O narrador no romance brasileiro: ética e estética, Jaime Ginzburg (FFLCH-USP)

admin em 5 de Outubro de 2009 @ 13:23

jaime ginzburg 1 - jaime ginzburg 1
Foto fonte: www.spanport.umn.edu/news/images/JGinzburg.jpg , www.spanport.umn.edu/news/events.php

Apresentação realizada no colóquio Escritas da Violência “Representações da violência na história e na cultura contemporâneas da América Latina”, no dia 9 de setembro de 2009.


Nesse colóquio, o professor Jaime Ginzburg (FFLCH-USP) presenteou a plateia com uma provocação: a aproximação da ética e da estética à literatura. A partir dessa palestra, resumimos alguns itens e pensamos em outros. Não culpem o professor por esse post, ok? É uma releitura livre e limitada de uma palestra brilhante.


A Ética pode ser considerada por dois fatores: as convicções pessoais (crenças e valores), que compõem o campo privado, e as leis formais do Estado, que compõem o campo público. O campo de estudo da ética seria o do conflito entre o público e o privado, naquilo que fica como indefinido entre os dois. Daí podemos supor que o problema da ética é o do critério de escolha.


Na estética, o ângulo do qual se fala da obra de arte é também uma questão de escolha. A escolha do foco narrativo estabelece o que é e o que não é relevante para se contar a história.


A indeterminação ética em se definir o que é certo e o que é errado pode ser associada à indeterminação em relação ao foco narrativo. Vale pensar isso para uma teoria do narrador, da narrativa (baseado em Adorno, em A posição do narrador no romance contemporâneo).


Extrapolando a palestra, pensamos os mecanismos da narrativa, no que possibilita que a obra, em sua história e forma, seja definida pelo escritor. Ambas estão relacionadas às técnicas narrativas: ética e estética como decorrentes da história que é narrada, no conflito apresentado, no que as personagens decidem ou não contar. Na literatura, a qualidade de uma obra define-se não somente pelo conteúdo, pela história narrada, mas pela forma, as técnicas usadas na narrativa. Aos dois podem-se agregar valores como enriquecedores, como, por exemplo, o uso da metalinguagem (para expor a incerteza, como Clarice Lispector); a exploração da tragédia, no sentido de que a atribuição maior de sentido à vida é conquistada quando a vida se perde (exemplo, A hora da estrela).
Algumas tendências do romance brasileiro foram elencadas e nos permitimos acrescentar outras:

  • Voltar ao mesmo tema: como que se houvesse, no cânone literário brasileiro, um “inconsciente historiográfico”:
  • Memória da dor: a memória da perda, o narrador melancólico, que tem a memória da perda e não consegue superá-la (a base teórica para o estudo da melancolia: Walter Benjamin). A melancolia é o elemento para a revelação da finitude humana; é a motivação criativa de uma forma de produção de conhecimento, na narrativa é a investigação sobre o passado de um personagem, é o personagem tentando encontrar a solução para uma memória do passado, procurando sua remissão aos olhos do leitor);
  • Imagem da mulher: o personagem principal se constrói sob efeito da ação ou memória de uma personagem feminina. A mulher aparece como não compreendida pelo protagonista, normalmente à mulher é associado o sacrifício. A sua morte sempre é carregada de significado (cada tipo de morte, carrega um significado: acidental, assassinato, suicídio);
  • Escolha do foco narrativo: o narrador comenta sua narração (metalinguagem);
  • Não há segurança na narração. Os narradores não sabem como contar a história e não distinguem com propriedade o certo do errado. Sua fala se contradiz à sua ação, a dúvida é crucial, o conflito não pode ser previsto ou diminuído etc.;
  • Não há equilíbrio entre dano e reparo: a memória do passado se revela como forma de procurar a justiça, o que era correto, mas isso não se concretiza no presente da narrativa;
  • Conexão entre forma e tema: a forma de constituir a narrativa é tão importante quanto o tema a ser tratado. Por exemplo, em uma história em que o tema é a dor, a forma pode ser a da fragmentação;
  • A narrativa não pode menosprezar a dúvida, o conflito e a morte.


A realidade no romance é a que o escritor cria. Ela há de ser verossímil para o leitor. Se os escritores, na corrente literária francesa Oulipo, são vistos como ratos que constroem seus próprios labirintos e depois se propõem a sair, a literatura poderia ser o labirinto, e, talvez, seja mais rica à medida que põe o leitor em seu centro, acompanha-o em algumas curvas, mas depois o deixa só, e o convida a encontrar seu próprio caminho até a saída.

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A democratização do homem de letras: a questão das oficinas literárias

admin em 29 de Setembro de 2009 @ 13:34

narciso - narciso

    “Não escrevemos por acaso. Temos necessidade de nos deixar ao outro e essa é uma atividade eminentemente humana” (Luiz Hermenegildo Fabiano).

Fazer um curso de pintura não faz obrigatoriamente de ninguém um artista. Saber alguns acordes no violão também não garante que alguém seja músico. Mas isso não nos impede de apreciar a arte e até nos permitir apreendê-la e exercê-la para nossa ludicidade e humanização.

Não que literatura seja somente talento, como também não o é a música ou a pintura. A técnica é importante, sim, para desenvolver a arte de escrever, como já nos disse Raimundo Carrero. No século XVI, a literatura latina era descrita como “ingenium et ars”, ou seja, a perfeita junção entre talento e técnica. Em latim, Ars, a Arte, não é sinônimo de talento, mas sim de técnica. Arte, portanto, não tem relação com inspiração, inclinação ou talento, mas, propriamente, com a habilidade advinda do domínio de técnicas. A literatura, como uma Arte, é também fruto da habilidade do escritor no manejo das palavras. Como em qualquer Arte, o diferencial do artista será sua sensibilidade, sua criatividade e sua habilidade. Como nos diz Clarice Lispector, viver só se aprende vivendo; assim podemos afirmar que muitas das facetas de um artista são fruto de sua vivência. Mas a técnica pode, sim, ser ensinada e aprendida. A artista plástica aprende sua técnica nos ateliês; o músico, nos conservatórios; e o escritor, na oficina literária.

