso, utilizamos alguns revisores, diagramadores e capistas freelancers para agilizar alguns serviços. </span><br />
<strong>14) Do que imaginavam, a realidade sua é mais fácil, mais difícil ou compatível com o que esperavam?<br />
<span style="color: #006699;">Balão | </span></strong>Compatível com o que esperávamos. Algumas coisas são mais fáceis do que imaginamos, outras bem mais difíceis, mas, na média, está tudo dentro das nossas expectativas.</p>
<p><span style="color: #339900;"><strong>Mutuus |</strong>Compatível com o que esperávamos. Há sempre muitas dificuldades e pouco apoio a quem começa; mas, exatamente por já esperarmos por isso, pelos estudos que eu havia feito, já tínhamos criado algumas estratégias para contornar estes problemas. Até agora, elas deram muito certo. A única grande questão que não esperávamos eram os entraves burocráticos que atrasaram a abertura da editora. Estes eu não soube prever muito bem, uma vez que estavam um pouco fora da alçada de produção editorial.</span></p>
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		<title>a minha alma é irmã de deus</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Oct 2010 00:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;E aí quase sem olhar passava a linha pela agulha. Me olhando no quintal, quase sem verificar o que fazia, e completava o serviço. Ela sempre dizia alguma coisa assim Camila tem paixão pelo amor triste. Sabe minha mãe? Ela tinha os olhos bem vivos. Pretos e vivos. E tristes. Ela tinha aquele jeito de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/10/carrero2.jpg"><img src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/10/carrero2-150x150.jpg" alt="" title="carrero2" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-125" /></a></p>
<p>&#8220;E aí quase sem olhar passava a linha pela agulha. Me olhando no quintal, quase sem verificar o que fazia, e completava o serviço. Ela sempre dizia alguma coisa assim Camila tem paixão pelo amor triste. Sabe minha mãe? Ela tinha os olhos bem vivos. Pretos e vivos. E tristes. Ela tinha aquele jeito de baixar a cabeça, sem sair da cadeira onde estava bordando, sentada, e olhava com intensidade, muita intensidade. Minha mãe olhava com intensidade . Eu fingia que não estava vendo. E ria, ria comigo mesmo. Ela me olhando lá do terraço e eu fazendo que não estava vendo. Rindo. Desse riso que fica bailando no peito&#8221;</p>
<p><span style="color: blue;"><em>a minha alma é irmã de deus</em>, p. 95</span><br />
<a href="http://www.raimundocarrero.com.br/blog_pt.php?PHPSESSID=50adf4325c82aef3dda27709d8d1431d&amp;p=id&amp;v=6">Blog de Raimundo Carrero</a></p>
<p><a href="http://www.raimundocarrero.com.br/tema_pt.php?PHPSESSID=a4b9f2575be157c0915bd5640abafdff&amp;p=id&amp;v=52">Editora lança fotobiografia de Raimundo Carrero</a></p>
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		<title>Steampunk</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Sep 2010 17:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Escritores]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#160; &#160; Steampunk é um gênero dentro da ficção científica que surgiu no Brasil nos anos 80. A ficção steampunk está ganhando novos escritores e leitores com a publicação de novas obras por editoras nacionais. Mas o steampunk não se limita à literatura, ele é também uma estética, uma cultura. Vamos falar com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/abertura_1_2.jpg"><img class="size-medium wp-image-128 alignright" title="abertura_1_2" src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/abertura_1_2-300x75.jpg" alt="" width="450" height="112" /></a></div>
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<p>Steampunk é um gênero dentro da ficção científica que surgiu no Brasil nos anos 80. A ficção steampunk está ganhando novos escritores e leitores com a publicação de novas obras por editoras nacionais. Mas o steampunk não se limita à literatura, ele é também uma estética, uma cultura. Vamos falar com Cândido Ruiz, membro do Conselho Steampunk Paulista, admirador e participante do Movimento Steampunk.</p>
<p><span style="color: #cc6600;"><strong>O que é o movimento Steampunk? E o que caracteriza a literatura Steampunk?</strong><br />
RESP: </span> Steampunk é um subgênero literário composto por um universo de ficção científica ambientado em um cenário estético vitoriano. O Steampunk não se resume a esses elementos sendo rico em distopias e utopias, anacronia e elementos provenientes de toda a literatura fantástica. Fortemente influenciado pela história alternativa.<br />
Um universo onde a tecnologia do vapor pode movimentar uma máquina do tempo, um metrô flutua pela força do magnetismo, mas seu combustível é o carvão, mulheres portam armas e assumem a liderança, revoluções tecnológicas improváveis foram possíveis.</p>
<p><span style="color: #cc6600;"><strong>Onde o movimento se originou e de qual manifestação artística (romance, conto, quadrinhos, filme)? Quais são seus representantes internacionais na Literatura?</strong><br />
RESP: </span>Na década de 1980 escritores como K.W.Jeter, James Blaylock e Bruce Sterling publicaram obras que possuíam traços em comum. Essas características ganharam um apelido jocoso: Steampunk (Punks a Vapor). Fazendo alusão ao Cyberpunk, em voga na época.</p>
<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/quadrinho.jpg"><img src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/quadrinho-300x75.jpg" alt="" title="quadrinho" width="450" height="112" class="aligncenter size-medium wp-image-137" /></a><br />
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<p><a href="http://sp.steampunk.com.br/2008/10/21/steampunk-nos-quadrinhos-%e2%80%93-parte-i/">Quadrinhos</a></p>
<p><span style="color: #cc6600;"><strong>No Brasil, a literatura steampunk é representada por quais escritores e obras?</strong><br />
RESP: </span> Entre as obras nacionais estão a coletânea <a href="http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=39">SteamPunk</a> (Editora Tarja), a <a href="http://editoradraco.com/2010/08/vaporpunk-relatos-steampunk-publicados-sob-as-ordens-de-suas-majestades/">Vaporpunk</a> (coletânea Luso-Brasileira da Editora Draco) e a obra Bilac vê estrelas. Autores nacionais como Gerson Lodi-Ribeiro, Romeu Martins, Fábio Fernandes, Antônio Luiz M. C. Costa, Alexandre Lancaster entre outros.</p>
<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/steampunk.jpg"><img src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/steampunk-300x75.jpg" alt="" title="steampunk" width="450" height="112" class="aligncenter size-medium wp-image-141" /></a><br />
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<p><span style="color: #cc6600;"><strong>Quais são as editoras que publicam a literatura Steampunk? O espaço para essas obras está aumentando no mercado nacional?</strong><br />
RESP: </span>Recordo-me de poucas editoras no momento, mas posso afirmar que a Draco, a Tarja e a Aleph tem publicado obras Steampunks. A Draco e a Tarja com maior destaque pois são pioneiras com publicações de autores nacionais de steampunk. Já a Aleph publicará ainda este ano a obra The Difference Engine.</p>
<p><a href="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/vaporpunk.jpg"><img src="http://blog.oficioeditorial.com.br/wp-content/uploads/2010/09/vaporpunk-300x75.jpg" alt="" title="vaporpunk" width="450" height="112" class="aligncenter size-medium wp-image-147" /></a><br />
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<p><font color="#cc6600”><b>A literatura nacional tem especificidades em relação ao steampunk internacional?</b><br />
RESP: </font>A literatura nacional traz à tona personagens reais ou imaginárias da nossa cultura. Promovem um resgate cultural com cara de “pulp”. Mesclando personalidades como Barão de Mauá, Santos Dumont, o Imperador Dom Pedro, José do Patrocínio, Olavo Bilac e muitos outros com o Prof. Aronnax, Capitão Nemo, Robur o Conquistador, Félix Nadar, Nicola Tesla, Mata Hari, Drácula e muitas outras personagens fantásticas de ambos os lados. Muitas vezes inclusive resgatando personagens do folclore nacional.</p>
<p><font color="#cc6600"><b>O Steampunk internacional tem mais seguidores e visibilidade do que o nacional? Caso sim, a que você atribui esse fato?</b><br />
RESP: </font>Na verdade, no momento, o Steampunk nacional possui grande visibilidade, até mesmo fora do país. Jeff Vander Meer, escritor e editor americano, organizador de coletâneas de repercussão internacional sobre Steampunk e New Weird, acaba de mostrar ao público as provas de seu mais novo projeto, um autêntico e luxuoso livro de arte. E, entre as páginas do livro dele, terão o seu quinhão três autores nacionais Fábio Fernandes, Jacques Barcia e Romeu Martins que compartilharão as páginas com criadores do porte de Jess Nevins, Libby Bulloff, Bruce Sterling, Desirina Boskovich, Jake von Slatt, Rick Klaw entre muitos outros.</p>
<p><font color="#cc6600"><b>Como é a comunicação entre os admiradores do Steampunk? Há blogs, eventos presenciais, encontros, lançamentos de livros?</b><br />
RESP: </font> Como os admiradores têm de 12 a 55 anos e estão em 11 estados brasileiros, sua diversidade de interesses faz com que esses grupos se reúnam nos lugares com os quais suas afinidades criativas, artísticas etc. tenham mais relação. São constantes os Cafés literários, Saraus e visitas a museus. Eventos ligados à literatura recebem um destaque maior.</p>
<p><font color="#cc6600"><b>Qual é o papel do Conselho Steampunk Paulista? Há outros conselhos pelo país?</b><br />
RESP: </font>O Conselho Steampunk foi fundado com o intuito de divulgar e incentivar a produção de material correlato em terreno nacional. Embora tenha abrangência nacional e esteja presente em mais de 10 estados brasileiros, o Conselho Steampunk não possui líderes, diretores, presidentes ou qualquer coisa do tipo. Existem figuras de referência que fundaram o Conselho ou cada uma das &#8220;Lojas&#8221; (tradução do termo inglês &#8220;Lodges&#8221;, que para nós representa um estado brasileiro).<br />
Esta é uma das características mais marcantes do Conselho Steampunk, a predisposição à colaboração.</p>
<p><font color="#cc6600">outros links para leitura:</font><br />
<a href="http://www.steampunk.com.br">www.steampunk.com.br</a><br />
<a href="http://www.steambook.com.br ">www.steambook.com.br </a><br />
<a href="http://twitter.com/steampunksp">http://twitter.com/steampunksp</a><br />
<a href="http://twitter.com/consteampunk">http://twitter.com/consteampunk</a><br />
<a href="https://twitter.com/rcandidoruiz ">https://twitter.com/rcandidoruiz </a><br />
<a href="http://sp.steampunk.com.br/2009/06/10/o-grande-alan-moore-fala-sobre-steampunk/">Alan Moore fala sobre Steampunk</a></p>
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