O que quero tratar aqui é a questão da proliferação das oficinas literárias ou dos cursos de formação de escritores. De modo algum postulo contra eles, pelo contrário, acredito que, em virtude do fácil acesso dos escritores amadores ao mercado editorial – graças às edições do autor e das editoras sob demanda –, o grande número de obras no mercado prejudica a qualidade, já que grande parte das publicações muitas vezes é de obras que nem sequer passaram por um crivo crítico. Assim, as oficinas, trabalhando na formação dos escritores amadores, podem contribuir com a qualidade das obras que alcançam a publicação. Mais um ponto positivo das oficinas é que o escritor passa a conhecer outros escritores, criando assim uma rede de afinidade que possibilitaria a ajuda mútua, por exemplo, pela leitura e crítica dos escritos uns dos outros.

Ao terminar a oficina, o aluno seria então um escritor? É importante então refletir que não é porque se faz uma oficina de escrita (ou curso de formação de escritores) que alguém se torna escritor no sentido pleno da palavra.

Primeiro ponto a ser considerado: o escritor é um profissional da literatura. Isso quer dizer que, muito mais que escrever, ele tem uma prática de leitura tanto de textos de ficção, quanto de textos teóricos. O que se vê atualmente é que grande parte dos candidatos a escritor não têm uma prática de leitura, ou seja, não estudam os principais textos da literatura mundial. O escritor tem de ter uma reflexão acerca do fazer literário, da importância da arte literária, da contraposição da literatura como produto de consumo e como arte. Obrigatoriamente, tem de conhecer a fundo o gênero a que se dedica a escrever e conhecer seus contemporâneos. Não estou desejando afirmar que é preciso cursar a faculdade de letras para ser escritor. Mas é preciso ir além de gravar no papel reflexões que dizem respeito somente a si mesmo e depois querer transportá-las para o grande público. Para isso existe o diário.

Segunda questão: quem pode ministrar um curso de formação de escritores? Isso é um grande problema. Muitos dos professores dessas oficinas são desconhecidos do mundo literário. A questão não está somente no fato de ser reconhecido, mas na sua formação e se ele realmente tem experiência para transmitir aos alunos. Assim, é preciso antes de ingressar em alguma oficina procurar saber quem são os professores, sua experiência no mercado editorial, sua didática, a organização do curso. Conheça o curso e estude se a proposta realmente será eficaz com você. Mario Bellatin, escritor mexicano, dirige a Escuela Dinámica de Escritores , uma escola de formação de escritores em que se é proibido escrever como exercício da escola. O grupo francês Oulipo propõe exercícios de restrição (como, por exemplo, não usar o artigo “a”, não usar adjetivo algum) como superação e aperfeiçoamento da técnica. Propostas de didática existem na maior variedade possível.

Como diz Raimundo Carrero , “O trabalho literário exige disciplina e método”. Assim, se você deseja ser escritor, invista em sua carreira. Escreva muito, sim. Mas leia muito mais. Busque os clássicos, busque os escritores contemporâneos, busque os críticos. A literatura é uma profissão, então precisa de empenho e dedicação.

Gostaria de convidar as pessoas que fizeram alguma oficina literária ou curso de formação de escritores a relatarem a sua experiência aqui, no intuito de enriquecer a reflexão.

Saudações literárias,

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O que nos diz a crítica literária?

admin em 21 de Setembro de 2009 @ 17:51

José Castello, “O Crítico Aprendiz”, O Globo, 12 set. 2009, Prosa e Verso, p. 4
critica - critica

No artigo, José Castello discorre sobre a crítica de um texto de um autor novo, primeiro livro. Aí, a nosso ver, está a tarefa da crítica, tão bem feita por Manoel Bandeira, ler os escritores estreiantes e apresentá-los ao mundo literário. A tarefa é difícil, sabemos. Mas qual a razão de uma crítica cujo objeto são somente escritores consagrados?

Selecionamos excertos:

“…diante de um primeiro livro, o crítico se vê obrigado a exercitar, mais que nunca, o fundamento de qualquer leitura: a capacidade de se assombrar.”


“Também escrever um primeiro livro é desconstruir-se, into é, livrar-se do que ‘naturalmente somos’. Nada há de natural na literatura. Não se escreve sem, antes disso, destruir um mundo.”


“ Mais que o corpo, é a linguagem que, despida de sua ilusória bondade, passa a nos falhar. Só quando revira e torce a linguagem, um escritor começa a escrever.”


“A literatura não se interessa pela civilização e pelo progresso. Ela não é a montagem de ideais, mas, ao contrário, sua desmontagem. Nada assegura que um romance escrito no século XX seja superior (um ‘avanço’) a um romance do século XIX. A literatura é indiferente à lógica dos relógios. É extemporânea.”


“A cada palavra que escreve (que lhe sai), o escritor desmente a palavra planejada. Nos livros de estreia, ainda temerosos de se arriscar, os escritores em geral se agarram aos ideais antigos de boa educação, desenvolvimento e progresso. Ocorre que as torrentes da escrita são mais fortes. Se o autor escreve para valer, elas logo o arrastarão para fora de seu caminho. A isso se pode chamar de destino.”

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Beth Finholdt no mundo da arte

admin em 14 de Setembro de 2009 @ 21:30

NOVOS ILUSTRADORES

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Nome | Beth Finholdt
Email |
beth.finholdt@terra.com.br
Blog | http://saymourglass.blogspot.com/ e http://bethfinholdt.blogspot.com/
Minibiografia | Nasceu no Triângulo Mineiro (Uberaba) em 24 de março de 1983. Filha de artista autodidata. Seu pai sempre trabalhou com propaganda artística. Desde cedo a levava para ajudá-lo a pintar painéis e letreiros; e, a partir dos 8 anos, ela pôde pintar telas no atelier do progenitor. Iniciou sua vida profissional como costureira. Foi um longo aprendizado autônomo com bordados, tricô, crochê, tapeçaria, corte e modelagem de vestuário, crafts… Desde 2003, procurou conciliar o trabalho de pintura e desenho com a costura, mas a pintura falou mais alto. Atualmente estuda Artes Visuais na UFMG, colabora como ilustradora freelancer para editoras como a Canto Escuro (Portugal) e Hemisfério Sul (Brasil) etc.


Fale sobre suas atividades como ilustradora
Beth | Ainda estou me familiarizando com o universo da ilustração. Procuro conhecer o trabalho de diversos colegas, pois acho fundamental se inteirar com o que está a nossa volta. Meu trabalho é mais artesanal, baseado em desenho e pintura.

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Como ilustradora, você fez trabalhos para o mercado editorial, como capa, ilustração interna de livro, revista? Conte-nos sua experiência nessa área
Beth | O autor Daniel Ricardo Barbosa me incentiva muito a estudar artes de uma maneira ampla. Em 2003 me apresentou o projeto de seu livro Os Nomes na Máquina, que achei fantástico, e propôs que eu fizesse as ilustrações internas e a capa. O mesmo se deu com a capa do livro Elo, Entrelinhas & Alucinações – publicados em 2008 e 2009 respectivamente e em ordem inversa. É muito bacana trabalhar a ilustração a partir da interpretação de um texto e espero fazer isso mais vezes.

345 beth - 345 beth

A escrita e a ilustração são linguagens distintas. Por isso cada uma tem suas particularidades. De acordo com sua experiência, o que é positivo e o que pode ser negativo na união dessas duas formas de linguagem? Fale também de seu contato com escritores e editoras
Beth | Para mim a escrita e a ilustração não são linguagens distintas, mas sim complementares. Elas têm a mesma origem e finalidade. Creio que a ilustração aliada ao texto aborda o expectador de uma maneira mais abrangente e vice-versa. Obviamente existem fatores culturais e sociais que direcionam a leitura que se faz tanto do texto quanto da ilustração.

Cancao beth 1 - Cancao beth 1

Conhece a SIB (Sociedade Brasileira de Ilustradores do Brasil) e a AEILIS (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil)? Acha importante que o ilustrador se filie a sociedades e comunidades de ilustradores?
Beth | Ainda não conhecia as instituições. Acho importante a existência dessas associações para a troca de experiências e apoio ao profissional de ilustração.

An  nimo beth - An  nimo beth

Comente sobre seu estilo de ilustração e influências
Beth | Acho que ainda não tenho um estilo de ilustração definido. Minhas influências não vêm necessariamente das HQ’s. As referências são da natureza e do dia a dia. Penso que o estilo de um artista é mutável, depende de pesquisas em que se trabalha, influência de cores, trabalhos de outros colegas, momento histórico e político…

Elo Imagem beth - Elo Imagem beth

Vi algumas de suas ilustrações e devo admitir que me lembrei muito do traço futurístico na animação Aeon Flux. Você pretende ampliar seu trabalho como capista de livros de ficção científica?
Beth | As minhas influências em ficção científica advêm principalmente de filmes como Jornada nas Estrelas, Matrix e livros como Spharion, de Lúcia Machado de Almeida e Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne. O mundo das HQ’s não me influencia diretamente. Até porque ainda não tive muito contato com ele. Mas fico feliz pela associação. Desde que o projeto me interesse, apresente-me alguma proposta que me desperte a atenção, estou aberta a trabalhos sobre qualquer tema – inclusive ficção científica.

 seis  2001beth -  seis  2001beth

Qual foi seu trabalho mais interessante?
Beth | Todos os trabalhos são interessantes, oferecem um desafio e trazem aprendizado. Foi muito bom fazer as ilustrações para Os Nomes na Máquina, pois cada desenho interpretava o universo de um personagem. Mas gosto igualmente de desenvolver ideias com pintura e diversos materiais.

Casa da praia - Casa da praia

Qual seu conselho aos ilustradores que estão iniciando a carreira agora?
Beth | Trabalhar com algo com que se tenha afinidade, em qualquer que seja a área de atuação, é fundamental. Aquele entusiasmo que sentimos se transferirá automaticamente para o trabalho.


Beth, agradecemos pela entrevista e desejamos muito sucesso!

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Camila Fernandes

admin em 2 de Setembro de 2009 @ 13:02

NOVOS ESCRITORES
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Entrevistado: Camila Fernandes
Biografia por ela mesma | Paulistana, 28 anos, ilustradora, revisora de textos e escritora. Trabalhou por 6 anos como desenhista freelancer, deu aulas de computação gráfica e atualmente presta serviços à Mauricio de Sousa Produções, colorizando livros e revistas. Ainda atua como freelancer nas horas vagas, fazendo capas de livros e revisando textos.
Escreve | Escreve principalmente fantasia, mas prefere não se limitar a gêneros. Participou como contista de 7 antologias: Necrópole – histórias de vampiros (2005), Necrópole – histórias de fantasmas (2006), Visões de São Paulo – ensaios urbanos (2006), Necrópole – histórias de bruxaria (2008) e dos volumes I, II e III da coleção Paradigmas (2009).
E-mail | camilailustradora@gmail.com
Blog | www.camilafernandes.wordpress.com/ (textos)
Site | www.milaf.wordpress.com/ (ilustrações)
Orkut | http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17040084698518307776&rl=t/
Twitter | http://twitter.com/milaf/

Um gosto de Sampa
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Mila F.


Camila Fernandes, nome de batismo, é a escritora. Mila F., a ilustradora. Por que a escolha de nomes diferenciados para cada trabalho? Há alguma questão da influência do nome da escritora no trabalho de ilustração?
Camila | Eu assinava meu nome completo em minhas ilustrações e achava que ele ocupava espaço demais. Não queria reduzir para algo impessoal como C. Fernandes ou CF, então encurtei para Mila F. Tem funcionado, apesar de alguém sempre me perguntar se sou parente da Christiane F.


Como é conciliar o trabalho de revisora, ilustradora e escritora? Como é sua rotina?
Camila | É meio louca. Ilustrar e escrever são duas vocações; a primeira, sigo por profissão, a outra, por teimosia. Revisar textos é uma tarefa adicional que acabou surgindo por conta da minha paixão pelas letras. Por cerca de 6 anos atuei como ilustradora freelancer. É raro um profissional desse tipo ser disciplinado e a maioria de nós têm relógios biológicos ajustados para fusos horários mutantes. Eu trabalhava em casa, trocava o dia pela noite ou tinha uma semana inteira sem serviço nenhum para numa sexta-feira à tarde receber um projeto grande a ser entregue na segunda-feira de manhã. Eu bem que tentava existir em horário comercial, mas sempre fui da noite. Nessa época, tinha mais tempo livre para escrever, mas hoje vejo que o usava muito mal. Uma vida divertida, mas, como tudo o que é livre, muito incerta. Os trabalhos se alternavam entre revisão de livros e ilustrações para publicidade, especialmente endomarketing; daí quase nada do que eu fiz estar à vista do lado de fora das empresas, infelizmente. Por dois anos também dei aulas de Photoshop e Pintura Digital na Cadritech, ótima escola de arte digital. Hoje meus horários são mais normais na marra, já que trabalho de dia no estúdio de arte da Mauricio de Sousa Produções. Fora isso ainda faço alguns freelancers, escolhendo-os com mais critério, já que o tempo agora é curto, e aulas de dança 3 vezes por semana. No meio de tudo isso, não sei como, ainda encontro tempo para dizer que sou escritora. Não posso dizer que escrevo disciplinadamente, todo dia, como uma profissional. Eu escrevo quando dá: obsessivamente.


O processo criativo para a ilustração é muito diferente do para a escrita?
Camila | Para mim, são processos semelhantes, que envolvem suar bastante em cima das ideias, reescrevendo ou redesenhando partes até obter o melhor resultado. Surge um tema para um conto ou desenho e, à medida que esse embrião se desenvolve na mente, percebo quais são as lacunas que precisarão ser preenchidas com pesquisas. Ou o contrário: de um trabalho encomendado surge a oportunidade de explorar certo tema, sem argumento ou conhecimento prévio. Daí, parto direto para a pesquisa, começo a devorar referências e as idéias vão porejando na marra. Por exemplo: para ilustrar um guerreiro viking, precisarei conhecer seu biotipo, suas vestimentas, as armas que usava. Para escrever sua história, a pesquisa incluirá também a época em que viveu, os costumes de seu povo, suas ambições e os obstáculos que tinha de transpor para viver. Sou mais compulsiva na escrita que na ilustração: preciso me deter para não retocar demais.

Japonesas
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Milla F.


Como é sua relação com a escrita? Quando começou a escrever contos e como é esse processo?
Camila | Como toda criança CDF eu escrevia boas redações. Quando adolescente, passei a escrever de maneira obsessiva. Tenho até alguns romances encalhados dessa época, o tipo de projeto faraônico que todo escritor novato possui. Hoje, mal consigo ler o que então produzia. Espero daqui a 10 anos não dizer a mesma coisa sobre o que escrevo agora, mas, se o fizer, ao menos será um sinal de que evoluí. Escrevi meus primeiros contos lá pelos meus 19, 20 anos. Depois, as facilidades da Internet me encorajaram a expôr meus escritos em comunidades dedicadas a literatura, onde eu podia fazer e receber críticas de outros autores, o que muito aprimorou o meu trabalho. Percebi que o conto era mais que um ótimo exercício para desenvolver estilo e ritmo de forma a um dia escrever um romance; era também uma forma literária legítima e atraente. Em 2004 passei para o papel lançando o NecroZine, publicação que criei junto com Alexandre Heredia, Gian Celli, Giorgio Cappelli e Richard Diegues. Era distribuído gratuitamente em eventos, na versão impressa, e na Web, em PDF, com a intenção de divulgar o nosso trabalho e reconhecer o terreno difícil onde pisávamos na época, o da literatura de terror. Com os mesmos parceiros publiquei meu primeiro livro, a coletânea Necrópole – histórias de vampiros. Creio que sempre tive um forte desejo de me comunicar, de contar histórias e exorcizar demônios. Encontrei minha via de expressão primeiro no desenho, depois na escrita – nessa, talvez, com maior intensidade. As motivações e os propósitos podem até mudar, mas a mania fica.


Do que já ilustrou e escreveu, quais são seus trabalhos prediletos?
Camila | Difícil dizer. Mas tenho um carinho especial por meu primeiro conto publicado em livro, “A casa dos loucos”. Foi minha primeira experiência com um texto encomendado, isto é, definido dentro de um tema e com tamanho limitado. Sonhei com algumas imagens loucas, a casa antiga, o quarto estranho e lisérgico, os personagens e sobretudo as sensações que tentei transportar para o conto. Nas ilustrações, gosto muito dos esboços que fiz em um sketchbook que eu carregava para todo lado. Normalmente, são retratos de personagens das minhas histórias. A absoluta falta de compromisso desses desenhos lhes dá uma espontaneidade que nem sempre consigo levar para meus trabalhos “sérios”. Esse é meu verdadeiro estilo, minha cara.


Pelo o que li de seus contos, percebi que você orquestra as personagens para que elas cumpram o destino mais apropriado à narrativa. Como é sua relação com a construção das personagens?
Camila | Dizem que quando você cria um personagem e lhe dá dimensões realistas a história se desenvolve naturalmente a partir dele e à sua volta. Deveria ser assim, mas nem sempre é. Eu imagino uma situação e faço uma pergunta: o que eu faria no lugar desse personagem? E se ele for alguém muito diferente de mim, como agiria? Se eu quiser escrever um conto sobre um assassinato, penso em quem morreu, quem matou e por quê. Que tipo de pessoa faria isso? Alguém normal, pressionado pelas circunstâncias e depois arrependido? Ou uma criatura imoral procurando eliminar um obstáculo? Se eu tiver uma situação de grande perigo, posso optar por um perfil heróico, que enfrentará a ameaça, ou pelo mais fraco, que irá se acovardar e fugir do problema. Às vezes, a opção mais improvável dá o resultado mais interessante. Brincar com os excessos e as falhas do caráter humano é um dos exercícios mais enriquecedores para o trabalho de um escritor. Frequentemente escrevo do ponto de vista do vilão. Tento ignorar concepções maniqueístas e não fazer com que meus protagonistas sejam apenas heróis ou covardes o tempo todo, afinal, não há nada mais chato do que personagens rasos, perfeitinhos. Você pode começar pelo personagem e ver a que tipo de situação sua personalidade irá levar ou começar pela premissa e encaixar as pessoas certas nos papéis vagos. Não precisa fazer sempre o mesmo caminho ou fórmula. Basta usar a criatividade sem perder a coerência.

Nicolae
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Mila F.


Quando escreve, pensa em transmitir ao leitor uma mensagem definida? Você percebe se há alguma crítica/pensamento recorrente na base de suas histórias?
Camila | Não tenho a intenção de moralizar ninguém. Mas sempre que posso insiro alguma crítica bem sutil a comportamentos compulsivos da modernidade, como a vaidade desmedida, a competição social, males dos quais eu própria não escapo… Mais que um pensamento recorrente, a angústia e a insatisfação são combustíveis recorrentes para meus personagens. Creio que também exploro o sensual e o sensorial em quase tudo, talvez por eu própria sentir quase tudo na vida em excesso.


Nelson de Oliveira diz que a boa prosa é a que incomoda o leitor. O que você acha?
Camila | Concordo. Li recentemente esse trecho de uma entrevista com o Nelson no próprio Ofício Editorial e me entusiasmei com sua visão. Mas talvez eu trocasse a palavra “incomodar” por “causar”. Incomodar tem uma conotação algo negativa. Já causar, bem, pode-se causar qualquer coisa, desde intensa dor até intensa alegria. Gosto das obras que mexem com o que há de pior em nós, mas também dos que nos elevam e nos fazem acreditar em pessoas e mundos melhores. Os bons livros têm esse poder de nos tirar do lugar, manipular nossos sentimentos e verdades, nos sacudir por dentro. As melhores histórias marcam para sempre quem as lê.


Quais são seus autores e livros prediletos?
Camila | Não sou uma leitora fiel, minhas paixões nessa área mudam bastante. Mas posso listar as obras que mais derrubaram paredes na minha vida: Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brönte, O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, O Físico, de Noah Gordon, a trilogia As Crônicas de Arthur, de Bernard Cornwell, e a saga Estação das Brumas, de Neil Gaiman, na extinta revista Sandman.


Em seu blog, você revela que está trabalhando em um livro solo. Fale sobre isso.
Camila | O livro é Reino das Névoas – contos de fadas para adultos. São sete contos inspirados na essência dos contos de fadas originais. Isto é, narrativas bastante antigas, que, antes de passar pelo polimento nas mãos de autores como Perrault, Andersen e os Irmãos Grimm, eram cheias de violência, traição, sexo, morte e até canibalismo. Os contos de fadas eram a novela do povo antes da invenção da censura e da televisão. Eram contados ao pé do fogo e destinados a entreter, ensinar e chocar, mexendo com os interesses mais mórbidos do ser humano. Meus sete contos são histórias novas, mas que se assemelham às antigas por falarem não só de heroísmo e glória como também de ambição, medo e brutalidade. Claro que há também contos belos, edificantes, bem-humorados. Mas é uma leitura adulta, para deixar longe das mãos das crianças. Cada conto terá uma ilustração de abertura. É um velho sonho meu escrever e ilustrar um livro, afinal, por que dividir se a gente pode juntar tudo? Há outros planos para livros, mas este é meu xodó no momento.


Para quais editoras você envia seus trabalhos como escritora e como é sua relação com elas?
Camila | Atualmente tenho participado das antologias da série Paradigmas, da Tarja Editorial. Seus donos, Richard Diegues e Gian Celli, são parceiros de longa data que começaram quase junto comigo no ramo literário. Depois que publicamos a coleção Necrópole com a Alaúde, eles abriram sua própria editora. Tive uma boa relação com a Alaúde, mas pelo seu foco editorial eu não acredito que ela se interessaria pelo meu trabalho hoje. Com Richard e Gian é natural que tenha também boas relações e pretendo enviar meus originais para eles antes de qualquer outra editora. A Tarja está fazendo um excelente trabalho em novos talentos da literatura nacional de fantasia e FC. No momento, não tenho contato com outras editoras da área. Se precisar, vou ralar para conseguir, mas já ajuda conhecer alguém que conhece alguém e por aí vai – por isso é importante o escritor cultivar uma rede de contatos dentro de seu ramo, exatamente como os publicitários fazem. Sei que é difícil publicar literatura fantástica no Brasil, mais ainda quando se é um autor pouco conhecido. Mas também sei que esse discurso se desgasta, pois o panorama está se transformando aos poucos e mais editoras estão passando a prestar atenção a esse nicho. Hoje temos a Tarja, a Não-Editora, a Terracota, a Novo Século, entre outras, e o número de publicações tende a aumentar. Assim como a qualidade.

Agradeço imensamente ao pessoal da Ofício Editorial pela oportunidade de responder às suas questões e falar um pouco sobre o que faço. Aproveito para parabenizá-los pela dedicação e pelo alto nível do seu trabalho no site. Valeu, pessoal!

Nosferatu
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Mila F.


Nós que agradecemos. E aproveitamos para informar que quem quiser conversar com a Camila ou adquirir os livros com seus contos pode escrever para: camilailustradora@gmail.com, ou entrar no site da Tarja Editorial (Tarja Livros) www.tarjalivros.com.br

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Regras básicas de leitura e escrita

admin em 28 de Agosto de 2009 @ 21:49

testeira01 - testeira01

PARA LER
1. Ignorar os best-sellers, por maior que seja a tentação. Deixe passar cinco anos. Se o livro ainda respirar bem, pode investir.
2. Ler com desconfiança o que lê. Se o livro resistir a essa leitura, é porque é bom.
3. Ler com um lápis na mão. E usá-lo.
4. Conhecer pessoalmente o escritor só depois de ler o livro; caso contrário, a figura do escritor ficará colada ao texto, como um fantasma.
5. Ler edições que tenham bom gosto. Uma edição amadora piora dramaticamente o livro.

PARA ESCREVER
1. Dedicar mais tempo à leitura do que à escrita.
2. Usar em abundância o ponto final, especialmente quando a frase resiste a qualquer conserto.
3. Usar material de primeira qualidade: bom computador, bom papel de impressão, bons cadernos (sugiro o Moleskine), boas canetas, bons lápis.
4. Não levar o laptop para a cozinha ou para a sala de visitas. Se não tiver um gabinete exclusivo, o quarto é uma boa escolha.
5. Escrever apenas sobre o que conhece perfeitamente, mesmo que seja um romance passado no futuro.

LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL | é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor de “Ensaios Íntimos e Imperfeitos” (L&PM), entre outros livros.
“Escritores em construção”, Folha de S. Paulo, 16 ago. 2009, caderno Mais!

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Interview with Fred Schepartz

admin em 25 de Agosto de 2009 @ 17:28

NOVOS ESCRITORES
Fred 1 - Fred 1

    Interview with Fred Schepartz
    Biography | Fred Schepartz is a published science fiction writer and is the publisher and executive editor of Mobius: The Journal of Social Change (www.mobiusmagazine.com). This is Fred’s true identity, but in the make-believe world of market capitalism, he pays the bills driving cab at Union Cab, a worker-owned-and-operated taxi company in Madison, Wisconsin, happily subverting from within since 1979.
    E-mail | fmschep@charter.net
    Blog | http://vampire-cabbie.livejournal.com/
    Blog | www.vampirecabbie.com
    Facebook | Fred Schepartz
    Book | Vampire Cabbie
    Publisher | Literaryroad.com (October 10, 2007)

  • You wrote a book entitled Vampire Cabbie. Was it your first book? Tell us a little about it.
    FRED |
    Vampire Cabbie is my first published novel, but it’s actually my third novel. I wrote a mainstream, literary novel and then a science fiction novel. The first novel I think was actually publishable. The second one may not have been.
    Vampire Cabbie is about a 1000-year-old vampire who loses his vast fortune in the stock market crash of 1987 and is forced to get a job. He moves to Madison, WI, where I live, for a job that had been found for him working in a laboratory on the University of Wisconsin campus, but when he arrives here, he finds that the job had fallen through. He’s stranded and desperate. He gets a sudden inspiration that maybe cab driving might be something to do for a living, as it were. He applies for a job at a worker-owned-and-operated cooperative cab company, which is based on Union Cab Coop where I’ve worked for the last 21 years. I can tell you the details about cab driving are accurate. The details about the inner workings of a worker’s cooperative are accurate. As to the vampire details, well, I’m only guessing.
    I wrote the novel in the mid 1990s, but I’m amazed at how the vampire’s economic circumstances are so similar to what’s going on right now. I’d have to say, that’s kind of a happy accident in terms of the timing of the book’s publication. I think that gives the story so much more meaning. Also, I have to say, I’m really proud of the fact that the book portrays mostly working class characters and does so in a positive and honest way. One of the conflicts in the book concerns how the vampire deals with working side by side with people he considers to be his inferiors.

  • To write Vampire Cabbie, from where did you get inspiration? Some writers dream about their stories, another get a hint by some other book. How was the creative process to write Vampire cabbie?
    FRED |
    The idea of a vampire cabbie just came to me one day while I was in the cab driving. I think I remember exactly what street I was on, but I’m not sure. Suddenly, it hit me, and it just seemed so obvious. I liked vampires, and I knew about driving a taxicab. Ah ha! I should write about a vampire cab driver.

  • Al Farkus, the protagonist, has to work as a cabdriver. We could easily see that he is not the vampire stereotype. Do you think the readers will enjoy it? Did you think specifically in one kind of reader when you were writing?
    FRED |
    I intentionally created Al to work against the standard vampire archetype. I mean, there’s nothing wrong with the archetypes, but there’s a lot to be said for working against type. That’s what originality is all about. I should mention that I wrote a short story called, “These Guys Really Suck,” which concerns vampires on an afternoon talk show. The story’s mostly for laughs. Al appears on the show along with three other vampires who all portray and thus skewer three well-established vampire archetypes.
    I think intelligent readers appreciate this approach, and those are the kinds of readers I want to appeal to. However, I do have to say that because the book wasn’t like most other vampire novels, and because Al wasn’t like most other vampires, that’s probably why it took a good 12 years for the book to get published. The big time book publishers play a high stakes game, and I don’t think they wanted to take a chance on something unproven. I guess if I wrote like Anne Rice, the publishing industry would’ve felt more comfortable with it, but I don’t. Also, given that in the United States we don’t like to talk about class and we don’t like to portray workers in genre fiction, that might’ve had something to do with it as well.

  • In the book, you discussed some important topics, such as cooperatives. Were they reflection of your work at Mobius (The Journal of Social Change)?
    FRED |
    I’m so glad you asked me that question. It’s good to see that the rest of the world isn’t as freaked out about left wing politics as the United States. That’s the problem here. The range of accepted political discourse is so narrow. If you’re to the left of the Democratic Party, you’re considered a radical and potentially dangerous.
    I’m a card carrying member of the International Communist Conspiracy. In fact, if you look in my wallet, you’ll see my card. By the way, that’s a joke. I do have a card. It was one of many made by my best friend when we were all in college in the early 1980s. Back then we all used to be heavily involved with activist work on various social justice causes. And most of us still are involved, though in our own ways. I don’t really do activist work anymore. I changed tactics, but not strategy. I believe that to change our society for the better, we need to educate ourselves. That’s why I write fiction. That’s why I publish and edit Mobius. That’s why I blog. It’s all about what I can do to help create a better tomorrow.
    Oh, and politically, I should say I’m essentially a syndicalist with Marxist leanings. Specifically, I’m a neo-syndicalist. For details of what I mean by that, check out my blog.

  • About Mobius: “At Mobius we believe that writing is power and good writing empowers both the reader and the writer”. Which are the elements that characterize a book as worthy to be read?
    FRED |
    First and foremost, I look for good writing. However, to be honest, I’m first looking for bad writing as a means to weed out those stories that won’t make it. I have to confess that as an editor, I’m looking for reasons to not publish your fiction.
    A story needs to be technically proficient. It needs a strong plot and well drawn characters. But to be a Mobius story, it needs to have something to say. It doesn’t need to be politically partisan, but it needs to offer some kind of social commentary.

  • ” ‘Well don’t forget it, Count. The customer is always right, that is, unless they’re a raving psychotic.’
    That last remark gave me pause. Raving psychotic? Just how psychotic might a raving psychotic be?”
    When Al Farkus (called ‘Count’ by his coworkers) is learning how to work as a cabdriver the story gains a lot of humor. Does your real work as a cabdriver give you a lot of material to write fiction?
    FRED |
    Well, there’s crazy and then there’s crazy and then there’s batshit crazy. I recently had this guy in my cab who was absolutely batshit crazy. I mean schizophrenic. It came out in the local news that they found the mummified remains of his aunt a week after he was in my cab, and I dropped him off at his house. His aunt had been missing since sometime in July. I had him in my cab in early August. This is all absolutely true. If I ever write a Vampire Cabbie sequel, this will have to make it into the story somehow.
    So, yes, there are always real life cab driving stories that could and do work as fiction. Vampire Cabbie has a few real stories. In fact, there was one incident that happened after I had written the book. It was so funny I had to add it to the manuscript.

  • Speaking about you and about work as a cabdriver: could you tell us a little about your daily routine? When do you write?
    FRED |
    I hate to admit this, but I really don’t find the time to write right now. My wife quit her job last summer, and she’s in grad school. I’m working an extra shift every other week to make ends meet. Plus, I’m often working past my end time. I’m probably working about 48-50 hours a week, which doesn’t allow much time for much of anything. I have fewer days off, so I’m exhausted during my days off, and I have to spend the time doing stuff I don’t get time to do otherwise.
    Still, I steal time here and there. I’m doing the rewrites on my next novel, Guitar God, which I describe as a Jewish, suburban rock and roll fantasy with a 1970s soundtrack. I’ve done two complete rewrites, but I need to find a routine to get going with the third rewrite. Ideally, I’d do one chapter every day, but so often I work, get home, get to bed about three AM, get up about 9:30 the next morning, drink some coffee, read the paper and get out the door just in time for my next shift.

  • Your story offers to the reader murder, romance, suspense and humor. Those are essential elements to a catchy story?
    FRED |
    Yes and no. The main essential element to a catchy story is tension. The reader needs a reason to turn the page. Tension can be achieved in various ways, but it’s key.

  • Let’s talk about humor. It is important to put humor in a plot?
    FRED |
    I’m reminded of a story of some great actor who on his deathbed said, “Dying is easy. Comedy is difficult.”
    I think humor is important. Some plots get so deadly serious that they need some kind of comic relief just to keep the reader from slitting their wrists. Humor is certainly important for me because I’m a funny guy. If I’m not using humor in some way, shape or form, I’m not working to my strength as a writer. On the other hand, if you’re not funny, don’t try putting humor into your work because it just won’t work. And that’s just the way it is. Some writers are funny. Some aren’t. Christopher Moore is funny. John Milton is not funny.
    I’m also reminded of my English lit teacher giving an example of “humor” in Daisy Miller by Henry James. Winterbourne is chatting with Daisy’s younger brother. He asks the kid where their father is. The kid says, “He’s in a better place.” “Oh, I’m sorry,” an embarrassed Winterbourne replies. “Yeah,” he kid continues, “he’s in Schenectady.”

  • About your reader: who do you like to read your book? There is any kind of reader that you dislike or that you do not like to read your book?
    FRED |
    I like anybody and everybody to read my book. More importantly, I like anybody and everybody to BUY my book.
    However, a funny story. At my book release party, I noticed the daughter of my best friend’s wife sitting in a corner reading my book. I was horrified. She was 13! I’m thinking, this book is indecent. A little girl shouldn’t be reading it. Then my wife tells me she’s seen what the girl is reading, and my book is tame in comparison. The kid’s a big reader and reads past her grade level. That’s great.
    Since then I’ve done some research on the young adult market. I’m amazed at what’s considered taboo and what’s considered tame. My work is relatively tame.
    Oh, I should mention that Flo has read Vampire Cabbie twice. I’m also using her as a focus group for my next book. Also, it turned out that Vampire Cabbie was hugely popular among freshman at East High School here in Madison. Unfortunately, I think the kids all read the same passed-around copy of my book.

  • About vampires: it is still a good theme to write about? And what do you think about the vampire stories that have been published nowadays?
    FRED |
    Vampires will always be a good thing to write about, but we may soon reach the saturation point of vampires, but I think from a narrative point of view, vampires will always be cool.
    I haven’t actually read any of the Sookie Stackhouse books or any of the Twilight novels. However, I love True Blood. The premise is great. The characters are great. She’s done interesting things with the canon. The vampire power structure is interesting. As far as Twilight goes, based on everything I’ve heard, I don’t think I’d like it. It sounds a bit infantile, and my understanding is that the writing isn’t very good, but who knows? I might be surprised if I read Twilight. My sense of it, however, is that it’s very much in the romance genre, which, well, isn’t my favorite.
    One trend I think is a bit overdone is vampirism as a virus. It seems a lot of people came up with that at about the same time, figuring it was an original take.

  • Vampire Cabbie was conceived to be a book since the beginning? How much time do you apply to write it? And, when did you finish it, how was the response that you had from the publishers?
    FRED |
    Vampire Cabbie started as short stories. Then I decided the short stories could be cobbled together into a novel, which is why the novel may feel a bit episodic. It took exactly a year to write, rewrite and complete the novel.
    As far as the response from publishers, well, it wasn’t overwhelming. Again, I think the book was good enough to be published, but I think it was too atypical. Publishers weren’t sure what to make of it. It wasn’t gothic romance. It portrayed a pretty mundane setting. An agent said, “doesn’t grab me by the throat and not let go.” One editor called it “intelligently written.” Now that’s the kiss of death if I’ve ever seen it.
    Part of the problem is that I picked a bad time to start writing fiction, roughly 1985. Throughout the 1980s and 1990s we saw more and more people writing fiction and less and less people publishing fiction. The big presses were all swallowed up by corporate conglomerates. Books have to make money so they can turn a profit, which is turned over as tribute to some far off board of directors. Small presses tried to make it, but survival was quite difficult. Technology was making life easier, but it wasn’t saving them money, not yet. Finally really just a few years ago, technology advanced to a point where small presses had a decent chance to make it, so now we’re really at a revolutionary time in book publishing. There’s now a good number of outlets for less established writers who aren’t regurgitating all the same old crap.

  • About your editor: Has she suggested any modifications in the story?
    FRED |
    No, she pretty much loved it as it was.

  • And — I could not help myself –, as once was asked to Al Farkus, I would like to ask you: “If they made a movie of your life, who would you want to play you?”
    FRED |
    No question. Johnny Depp!

    Rs rs rs! My husband’s answer was just the same… Men…

Thank you very much and we wish luck and success to you and your book
vampire cabbie 1 2 - vampire cabbie 1 2

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Esse ofício do verso

admin em 10 de Agosto de 2009 @ 16:35

jorge luis borges 1 - jorge luis borges 1
“Ao considerarmos o romance e a épica, somos tentados a pensar que a diferença principal está na diferença entre verso e prosa, entre cantar algo e enunciar algo. Mas acho que há outra maior. A diferença está no fato de que o importante na épica é o herói — um homem que é um modelo para todos os homens. Ao passo que a essência da maioria dos romances, como salientou Mencken, reside na aniquilação de um homem, na degeneração do caráter” (Esse ofício do verso, Jorge Luis Borges, p. 56)

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Cristovão Tezza

admin em 24 de Julho de 2009 @ 09:21

Entrevista imperdível com o autor brasileiro mais premiado de 2009. Assista e comente.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Entrevista retirada do site caxola.com

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Ponto de vista

admin em 19 de Julho de 2009 @ 19:04

“Escrever bem não é, absoluto, apenas uma maneira de unir belas palavras. A linguagem escrita é um dos elementos da narrativa. Um dos mais importantes. Não há nenhuma dúvida disso. Mas os outros elementos não podem ser desprezados. Até porque para unir boas palavras, ajustáveis, é preciso saber para que elas servem. Não custa observar. Revolucionários e conservadores sabem disso.

O fundamental, porém, é que o escritor deve ter o que dizer, inicialmente, e não revelar isso no desenvolvimento da narrativa. Muito menos no discurso escrito. O desenvolvimento dos personagens, das cenas, dos cenários, dos diálogos, por exemplo, revelam o pensamento do autor, o seu ponto de vista, e não as palavras. Ou antes, não só as palavras”.

Raimundo Carrero, “Ponto de vista não é somente ciúme de você – as palavras fazem um romance, mas sem visão do mundo o autor desaba”, Rascunho, julho 2009, p. 10. (www.rascunho.com.br | http://www.raimundocarrero.com.br)


Entrevista do escritor pernambucano Raimundo Carrero em três partes

“A primeira coisa. Se você quer ser escritor, não tenha medo. Se você tem medo de alguma coisa, não escreva. (…) A gente escreve sobre aquilo que não confessa à própria alma. Se não for por aí, não é escritor.” (Raimundo Carrero)

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